Folha de S.Paulo

Um jornal a serviço do Brasil

  • Assine a Folha
  • Atendimento
  • Versão Impressa
Seções
  • Opinião
  • Política
  • Mundo
  • Economia
  • Cotidiano
  • Esporte
  • Cultura
  • F5
  • Classificados
Últimas notícias
Busca
Publicidade

Rodolfo Lucena

+ corrida

Perfil Rodolfo Lucena é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha

Perfil completo

Saiba por que alguns corredores cospem tanto

Por Rodolfo Lucena
03/12/12 15:07

Apesar de todas as corridas de fim de semana, abro os trabalhos do dia com observações sobre fisiologia. Quem acompanha corridas e outros esportes transmitidos pela TV já deve ter notado que os atletas costumam cuspir muito mais do que comumente se espera de pessoas educadas. No futebol, então, é um festival de cusparadas – mas, ali, acho que algumas até servem como provocação.

Independentemente de eventuais briguinhas paroquiais nos estádios, achei que a tal produção excessiva de saliva por parte dos corredores (e praticantes de outros esportes, por suposto) merecia uma explicação. Sempre é bom a gente saber um pouquinho a mais sobre nosso corpo.

Fui conversar com o fisiologista Luiz Riani, que me deu uma boa explicação.

 Vamos por partes.

1.     Quando a gente corre ou pratica outro esporte de alta intensidade, está sempre faminto de oxigênio. Inalamos pelo nariz e também puxamos ar pela boca, na tentativa de ganhar mais energia –o oxigênio é um dos combustíveis de nosso corpo.

2.     Ao puxar o ar pela boca, ele acaba ressecando a mucosa, que é naturalmente protegida pela saliva que produzimos sem parar –-a gente nem nota, mas está sempre gerando e engolindo saliva, é um dos processos de manutenção da hidratação e da temperatura do corpo. Esse ressecamento estimula a produção de saliva em grande quantidade.

3.     Com o processo de desidratação provocado pelo esforço de alta intensidade, especialmente em ambientes quentes, a saliva se adensa, ficando mais espessa e difícil de ser engolida naquele processo automático a que me referi anteriormente.

4.     Vai daí a cusparada, um mecanismo de defesa do organismo para evitar irritação das mucosas associado a mudanças nas características normais da constituição da saliva.

O doutor Riani lembrou também que, apesar de ser um processo natural de defesa do organismo, isso não significa que seja positivo ou totalmente positivo para quem está desenvolvendo atividade física intensa, como correr ou jogar futebol.

O natural para o corpo, como foi dito antes, é produzir e engolir a saliva, numa espécie de autorreciclagem do líquido. A saliva cuspida, expulsa do corpo, significa também perda de líquido, além dos prejuízos à elegância e aos bons modos.

Donde se conclui que há aí mais uma razão para o corredor cuidar bem de sua hidratação durante treinos e provas. Quanto beber já se tornou uma infindável polêmica entre os médicos, gerando diversos e contraditórios boletins de entidades especializadas em medicina esportiva.

Vou dizer aqui o que eu faço, que está mais ou menos de acordo com as recomendações médicas. Em provas, bebo água em todos os postos de hidratação. Abro um copinho e tomo uns três goles. Se for uma prova longa, a cada 50 minutos tomo um copo inteiro ou até um pouco mais, para enxaguar o gel de carboidrato (uso um a cada 50 minutos, mais ou menos).

Nos treinos, em que não há fornecimento de água, paro em um bar a cada hora e tomo um copo de 300 ml ou mesmo uma garrafinha de 500 ml, se o dia estiver muito quente. Às vezes, levo água na caramanhola.

Para manter o líquido bem gelado, coloco, na noite anterior, água até a metade da garrafinha e ponho no freezer. Não dá para encher porque, como sabemos, a água é um dos poucos elementos que aumentam de volume quando congelados. Vai daí o cuidado de colocar no freezer a garrafa cheia pela metade (ok, eu sei que é uma contradição em termos, mas você entendeu, não é?).

De manhã, antes de sair para o treino, encho a garrafa até a boca. Está pelada a coruja: isso me garante água gelada por pelo menos uma hora e meia, às vezes até duas horas de treino. Experimente e depois me conte como foi.

 

 

Mais opções
  • Google+
  • Facebook
  • Copiar url
  • Imprimir
  • RSS
  • Maior | Menor

Atleta de 71 anos combate câncer com maratonas

Por Rodolfo Lucena
30/11/12 14:48

Você pode achar que eu estou exagerando, mas o fato é que correr maratonas vem sendo um ótimo meio para Don Wright enfrentar as dificuldades que o câncer lhe impõe. Aumenta seu amor próprio, seu sentimento de valor e inclusão social. Claro que a medicação que vem tomando é essencial para que continue vivo e, na medida do possível, saudável. Mas estou me adiantando. Conto agora a história desde o começo.

Em 2003, o norte-americano Wright descobriu que tinha mieloma, um câncer sanguíneo que pode atacar os ossos. Passou a fazer tratamento e sabe-se lá por qual razão –talvez para mostrar que estava vivo e para desafiar a doença—começou a correr.

Fez da primeira maratona um objetivo de vida. Depois, se transformou em paixão, quase obsessão:  já correu 70 maratonas em 49 Estados dos Estados Unidos. No próximo dia 9, quando completar a maratona de Honolulu, passará a fazer parte do seleto grupo de corredores que já fizeram maratonas nos 50 Estados norte-americanos.

O corredor ajuda a levantar doações para duas instituições de combate ao câncer, que por sua vez o patrocinam nas corridas.

“Claro que nem todo mundo tem condições de correr maratonas, mas a lição que Don nos dá é que a gente pode conquistar coisas mesmo com a doença, que ter o diagnóstico de câncer não é o fim da jornada”, disse a representante de uma das entidades que apoio o corredor.

Ele, por sua vez, afirma: “Sou muito afortunado. Eu apenas tomo um remédio por dia e fico livre para literalmente correr o país afora. Desde meu diagnóstico, em junho de 2003, já corri um total de 20 mil quilômetros, sendo 3.000 delesem maratonas. Quandocompletar a maratona de Honolulu, vou me sentir eufórico, mas também grato a pessoas como os fundadores do Team Continuum [que apóia doentes de câncer], que nos mostraram o caminho e deixaram a nós a tarefa de ir até a linha de chegada”.

Mais opções
  • Google+
  • Facebook
  • Copiar url
  • Imprimir
  • RSS
  • Maior | Menor

Luiz Carlos Prestes está vivo e mora no Butantã

Por Rodolfo Lucena
28/11/12 12:36

Não, este não é um blog de política, ainda que sejam políticos todos os atos da vida. Também não é um espaço mediúnico nem vinculado a qualquer outra crença que não a fé inabalável na capacidade humana. Apesar disso, no meu treino de hoje vi vivo alguém que está morto.

Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, está lépido e fagueiro no Butantã, um bairro da zona oeste de São Paulo que pouco visito, por onde hoje gastei a sola do tênis em um treininho de hora e meia cheio de surpresas gostosas.
A maior e mais importante é o tema desta mensagem. Prestes, é claro, não revive como figura humana, de carne e osso, mas dá o ar de sua graça na forma de um pequeno parque nomeado em sua homenagem –uma das tantas que esse grande brasileiro merece.
Só quando vi, enquanto corria pelas alamedas butantanescas, a placa anunciando o parque, é que tomei conhecimento de sua existência. Primeiro, fiquei feliz ao ver a celebração desse sujeito que, com Getúlio Vargas, forma talvez a dupla de mais importantes figuras da história brasileira e latino-americana. Depois ficou claro para mim que não poderia terminar minha peregrinação sem conhecer o tal parque.
Atravessei uma avenida e mais outra, entrei por uma ruela e lá cheguei.
De cara, o parque me lembrou Prestes, um gaúcho de quatro costados, porto-alegrense nascido em 1898, resistente para mais de metro, capaz de dirigir a maior peregrinação jamais feita na história do Brasil –a Coluna Prestes–, de enfrentar a tortura e a cadeia, de passar frio e abandono e voltar à luta política para só morrer aos 92 anos.
Na última vez em que conversei com ele –na verdade, foi a única, mas comecei a frase assim para dar a falsa impressão de que eu tinha, em algum momento, privado da intimidade do Cavaleiro da Esperança, como o denominou Jorge Amado na emocionada biografia que escreveu–, o que vi foi um velhinho atarracado, troncudo, lúcido, rápido no gatilho, mas ponderado nas respostas, que falava com voz calma, enrouquecida pelo tempo.
Não lembro bem a data. Foi no final de 1979 ou início de 1980, Prestes tinha voltado ao Brasil pouco depois de proclamada a Anistia, e ficou por uns dias em Porto Alegre. Na época, eu era chefe da sucursal gaúcha do jornal oposicionista “Hora do Povo” e recebi a gostosa incumbência de entrevistar Prestes. Fomos encontrá-lo, eu e mais dois colegas do jornal, em um casarão na zona sul da cidade, onde estava hospedado.
Levamos flores –rosas vermelhas– para dona Maria, companheira de Prestes, com quem vivia desde 1950.
Conversamos por meia hora, uma hora, já não sei, os registros estão no jornal. Sei que Prestes mandou sua mensagem de chamado à luta contra a ditadura, um apelo que estava empolgando uma parcela da juventude.
Isso foi naquela época. 
Pois o Luiz Carlos Prestes de hoje, o parque, lembra muito o Prestes homem, dizia eu. Tal como ele, fui descobrindo enquanto trotava devagar pela única alameda do platô de entrada, é pequeno. Aliás, pequeno demais para servir como homenagem a Prestes, pensei enquanto circulava por ali. 
Mas a aparência miúda se agiganta quando o parque mostra sua alma.
Escondida pelos verdes, há uma escadaria de madeira, degraus feitos de troncos, madeira de demolição encravados na terra para uma escaladas rústica a um outro platô; depois, mais outra ainda. O parque é feito em pequenos andares de mata, pequeno e atarracada como o ser que homenageia.
Tem de um tudo: parquinho para a gurizada, área para descanso, para fazer um piquenique, uma estufa para plantas em que são preparadas mudas de árvoras, duas quadras de futebol de salão (onde um pequeno grupo de garotos fazia quase um gol a gol, pois jogavam três contra três naquela pequena cancha que, por causa do número de jogadores, devia parecer enorme a eles.
Em um dos cantos do terceiro platô, há uma área com equipamentos para o pessoal da terceira idade fazer exercícios –eu já estou quase lá.
As alamedas para caminhada e eventual corrida são pequeninas. Mesmo assim, vi uma senhora dedicadíssima, que ia e voltava de um lado a outro do segundo platô. Eu também fiz isso como reconhecimento: o trajeto era de apenas 120 metros, menos até que um corredor que venho frequentando ultimamente e que me permite dar 166 passos de ponta a ponta, no que estimo seja um trajeto de uns 150 metros, já que meus passos são modestos…
No terceiro platô, a alameda é um pouco mais alentada, chega aos 200 metros e, como no anterior, o chão de terra batida é coberto com pedriscos (vários deles entraram no meu pé, e lembrei que Prestes foi uma pedra no sapato dos ditadores.
Apesar das alamedas curtas, se você juntar tudo dá um bom treino, rodando de um lado a outro subindo e descendo escadas e aproveitando o verde encravado numa região bem feiosa da cidade, entre uma avenidona e uma rodovia, como você pode ver no mapa abaixo.
O parque funciona de segunda a domingo, das 7h às 18h, e fica na Rua João Della Manna, 665 – Jardim Rolinópolis/ Butantã. Para saber mais, clique AQUI. E para conhecer mais sobre a vida e obra do homenageado, clique AQUI.


PS.: Pelas imagens, nota-se que a Prefeitura escreveu Luiz com s; eu preferi seguir a grafia do site oficial, que é dirigido pela filha do Cavaleiro da Esperança, Anita Leocádia.
Mais opções
  • Google+
  • Facebook
  • Copiar url
  • Imprimir
  • RSS
  • Maior | Menor

De unhas pretas, mas com o coração em paz

Por Rodolfo Lucena
27/11/12 12:32

O cancelamento da maratona de Nova York ainda faz vítimas, deixa as pessoas de ressaca e gosto amargo na boca. Há quem fique de birra, nariz torcido e sei lá mais o quê. Uma jovem corredora revelou em uma rede social: “Fui numa festa à fantasia vestida de maratonista de NY. Coloquei todos os acessórios e roupas de uma vez só, inclusive o numero, o chip e a pulseirinha rosa de early exit!”.

Pois a produtora de moda Paula Narvaez é uma jovem adulta (será uma contradição em termos?) que entendeu perfeitamente as razões do cancelamento de sua corrida sonhada e idolatrada, aquela em que ela iria finalmente se tornar uma maratonista. Mas ficou um gosto de não sei quê…

Resultado: aos 29 anos, mãe de uma bela garota, escreveu outro dia em sua página no Facebook um recado para a progenitora: “Corri meus primeiros 50k, mãe, pode colocar no livro do bebe! Hahhahah”

Pois é: com seis anos de corrida nas costas e seis meias maratonas no currículo, aproveitou uma pequena confusão de inscrições em uma corrida e, em vez de correr em dupla a Green Race, foi logo para a prova individual de 50 km em montanha (saiba mais sobre a prova AQUI) em Jundiaí (interior de São Paulo).

“O pior que poderia acontecer era quebrar, abandonar a prova e aumentar mais um pouquinho o amargo que NYC deixou”, escreveu Paula em seu blog, em que conta com detalhes a aventura.

Apesar de estar pulando etapas, não foi para a corrida sem noção: “Sempre soube que não poderia correr sozinha, primeiro porque não sabia se tinha cabeça pra correr durante tantas horas, depois porque não sabia como administrar o esforço, a hidratação e a nutrição, e terceiro porque seria a primeira vez que eu correria acima dos 30 km e não fazia idéia do que ia acontecer”.

Convidou um amigo ultra para acompanhá-la na experiência e lá se foi para a largada com a cara, a coragem e algumas dicas preciosas: “Uma delas foi sobre a batata amassada com azeitona e sal. Vovó Dirce fez pra mim e quase tive orgasmos quando comi lá pelo km 36….”

A largada, nas montanhas de Jundiaí, foi logo em uma subida, para o pessoal sentir qual era a da corrida. Houve “subidas porradinhas, várias delas, descidas, e pedras soltas…”

Paula conta: “Na real, não estudei percurso nem altimetria e nem nada, não porque sou maluca, mas porque sabia que era dura e fim, a única coisa que guardei na memória foi o ganho de elevação, subiríamos até 1.100 metros.”
E continua: “Bebemos bastante água, a hidratação da prova estava ok na primeira metade e ruim na segunda. Na subida da antena, não tinha água, e quem não levou se lascou. Nós levamos e subimos tranqüilos”.

Lembra mais: “O momento mais difícil da corrida foi o momento de decidir se abandonava ou não meu parceiro. Lá pelo km 40, ele diminuiu o ritmo e eu me sentia bem. Não sobrando, porque como estava entrando num momento do meu corpo que não conhecia, preferia não acreditar na sobra e sim no conforto e precaução. Rodrigo me mandou ir…eu fui. Sofri bastante nos últimos 7, 8. Andei, corri, trotei…. e tive alucinações o que aliás foi uma delícia, via tudo laranja, como a cor da terra do chão, os cones brilhavam, o chão estava fluorescente e eu estava curtindo a viagem.”
Vai chegando: “Os últimos 2 km foram como 200. Já corria sem pensar, sem sentir e sem esperanças de que o final fosse chegar, estava difícil. Aí, sei lá, vi uma menina na frente, mas estava sem mochila, sem água e sem nada e andando, passei ela e quando olhei pra trás vi que seu número de peito era de ultra… Oficialmente não sei dizer em quanto tempo completei a prova, mas quando cheguei a organização disse que foram 5 horas e 30”.

Ela ficou assim depois da prova (foto Arquivo Pessoal).

E, mais sábia com a experiência, faz o balanço: “Não foi nada fácil,mas também não foi nada terrível. Mantive a calma, pensei nas pessoas que amo, pensei como queria completar e contar para vocês que YES WE CAN e principalmente tentei agir com sabedoria respeitando a montanha e respeitando meu corpo. Hoje estou em frangalhos, toda assada embaixo dos peitos, a unha preta e dolorida, porém com o coração em paz.”

Para saber mais sobre a Paula e suas corridas, visite o blog dela, AQUI.

Mais opções
  • Google+
  • Facebook
  • Copiar url
  • Imprimir
  • RSS
  • Maior | Menor

O caso dos Mickeys desaparecidos

Por Rodolfo Lucena
26/11/12 09:27
Quando a gente acha que já viu de um tudo, como se diz, aparece uma assombração nova para mostrar o quão pouco conhecemos do mundo e, especialmente, da capacidade de nossos semelhantes. Temos de repetir, tal e qual o filósofo da Grécia Antiga: “Só sei que nada sei”.
Pois toda essa introdução que você pode achar meio sem pé nem cabeça é para contar que roubaram os Mickeys do Adriano Bastos.
Talvez você não tenha idéia de quem seja o tal Bastos. Pois eu lhe digo: é o brasileiro que mais vezes venceu maratonas no exterior. Tem sete vitórias da Maratona da Disney, é o Rei da Disneylândia, pelo menos no que se refere às corridas de rua.
Não ganhou fortuna com suas conquistas, que lhe deram alguma fama e muitos troféus enfeitados com a figura do Mickey Mouse, o ratinho que é a estrela maior dos quadrinhos de Disney.
Eles estavam enfileiradinhos em uma prateleira, como você pode ver na imagem abaixo. (Eu vi que ali tem oito, mas não consegui falar com o Bastos para explicar a razão: as vitórias foram sete).
Pois não é que no últi mo fim de semana assaltaram a casa da mãe do Adriano e levaram dois dos troféus que lá estavam guardados?
Adriano, que hoje também é treinador de uma equipe de corridas, disse em sua página no Facebook: “O que farão com dois troféus que não tem valor financeiro algum, mas sim muito valor sentimental pra mim, sinceramente não sei.”
E continua com uma nota amarga: “Parece que arrancaram um pedaço de mim. Me passou até pela cabeça desistir de correr [a maratona da Disney] em 2013, pois, pra que continuar correndo atrás de algo que batalhei tanto e que agora ficou incompleto? Estou realmente muito mal”.
Bem, tomara que ele consiga recuperar seus troféus tão duramente conquistados. Se você quiser saber mais, falar com ele ou mandar mensagem para o Adriano, a página dele no Facebook está AQUI..
ATUALIZAÇÃO: Vários leitores me contam que o oitavo troféu se refere ao segundo lugar, conquistado por Bastos neste ano.
Mais opções
  • Google+
  • Facebook
  • Copiar url
  • Imprimir
  • RSS
  • Maior | Menor

Nelson Prudêncio, herói brasileiro

Por Rodolfo Lucena
23/11/12 12:24

O atletismo brasileiro está de luto. O medalhista olímpico Nelson Prudêncio morreu na madrugada desta sexta-feira em São Carlos, interior de São Paulo, onde estava internado na Santa Casa. Ele tinha câncer de pulmão –apesar de desportista dedicado, era fumante.

Prudêncio, que tinha 68 anos, ganhou duas medalhas olímpicas no salto triplo.

Sua primeira conquista olímpica, nos Jogos do México-1968, foi um dos momentos inesquecíveis do atletismo mundial, em que o tempo parece parar: a disputa pelo outro teve nove quebras do recorde mundial. Nelson ficou com a prata, com 17,27 m. Nos Jogos seguintes, em Munique-1972, levou o bronze.

Ele nasceu em Lins (SP), em 4 de abril de 1944 e era professor da Universidade Federal de São Carlos desde os anos 1970. Em 2006, obteve o título de doutor em atletismo, pela Universidade de Campinas. Militante do esporte, era vice-presidente da CBAt, que emitiu nota de pesar em que diz:

“O Brasil ficou menor. Em um país com poucos expoentes nas mais diferentes áreas de atividade, acabamos de perder uma das raras referências históricas de nosso desporto.

“Deixou-nos o Mestre Nelson Prudêncio, duas vezes medalhista olímpico, recordista mundial do salto triplo, professor universitário, doutor, dirigente maior, conselheiro das novas gerações de desportistas, companheiro leal e participante sempre presente na luta pelo desenvolvimento da modalidade que tanto engrandeceu.

“Educador nato, em todos os sentidos, homem de conciliação, jamais utilizava uma palavra áspera para se referir a pessoas ou fatos. Com sua fala cadenciada e pensamentos sempre elaborados com precisão, às vezes usando de fina ironia, transmitia com naturalidade seus conhecimentos e suas ideias, quer no exercício da cátedra quer no contato diário com aqueles que dele se acercavam.”

Mais opções
  • Google+
  • Facebook
  • Copiar url
  • Imprimir
  • RSS
  • Maior | Menor

Começa votação para escolha do Melhor Atleta do Ano

Por Rodolfo Lucena
22/11/12 09:46

A partir de hoje está aberta a votação popular para a escolha do Melhor Atleta do Ano. Sua escolha, porém, não será a única forma de apontar os vencedores, pois o Comitê Olímpico Brasileiro contabiliza também votos “qualificados” de um júri composto por “jornalistas, dirigentes, ex-atletas e personalidades do esporte”.

Foi esse júri que escolheu os melhores em cada uma das 43 modalidades que serão premiadas, do atletismo ao vôlei, passando por badminton e nado sincronizado.

Também coube ao tal júri indicar os candidatos a melhor do ano; foram selecionados seis atletas, três do feminino e três do masculino. É entre eles que você pode fazer sua opção, votando no site do COB (clique AQUI).

Os candidatos são Sheilla Castro (vôlei), Sarah Menezes (judô) e Yane Marques (pentatlo moderno). No masculino, os concorrentes são Arthur Zanetti (ginástica artística), Esquiva Falcão (boxe) e Thiago Pereira (natação).

A Sheila é uma gracinha e a Yane foi sensacional; acompanhei aos berros sua corrida para o bronze. Mas Sarah Menezes é imbatível: foi o primeiro ouro do Brasil, carregado de emoção, prenhe de superação. Para mim, ela é a atleta deste ano olímpico.

No masculino, meu voto vai para Arthur Zanetti, exemplo de dedicação a um esporte pouco conhecido, onde os recursos são parcos e mal há aplausos para incentivar o atleta. Valeu, garoto!

Se forem esses os preferidos do público e da crítica, teremos um ano especial, em que emergem talentos que não figuravam na mira da mídia.

Será um belo contraponto ao resultado do ano passado, quando a honraria foi para figurinhas carimbadas: Cesar Cielo (natação) e Fabiana Murer (salto com vara).

Para completar, acompanhe a lista dos eleitos por modalidade, que copiei do site do COB tal e qual.

 

Atletismo – Marilson dos Santos

Badminton – Daniel Paiola

Basquete – Marcelo Huertas

Boxe – Esquiva Falcão

Canoagem Slalom – Ana Sátila

Canoagem Velocidade – Erlon Silva e Ronilson Oliveira

Ciclismo BMX – Squel Stein

Ciclismo Estrada – Magno Nazareth

Ciclismo Mountain Bike – Rubens Valeriano

Ciclismo Pista – Gabriela Yumi

Desportos na Neve – Jaqueline Mourão

Desportos no Gelo – Luiz Fernando Manella

Esgrima – Renzo Agresta

Futebol – Neymar

Ginástica Artística – Arthur Zanetti

Ginástica de Trampolim – Carlos Pala

Ginástica Rítmica – Natália Gaudio

Golfe – Alexandre Rocha

Handebol – Eduarda Amorim

Hipismo Adestramento – Luiza Almeida

Hipismo CCE – Ruy Leme da Fonseca

Hipismo Saltos – Álvaro Affonso de Miranda (Doda)

Hóquei Sobre Grama – Matheus Ferreira

Judô – Sarah Menezes

Levantamento de Peso – Jaqueline Ferreira

Lutas – Joice Silva

Maratona Aquática – Ana Marcela Cunha

Natação – Thiago Pereira

Natação Sincronizada – Nayara Figueira

Pentatlo Moderno – Yane Marques

Polo Aquático – Gustavo Guimarães

Remo – Fabiana Beltrame

Rugby – Paula Ishibashi

Saltos Ornamentais – Cesar Castro

Taekwondo – Diogo Silva

Tênis – Bruno Soares

Tênis de Mesa – Caroline Kumahara

Tiro com Arco – Daniel Xavier

Tiro Esportivo – Roberto Schmits

Triatlo – Pamela Oliveira

Vela – Robert Scheidt e Bruno Prada

Vôlei de Praia – Alison Cerutti e Emanuel Rego

Vôlei – Sheila Castro

 

Mais opções
  • Google+
  • Facebook
  • Copiar url
  • Imprimir
  • RSS
  • Maior | Menor

Depois do eclipse, uma maratona em terreno perigoso

Por Rodolfo Lucena
21/11/12 10:18

Tadeu é um sujeito econômico com as palavras, mas prolífico quando se trata de correr maratonas. Nascido JOSÉ TADEU GUGLIELMO,  fez sua primeira São Silvestre em 1995; hoje com 47 anos, traz no currículo uma penca de maratonas nos lugares mais surpreendentes, do Himalaia à Grande Muralha da China. A mais recente estrela de sua galáxia pessoal foi a Maratona do Eclipse Solar, assim chamada porque realizada durante o último eclipse, visto com perfeição da costa da Austrália. É de lá que vem o relato de TADEU, que compartilho agora com você.

 “Port Douglas é uma cidade no extremo norte de Queensland, na Austrália, a cerca de 70 km ao norte de Cairns, onde há um aeroporto, e a 2.500 km de Sydney. Sua população permanente é de cerca de 4.800 habitantes, porém na alta temporada de verão esse número chega a dobrar. A cidade tem esse nome em homenagem a um ex-premier de Queensland, John Douglas. Port Douglas se desenvolveu rapidamente, com base na indústria de mineração e corte de madeira ocorrendo na área em torno do rio Daintree.

“A cidade situa-se adjacente a duas áreas de Patrimônio Mundial, a Grande Barreira de Corais e a floresta tropical Daintree, sendo a número 3 na lista das 100 Melhores Cidades na Austrália organizada pela revista “Viajante Australiano”. Lá foi realizada, no último dia 14, a Maratona do Eclipse Solar.

“A função começou cedo. Todos os corredores se reuniram antes do nascer do sol na área de largada, no Four Mile Beach, onde foi servido um café da manhã.

“O sol nasceu às 5h30. Às 5h44 começou o eclipse, que se tornou total às 6h38, durando então dois minutos. A maratona largou às 6h45, da praia, onde todos os corredores estavam reunidos para apreciar o fenômeno.

“Nada de muito asfalto nessa prova que, acima de tudo, é uma corrida de aventura. Partes do percurso foram percorridas em terreno onde cuidados extras tiveram que ser tomados. A superfície foi uma mistura de asfalto, grama, areia e cascalho.

“O terreno variou de plano a montanhoso, com a mais íngreme subida, uma trilha que me quebrou após o 15 km e levou para dentro da floresta. Depois do 19 km, o curso virou e voltou a descer a mesma trilha. Em suma, não foi uma das maratonas normais, mas sim uma prova de aventura. Fazer um bom tempo já não era esperado.

 Mesmo assim, tivemos momentos excepcionais, culminando com a magia da chegada: todos os corredores que completaram a maratona e a meia foram recepcionados por aborígenes, que nos entregaram uma linda medalha.”

Mais opções
  • Google+
  • Facebook
  • Copiar url
  • Imprimir
  • RSS
  • Maior | Menor

Uma meia com chope, outra com o mar

Por Rodolfo Lucena
19/11/12 11:16

Frequentadora aperiódica deste blog, mas sempre bem-vinda, a leitora LIA CAMPOS nos traz agora histórias de uma de suas recentes aventuras, para a qual médicos e treinadores talvez franzissem o cenho: a corredora de 46 anos fez duas meias maratonas no espaço de apenas 15 dias. Funcionária pública, saiu da bela Fortaleza, onde vive, para encontrar belezas em outras plagas, enfrentando corridas em Santa Catarina e no Rio Grande do Norte. E mais não conto: entrego o bastão para LIA, que compartilha conosco sua história.

“No dia 28 de outubro fiz a 5ª Meia Maratona de Pomerode, em Santa Catarina. Na mesma época da Oktoberfest, que é realizada em Blumenau, cidade vizinha, trata-se de uma prova ideal para quem deseja unir ambas as atividades, a festa e a corrida, que foi o meu caso. Deixemos, porém, os chopes e a dança de lado –pelo menos neste blog—e vamos à prova, que é disputada em estradão. Larga de Pomerode, que se autoproclama “a cidade mais alemã do Brasil”, em direção a Blumenau em um percurso de ida e volta pelo acostamento, praticamente 100% no asfalto e plano.

Por ser num domingo pela manhã e pelos poucos corredores, achei que o trânsito não atrapalhou, apesar de ouvir algumas pessoas reclamando disso. A largada se deu pontualmente às 8h e o dia, que começou nublado, com uma boa temperatura, rapidamente mudou, com o sol castigando a todos a partir das 9h.

Achei a prova bem organizada, água suficiente, marcação correta, percurso rápido e com o diferencial de um posto de abastecimento de chope no km 14, onde os corredores pararam para um ligeiro gole e para tirar fotos, e outro no final, quando a fila em frente ao barril já foi grande, com corredores cansados e com calor.

A única coisa da qual senti falta foi das bandinhas alemãs prometidas pela organização durante o percurso e no final.

A premiação contou com nosso campeão olímpico Robson Caetano como padrinho e, como não poderia deixar de ser, o brinde dos campeões foi com mais chope na famosa tulipa de metro.

 

“Já a Meia Maratona de Natal aconteceu no dia 10 de novembro, um sábado, com largada “prevista” para as 16 horas. Neste ano, diferentemente do que ocorreu no ano passado, a organização desenhou o trajeto todo na via costeira, o que faz com que o atleta corra a prova inteira olhando para  o mar. O visual é muito bonito e o fato da largada ser à tarde minimiza o calor.

Porém a largada, que estava marcada para as 16h, teve exatamente meia hora de atraso. Claro que quanto menos sol melhor, mas deixar 6.000 pessoas (esse foi o número divulgado pela organização, somando os corredores das provas de 10 km, de 5 km e 21,1 km) esperando por 30 minutos é  um erro grave.

A primeira metade da prova, com todo aquele marzão à nossa frente, foi moleza, mas, a partir do momento que fizemos a volta para percorrer a segunda etapa, a coisa ficou feia.

 O que era ladeira descendo, transformou-se em ladeira subindo e o vento, que na ida pouco foi sentido, se revelou um pesado obstáculo. Prova bastante dura.

Teve água suficiente, frutas no meio do percurso, linda medalha, assim como alguns pontos com torcida, mas faltou organização na entrega das frutas e isotônico no final, que foi praticamente todo distribuído aos corredores de 10 km e 5 km e para pessoas que nem inscritas estavam.

Outro erro (esse soube pela net) foi a liberação do trânsito quando ainda havia atletas correndo, além da aferição errada, o que nos fez correr 21,6 km. Essas falhas comprometeram um pouco a corrida, mas podem facilmente ser corrigidas para que a Meia Maratona de Natal seja uma excelente opção de meia maratona no nordeste.”

Mais opções
  • Google+
  • Facebook
  • Copiar url
  • Imprimir
  • RSS
  • Maior | Menor

A epopeia de um nadador na Tricolor Run

Por Rodolfo Lucena
18/11/12 21:55

O cara é professor de natação faz tanto tempo que nem lembra mais quando começou. Isso que é um garoto ainda, está com 37 anos. Dia desses, JOSÉ ELIAS CORREIA DA SILVA resolveu variar: em vez de ficar contando ladrilhos nas águas azuladas da piscina protegida, aquecida, fechada entre quatro paredes, saiu para correr. Participou, no início do feriadão, da corrida Tricolor Run, terceira da série Futebol Run, dedicada a torcedores de times de futebol. Achei o nome da corrida meio impreciso, pois, como se sabe, quando alguém diz Tricolor, assim, com letra maiúscula e enchendo a boca de orgulho, está se referindo ao Grêmio… Mas não era, tratava-se do tricolor paulista, que também tem lá o seu valor.

Bom, não vou me envolver em querelas clubísticas. Vamos todos desfrutar agora do texto que ELIAS mandou com exclusividade para estee blog. Obrigado ao nadador, que descobre tanta emoção na corrida.

 

“Fazia mais de um ano que eu não participava de uma prova de rua, a última foi no Circuito das Estações de 2011. Resolvi participar da Tricolor Run  porque a prova seria de 8 km e também uma homenagem ao São Paulo, clube do meu coração.

“O dia amanheceu com um tempo um pouco carrancudo, parecendo que iria chover forte, mas ficou apenas na ameaça, um alívio.

“Chegamos ao Morumbi já próximos do momento da largada, por isso saímos lá no final do Mar Tricolor. “O primeiro quilômetro foi um pouco complicado porque foi necessário desviar de bastante gente, mas depois deu pra correr num ritmo mais natural.

“Eu me concentrei tanto no ritmo que, ao final da primeira volta no circuito, ao ver uma placa indicando 7 km, me entusiasmei: eu estava me sentindo muito confortável até então e resolvi acelerar, apertando bastante o ritmo para fechar os 8 km num tempo bom.

“E estava quase atingindo a entrada da reta final, chegando próximo ao portão que dava acesso ao estádio, quando ouvi os avisos gritados por dos rapazes que fazia parte da organização: “Quem for fazer os 8 km permaneça à esquerda!!!”.

“Foi só naquele momento que o tamanho da distração e entendi porque estava me sentindo tão confortável na prova: ainda faltava correr 4 km!

“A partir daí, tentei recuperar o fôlego utilizando técnicas respiratórias que uso na natação para estabilizar a frequência cardíaca. Era o jeito para conseguir continuar correndo.

 “O circuito da prova, ao redor do estádio do São Paulo, no Morumbi, apresentava algumas ladeiras. A segunda volta foi um pouco mais complicada que a primeira,  mas  consegui me concentrar novamente e até guardar um gás para o final.

“Repeti a estratégia da primeira volta e apertei o ritmo no quilômetro final, sendo que ao entrar  no estádio eu tive fôlego ainda pra fazer um tiro final até ao portal de chegada.

“Eu me imaginei como um maratonista entrando no Estádio Olímpico, foi demais!

“Depois da prova, minhas pernas estavam superpesadas, mas a sensação de completar a prova no Estádio do Morumbi valeu cada gota de suor.”

Mais opções
  • Google+
  • Facebook
  • Copiar url
  • Imprimir
  • RSS
  • Maior | Menor
Posts anteriores
Posts seguintes
Publicidade
Publicidade
  • RSSAssinar o Feed do blog
  • Emailrodolfolucena.folha@uol.com.br
  • FacebookFacebook
  • Twitter@rrlucena

Buscar

Busca
Publicidade

Tags

rocinha corrida rodolfo ocupação morro do alemão video rocinha dondocas tv folha são silvestre adriana aparecida rodolfo lucena rocinha rio de janeiro
  • Recent posts Rodolfo Lucena
  1. 1

    A despedida do blogueiro

  2. 2

    A música da maratona

  3. 3

    Tênis da Nike falha, e queniano vence em Berlim com bolhas e sangue nos pés

  4. 4

    Segundão agora tenta o recorde mundial na maratona de Berlim

  5. 5

    São Silvestre abre inscrições a R$ 145

SEE PREVIOUS POSTS

Arquivo

  • ARQUIVO DE 01/11/2006 a 29/02/2012

Blogs da Folha

Categorias

  • Geral
  • Vídeos
Publicidade
Publicidade
Publicidade
  • Folha de S.Paulo
    • Folha de S.Paulo
    • Opinião
    • Assine a Folha
    • Atendimento
    • Versão Impressa
    • Política
    • Mundo
    • Economia
    • Painel do Leitor
    • Cotidiano
    • Esporte
    • Ciência
    • Saúde
    • Cultura
    • Tec
    • F5
    • + Seções
    • Especiais
    • TV Folha
    • Classificados
    • Redes Sociais
Acesso o aplicativo para tablets e smartphones

Copyright Folha de S.Paulo. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folhapress (pesquisa@folhapress.com.br).