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Rodolfo Lucena

+ corrida

Perfil Rodolfo Lucena é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha

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Lance Armstrong não completa corrida cervejística de menos de 2 km

Por Rodolfo Lucena
21/11/14 11:27

O ex-multirrecordista da Volta da França tranformado em triatleta e maratonista Lance Armstrong volta à cena midiática com mais um fracasso –ou algo assemelhado.

Mesmo depois de perder todos os seus títulos do Tour de France por causa de doping e de estar às voltas com processos movidos por ex-patrocinadores, Lance não perde a pose e não deixar de atrair fãs para suas aventuras.
No início de dezembro, será realizado nos Estados Unidos a Beer Mile World Championship, que consiste em uma prova de quatro voltas na pista de 400 metros, cada volta combinada com uma cerveja.
Ou seja, faz a volta, bebe uma cerveja, encara a pista de mais 400 metros, bebe outra e assim por diante.
Talvez pensando nisso e considerando que nesse tipo de evnto não há teste antidoping, Lance resolveu fazer um treininho às ganhas, digamos assim, participando de uma prova do gênero para ver se tinha chance de encarar o Mundial.
Nana-nina. Deu uma voltinha na pista, tomou a gelada e ficou por ali mesmo, descansando ao lado da pista de atletismo em Austin, Texas. “Dei DNF”, disse ele, usando a sigle que, em inglês, significa “não completou”.
Vários sites norte-americanos fizeram comentários jocosos sobre a falta de preparo do superespecialista em resistência física, mas não sei, não, talvez tenha sido ele a brincar com todos.
Afinal, depois do dito “fracasso”, correu mundo a foto em que aparece sentado, descansando, com uma cerveja na mão, com a marca da “loira” devidamente em destaque.
Donde se conclui que…
Nada não, longa vida a Lance Armstrong.

Mundial de ultramaratona tem presença recorde; Brasil tá na área

Por Rodolfo Lucena
18/11/14 11:10

18 ultras

Com a participação recorde de cerca de 200 atletas de 39 países, será realizado nesta sexta-feira (21) o Mundial de Ultramaratona, prova de 100 km reconhecida pela IAAF (a Fifa do Atletismo). A prova vai acontecer em um circuito de 5 km em Doha, no Catar, e terá presença brasileira.

Na segunda-feira última, o Quarteto fantástico nacional embarcou para a jornada: partiram Marcio Oliveira, Eduardo Calisto, Marcos Espírito Santo e Sinval Aguiar (da esquerda para a direita na foto do alto/Divulgação/CBAt).

Como treinadores, foram Herói Fung e Mariano Silvério de Moraes e Herói Fung, com coordenação de Oscar Francisco Prisco Silva e Cláudio Levi. Leonardo Lucas de Freitas e Marcos Antonio Gonçalves Junior cuidarão da infra (água, alimentação, suplementação, apoio psicológico).

Dos quatro brasileiro, Márcio Batista de Oliveira é o dono do melhor tempo, com marca de 6h47min28. Isso está longe da melhor performance mundial deste ano (o britânico Steven Way, com 6h19min20, mas não deixa de ser competitivo porque a segunda melhor marca do ano é de 6h44min04 (Zach Bitter) e a terceira é de 6h47min43 (Alberico Di Cecco).

Se retrospecto valesse, portanto, o Brasil sairia com uma medalha no individual. Mas a vida não é assim: cada dia é um dia, cada prova é uma prova.

A largada para os 100 km do Mundial será às 18h de Doha (13h de Brasília), para tentar proporcionar temperaturas menos desgastantes –com dia de sol, a temperatura de sexta-feira deve chegar aos 30 graus C.

O calor, de qualquer forma, é parte do desafio em ultramaratonas, que costuma oferecer condições terríveis para a prática do esporte. Mas os brasileiros são experientes nesse tipo de empreitada. Eduardo Silvério Calisto, por exemplo, participou no ano passado da Ultramaratona do Deserto do Vale da Morte –o nome já indica o tamanho do problema. Calisto chegou na 36ª posição entre cem competidores, mas a prova tinha 217 km.

Tomara que tudo saia bem para os atletas brasileiros. Deixo a eles meu abraço e o grito de guerra: Vamo que vamo!

Correr é pura poesia: há que ter fúria, engenho e arte (e um tantão de amor)

Por Rodolfo Lucena
17/11/14 10:33

E agora?, me pergunto eu, no meio de uma corrida: que é que eu estou fazendo aqui? É a hora em que as dores batem, os músculos repuxam, a idade pesa, a sede castiga, o suor resfria, a respiração se entrecorta, o coração solavanca, e a mente, apesar de tudo, comanda: vamo que vamo!!!!

A corrida tem dessas coisas, exige da gente engenho e arte, fazer das tripas coração, como se diz nas ruas, e buscar dentro de si alguma coisa de bom que ainda reste depois do cansaço, do desânimo e do fracasso. É quando, sem mais nem porquê, a gente se vê sorrindo, rindo, dando até um salto no ar e dizendo: pernas, para que te quero (a gramática não é escorreita, mas as pernas entendem o chamado geral).

A corrida, lembro-me agora quando consigo, aos poucos, voltar a treinar alguns quilômetro sem parar, é um ato de entrega, uma declaração de amor à vida. Vamos às ruas sem lenço nem documento, sem gravata, carteira recheada, títulos honoríficos ou galardões empresariais: cada um é simplesmente o que resta de si quando ninguém está olhando.

Por isso, há tanta alegria e descoberta. Muitos de nós nos vemos seres melhores, mais capazes de entender as pequenas (e as grandes também, por suposto) falhas do dia a dia, ver que nem sempre tudo da certo –mas que, quando da certo, há que aproveitar até a última gota.

Apesar disso, correr não faz, por si, gente mais bacana. Há entre os corredores políticos corruptos, patrões gananciosos e empedernidos, chefes brutais, homens violentos, mulheres trapaceiras e um sem número de pequenos escroques e criminosos de todo o tipo, como motoristas que invadem o acostamento e maratonistas que cortam caminho.

Também há os generosos, os apaixonados, os solidários, trabalhadores anônimos que construímos um mundo em que vale a pena viver, apesar de todos os percalços. Há o povo que avisa quando alguém está com o cadarço desamarrado, há a mulher que dá o braço para quem tropeçou, o homem que massageia o coração de alguém que passa mal.

Somos, então, de tudo um pouco. Em cada treino, nos descobrimos perdedores e vencedores, em cada prova nos saímos campeões; e, se a pegada for mais dura, difícil, complicada, dolorosa, encontramos no fundo do peito um resto de fúria que nos reergue no asfalto, na trilha, na areia.

É quando, sem olhar para trás, a gente diz mais uma vez: vamo que vamo!

Maratona de Istambul: percurso chato em cidade encantadora

Por Rodolfo Lucena
16/11/14 16:23

Na primeira (e, até agora, única) vez em que visitei Istambul, cheguei uma semana depois d éter sido realizada a maratona da cidade, que não apenas serpenteia pelas ruas, mas cruza da Ásia para a Europa. É a única vez no ano em que pedestres são autorizados a circular sobre a ponte do Bósforo (quando fui, subi até a entrada da ponte, pensando em burlar a vigilância, mas acvhei melhor nem tentar).

Bom, até agora não tive chance, recursos ou saúde para voltar lá, mas o prezado leitor e colaborador eventual deste blog CARLYLE VILARINHO, experiente corredor baseado em Brasília tratou de executar a pendência. Leia a seguir o relato que ele mandou com exclusividade para a nossa leitura.

16 carlyle“Neste domingo, 16/11/14, completei minha vigésima maratona. Queria correr uma corrida diferente, com algum atrativo especial. A Maratona de Istambul é impar, começa em um continente, Ásia, e termina em outro, na Europa, e isto me pareceu interessante.

Eu esperava bastante da prova, tinha boas recomendações de amigos e de notas na internet. Mas a realidade, a experiência própria às vezes difere daquilo que se ouve comentar.

A retirada do kit é em um ginásio olímpico, distante e difícil acesso. A feira é fraca e o kit é basicamente a camiseta, que é de boa qualidade. Pelo valor da inscrição, está de bom tamanho.

No dia da maratona, ônibus pegam os corredores na  rua em frente ao museu Haja Sofia entre 7h e 7h30 e levam até o local da largada, em uma rodovia na Ásia. O local é uma ‘praça’ improvisada, alguns banheiros químicos e os ônibus guarda-volume. E nada mais que isto. A largada só acontece às 9h, o que torna a espera um pouco longa e cansativa. Mas a prova é bem organizada.

Paralelamente à maratona acontecem também uma prova de 15km e outra de 5km. Nenhuma destas interfere ou atrapalha a maratona, pois saem mais tarde e de um local um pouco diferente. Para a maratona, havia 7.000 corredores inscritos.

Hoje o tempo estava ótimo para maratona, céu totalmente nublado, vez por outra leve chuvisqueiro, e temperatura entre 12ºC e 14ºC. Me recordo que em alguns pontos o vento contra chegou a segurar.

O percurso não é nada fácil e às vezes chega ser bastante chato, monótono. Largamos ‘naquele’ ponto na Ásia e na Ásia corremos 500 m até chegar a ponte Bogazici. Atravessamos esta ponte de 1,5km sobre o Bósforo e chegamos à Europa. Corremos mais 2km e descemos ladeira abaixo por mais 1,3km.

Com 5,5 km entramos em um trecho interessante, muita residências e as pessoas nas ruas incentivando. O relevo e relativamente plano, sem dificuldades. Isto dura até o km 18, quando agente encontra uma baita subida. Vencida a ribanceira de 1,4km chegamos às margens do Mar de Marmara.

Em uma larga avenida de mão dupla, com o mar de um lado e o nada de outro, corremos 8 km em uma direção e voltamos outros 13 km. São 21 km em uma semi-reta (as poucas curvas são extremamente abertas, nem parece curva, mas uma reta torta que se perde de vista). Neste trecho o terreno não é acidentado, tampouco plano, longos declives sucedidos por longos aclives…

Vencidos os 41 chega-se ao centro histórico de Istambul. Mais 1,195km por uma subida  bastante íngreme chega-se ao Sultanahmet, em frente à Mesquita Azul e a sonhada linha de chegada.

Foi a maratona mais difícil é mais chata da minha vida (e olha que já corri a difícil Foz do Iguaçu e a chata Curitiba). Mas não reclamo, terminei inteiro, sem dores ou câimbras e com o tempo de 4h15min53. Pelas condições, excelente! Levo para casa mais um belo souvenir, valeu o esforço.

Quanto a Istambul, a cidade é encantadora, os monumentos belíssimos; a culinária é ótima; e o povo turco muito  simpático. E o custo de vida baixo torna a viagem muito econômica.”

Passeio e corrida mostram rios invisíveis de São Paulo

Por Rodolfo Lucena
13/11/14 19:26

Será realizada neste domingo (16) em São Paulo a primeira etapa de um circuito de corrida e caminhada que parece muito interessante: tem como objetivo mostrar aos participantes os rios que a cidade escondeu ao longo de seu processo de desenvolvimento.

A corrida e a caminhada são filhotes de um projeto que começou em 2010, a Iniciativa Rios e Ruas, dedicada ao estudo da malha hidrográfica de São Paulo.

“O desenvolvimento urbano de São Paulo soterrou nos últimos cem anos cerca de 1.500 km de rios e retificou trajetórias de outros, como a do rio Tietê, que tinha curvas. A população paulistana foi levada a acreditar que os rios são inimigos do cidadão, por provocar mau cheiro, doenças, inundações, por impedir a ocupação e prejudicar o fluxo do trânsito”, afirma Charles Groisman, organizador do circuito.

No evento, os participantes serão acompanhados por educadores que vão dar informações sobre nascentes de rios, lagos e riachos da cidade. A caminhada será de 3 km, e a corrida, de 5 km.

A primeira etapa, que larga às 7h30 deste domingo, será no Parque Ecológico do Tietê. Na segunda etapa, no dia 30 de novembro, a expedição partirá do Zoológico e percorrerá as nascentes do rio Ipiranga. A última, programada para o dia 14 de dezembro, vai explorar o entorno do Vale Anhangabaú, o Centro Histórico da cidade.

Para saber mais e verificar informações sobre preços e inscrições, consulte o site oficial do evento, AQUI.

O incrível caso da aliança perdida na maratona de Nova York

Por Rodolfo Lucena
05/11/14 10:12

Vou contar a história do começo, mas já adianto que ela tem um final feliz.

No domingo passado (2.11), logo depois da maratona de Nova York, um dos participantes mandou para a página dos organizadores uma mensagem, que foi imediatamente publicada nas redes sociais. O nome do sujeito é Maurizio Martinoli, e o texto publicado foi o seguinte:

“Oi todo mundo: eu acabei de participar da maratona (número de peito: 1465) e perdi minha aliança de casamento. Eu sei que isso parece um pedido impossível, mas quero ver se a comunidade pode me ajudar. Eu tirei minhas luvas entre a 5ª [avenida) e o Central Park e acho que foi aí que minha aliança caiu sem que eu notasse, por causa do frio. É uma aliança de ouro. Na parte de dentro está escrito: “Carlotta 20-9-2008”, que é o nome de minha esposa e a data do nosso casamento. A aliança é muito importante para nós e ficaremos super hiper agradecidos se alguém que a encontrou na rua possa entrar em contato comigo. De novo, sei que parece uma coisa impossível, mas a gente nunca sabe…  Muito obrigado!!!”

De fato, parece impossível mesmo. Só que não.

No dia seguinte, às 21h10, a página na maratona anunciava esfuziante: “Maurizio encontrou sua aliança”.

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Sob essa foto, publicada na linha de tempo da maratona de Nova York, o garotão derramava sua alegria:

“Pessoal, o impossível se tornou possível! A aliança foi encontrada por Ornella Alexander (não sei quem ela é, esse é o nome escrito na sacola plástica onde estava minha aliança) e eu acabei de recebê-la de volta! Vocês nunca vão conseguir entender como minha esposa e eu estamos felizes! É inacreditável, eu tinha perdido a esperança, realmente não imaginava que ela fosse encontrada e devolvida! Eu te amo Nova York!, eu amo os nova-iorquinos! Obrigado!”

A nossa amiga Ornella era uma voluntária, uma dos milhares de homens e mulheres que ajudaram a tornar possível a prova. Ela trabalhou na área logo depois da chegada, onde achou a aliança perdida. Nesta terça-feira (4.11) , salvadora e salvado se encontraram no Central Park. Maurizio levou flores para Ornella em sinal de agradecimento.

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Seja pelo impacto da história seja porque muita gente perde muita coisa ao longo dos 42.195 metros pelos cinco distritos de Nova York, logo a página oficial da maratona publicou vários outros pedidos de ajuda e também histórias de reencontros com objetos perdidos. Cito aqui apenas uma, vivida por Christina Verduchi, a jovem da foto abaixo, também publicada na página da maratona.


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Ela mesma conta o que aconteceu, em texto publicado na noite de ontem (4.11):

“Quando eu digo que sou a garota mais sortuda do planeta, acredite. Eu perdi minha carteira de motorista e cartão bancário ontem (domingo, 2.11) no percurso da maratona, enquanto pegava uma bebida de meu cinto de hidratação. Eu não percebi até a milha 20, e então disse, brincando, para dois policiais, que, se eles encontrassem, podiam mandar tudo para mim pelo correio.  Pois agora Marco, do Departamento de Polícia de Nova York, acaba de bater na minha porta. Ele estava de serviço na milha 9, que foi onde eu deixei cair o documento e o cartão do banco. Ele tinha trabalhado até tarde na noite anterior e dormiu apenas duas horas antes de começar a trabalhar na segurança da maratona. Ele estava planejando visitar alguns amigos em uma cidade próxima daqui onde  moro, em Mount Arlington –ele mora em Nova York, a mais de uma hora daqui!!! Ele imaginou que eu tivesse tirado o dia para descansar e resolver fazer uma visita. Nunca duvide que há gente boa neste mundo. Eu encontro alguns exemplos todos os dias. Muito obrigado, Marco. Estou muito impressionada e agradecida.”

Agradecemos todos aos Marcos e Ornellas deste mundo, que vemos todos os dias, anonimamente, ajudando desconhecidos sem nada pedir em troca. Gentileza gera gentileza. Vamo que vamo!!!

 

PS.: Eu agradeço ao Mauro Teixeira, em cuja linha de tempo vi um dos pedaços da incrível história da aliança perdida e reencontrada.

Musa do tênis corre Maratona de Nova York –e muito bem

Por Rodolfo Lucena
03/11/14 10:45

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Uma vontade louca de tomar sorvete de baunilha, fortes ventos gelados batendo de frente e a “parede” por volta do km 30 foram os piores adversários que a tenista Caroline Wozniacki enfrentou neste domingo (2.11) para completar pela primeira vez a maratona de Nova York.

A jovem dinamarquesa, cuja beleza e simpatia já lhe valeram o status de “musa” do seu esporte, fechou em tempo de gala para uma estreante: 3h26min33. E valorizou a conquista: “Nunca passei por algo tão difícil”, disse a tenista de 24 anos (foto Reuters).

“Para mim, foi o mais duro teste físico que já tive. Quando cheguei à Primeira Avenida, havia uma equipe de televisão me filmando, e eu só dizia para mim mesma: `Agora eu não posso caminhar, tenho de continuar correndo, fazer parecer que está fácil`.”

E ela não deixou a peteca cair, apesar de ter decidido participar da prova há apenas poucos meses. Seu treino começou em junho último, e ela não chegou a fazer nenhum longão de verdade: os treinos mais longos que conseguiu encaixar entre seus compromissos profissionais foram de cerca de 21 km.

Mesmo assim, os treinos foram úteis para sua atividade principal. A musa acredita que a resistência extra obtida com a preparação para a maratona foi o que lhe permitiu enfrentar –e vencer– uma longa partida contra Maria Sharapova no mês passado em Cingapura.

“Estou muito orgulhosa de mim mesma”, derreteu-se ela em sorrisos para a imprensa em Nova York.

A conquista é ainda mais significativa considerando que, nos dias que antecederam a prova, a musa chutou o pau da barraca: “Fiz tudo que não se deve fazer às vésperas de uma maratona”. Foi a uma festa no Dia das Bruxas e chegou em casa às quatro da matina. Na véspera, nem jantou direito porque foi assistir a uma partida de futebol americano. E, no dia da prova, comeu dois bagels (tipo de pão).

Bueno, foi o suficiente.

Outra estrela que correu a maratona de Nova York foi a artista Teri Hatcher, que atua no seriado televisivo “Desperate Housewives” (Donas-de-casa desesperadas).

Além e acima dos quase 50 mil participantes, os corredores de elite travaram sua batalha particular. Apesar de renhidas disputas tanto no masculino quanto na prova feminina, os favoritos venceram (saiba mais sobre a prova AQUI).

O campeão foi Wilson Kipsang, ex-recordista mundial  da distância, que completou em 2h10min59 –a vitória lhe valeu também a conquista do circuito World Marathon Majors 2013-2014, com um prêmio de US$ 500 mil (cerca de R$ 1,5 milhão).

Entre as mulheres, Mary Keitany, bicampeã de Londres, venceu por apenas três segundos –repetindo a diferença da mais apertada conquista feminina em, Nova York, Paula Radcliffe sobre Susan Chepkmei.

Agora, Keitany, que correu sua primeira maratona depois de parar um ano para ter seu segundo filho, derrotou a compatriota Jemima Jelagat Sumgong, fechando em 2h25min07.

A cerimônia de entrega do título feminino da Word Marathon Majors foi adiada por causa de notícias, não oficialmente confirmadas de que a vencedora, a queniana Rita Jeptoo, foi pega em teste antidoping. Ainda há muita água para rolar por baixo da ponte, mas, a se confirmar, o caso pode gerar novas investigações sobre uso de doping entre os corredores quenianos de superelite.

 

Campeã das maratonas de Boston e Chicago testa positivo para doping, diz blog dos EUA

Por Rodolfo Lucena
31/10/14 15:48

A campeã das últimas maratonas de Boston e Chicago, Rita Jeptoo, que também é a ganhadora do circuito World Marathon Majors 2013-2014, testou positivo para uma substância proibida, segundo informação não oficialmente confirmada divulgada pelo blog RunBlogRun.

De acordo com o blog, a corredora queniana foi submetida em setembro a um teste antidoping fora de competição. A amostra A, afirma o blog, citando “fontes seguras”, deu positivo para uma substância proibida. Agora, ainda falta ser feita a contraprova, com a amostra B, antes que qualquer decisão oficial seja tomada contra a atleta.

Apesar de a informação não ter sido confirmada pela IAAF (a Fifa do atletismo) nem pela Wada,  agência mundial antidopagem, a atleta já sofre consequências.

Ela deveria receber, durante as cerimônias envolvendo a maratona de Nova York, seu prêmio de campeã do circuito mundial World Marathon Majors 2013-2014. Os organizadores do evento, no entanto, resolveram suspender a entrega do prêmio de US$ 500 mil, aguardando a resolução do problema.

Já a Federação de Atletismo do Quênia disse que só vai comentar se e quando receber notificação oficial da IAAF ou da Wada.

Bom, eu aqui não preciso esperar nada disso para fazer meus comentários.

Claro que cada entidade toma as medidas que ache necessárias no momento em que bem lhes aprouver. O que parece, no entanto, é que a IAAF e a Wada precisam melhorar seus controles de segurança e saber melhor com quem trabalham.

Independentemente de a notícia ser verdadeira ou não, não poderia haver vazamento da informação. O culpado, obviamente, não é o site que apurou, mas o laboratório ou entidade que tem em seus quadros algum falastrão ou falastrona que não merece estar no cargo em que está.

Todo atleta pego no exame antidopagem deve ser punido de acordo com a lei, o que inclui amplo direito de defesa e direito à privacidade. De modo geral, as entidades fiscalizadoras, controladoras e normativas só divulgam casos de doping depois de testada a amostra B, quando então o caso é encaminhado para julgamento.

Como podem permitir, assim, o vazamento de informação tão prejudicial?

E outra coisa: o site, ao divulgar a informação, o faz em nome do interesse jornalístico. Quem vaza os dados, porém, pode ter outros interesses.

Vai saber.

O fato é que agora a coisa está no ar. Vamos ver se a própria Rita Jeptoo vai falar ou se todos vão ficar na sua, aguardando os comunicados oficiais, o que é mais provável.

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Nasce circuito nacional de corridas gratuitas

Por Rodolfo Lucena
31/10/14 09:41

Inspirado pelo projeto social Vida Corrida, que trabalha com mulheres e crianças no parque Santo Dias, no Capão Redondo (zona sul de São Paulo), nasce agora o circuito nacional de corridas gratuitas VIDA CORRIDA.

“Nesses anos todos acumulamos experiência e acompanhamos inúmeros casos de pessoas que tiveram grandes transformações na vida pessoal e na saúde depois que começaram a caminhar e a correr. Por isso, quando inscrevemos o projeto para obter apoio da Lei de Incentivo, nosso objetivo era levar para outros lugares resultados positivos similares”, diz Neide Santos, fundadora do Vida Corrida, na apresentação do projeto (saiba mais sobre o Vida Corrida AQUI).

Já estão marcadas três etapas –uma no interior de São Paulo, outra na capital paulista e a terceira no Paraná–, mas haverá outras.

A primeira etapa será no dia 9 de novembro em Ribeirão Preto, na Praça Nadir Freitas Monteiro da Silva. Haverá corrida de 5 km e caminhada de 3 km –no total, estão disponíveis 2.000 vagas.

Os interessados devem se inscrever exclusivamente pela internet (AQUI). Apesar de o registro ser gratuito, é exigido o pagamento de uma taxa de comodidade ao site –hoje estava em R$ 6,50.

Para saber mais sobre o projeto, consulte o site oficial, AQUI.

É possível fazer eletrocardiograma de maratonistas em tempo real durante a prova, mostra estudo alemão 

Por Rodolfo Lucena
29/10/14 11:00

Pesquisadores alemães demonstraram que é possível realizar monitoramento das funções cardíacas de maratonistas em tempo real, com envio de dados de eletrocardiograma para um centro médico especializado.

O trabalho realizado foi o que os cientistas chamam de “prova de conceito” –ou seja, mostrar que dá para fazer e que os resultados podem ser importantes. Há um longo caminho a ser feito para que a tecnologia possa vir a ser implantada em provas no dia a dia.

O monitoramento em tempo real das funções cardíacas de maratonistas foi obtido pelo uso de um miniparelho de eletrocardiograma, que funcionou ao longo de todo o tempo da prova. Ele mandava sinais para um smart phone que o corredor carregava; os dados foram transmitidos ao centro de controle pela rede pública de celular

Segundo os pesquisadores, esse monitoramento em tempo real poderá permitir o diagnóstico instantâneo de desordens de ritmo cardíaco potencialmente fatais.

Esta é a primeira vez que estudo desse tipo é realizado, e os resultados vão ser apresentados nesta sexta-feira no primeiro Congresso Europeu em e-Cardiologia e e-Saúde pelos pesquisadores do Centro de Telemedicina Cardiovascular de Berlim.

Depois de testes com um total de dez corredores em duas maratonas, os cientistas consideram que a técnica é “promissora” e pode ser útil para prevenção de acidentes que, de outra forma, poderiam ser fatais. “No caso de arritmias que coloquem em risco a vida do atleta, os serviços médicos de emergência atuando na prova poderiam ser alertados com antecedência, facilitando o diagnóstico e o atendimento”.

Durante os testes, os dez participantes envolvidos, com idade média de 41,7 anos, passaram bem e concluíram a prova sem problemas, no tempo médio de 3h37. Já a qualidade do sinal do eletrocardiograma (ECG) não foi tão regular.

Na primeira experiência, em uma maratona com mais de 7.000 corredores e 150 mil participantes, a coisa desandou quase completamente. Praticamente não houve sinal aproveitável tanto por problemas na comunicação Bluetooth entre o mini-ECG e o celular quanto por falhas na rede pública celular.

Os pesquisadores deram um tempo para desenvolver melhorias no sistema e voltaram à carga seis meses depois, numa prova com mais de 15 mil corredores e 300 mil espectadores –ou seja, em tese, piores condições para garantia de precisão.

Mesmo assim, afirmam os cientistas, graças às mudanças no software a qualidade do sinal foi “excelente” .

Esse segundo resultado demonstrou que é possível manter boa qualidade de dados e transferência rápida entre os dispositivos carregados pelo corredor e o centro de monitoração.

Também mostrou que, mesmo com uma multidão usando a rede pública celular, a transmissão se manteve com qualidade.

Apesar desse investimento em prevenção de acidentes cardíacos, os pesquisadores afirmam que casos de morte súbita são raros entre maratonistas e outros atletas que participam de provas de resistência –em 2012, por exemplo, houve uma morte na maratona de Londres, o segundo caso no evento em três anos.

Apesar de relativamente pouco frequentes — um estudo de 2012 mostra incidência de 0,54 caso a cada 100 mil corredores—, os casos de morte em maratona ganham ampla divulgação. Vários países estão exigindo que participantes em provas de longa distância passem por exames prévios –a Itália tem uma política assim, notam os pesquisadores.

O monitoramente em tempo, real, porém, seria uma forma mais eficiente de prevenção. Mas ainda há muito a fazer, alertam os pesquisadores. É preciso um sistema capaz de acompanhar simultaneamente milhares de atletas e de identificar qual é o corredor em risco, no caso de receber sinais anormais.

Também será necessário criar um sistema de comunicação entre o centro de telemonitoramento e o pessoal do pronto-atendimento na prova.

Enfim, há muito há fazer. O estudo demonstrou que é possível o monitoramento em tempo real; agora, há que ver quais as melhores aplicações do método.

 

PS.: Obrigado ao doutor Julio Abramczyk, que chamou minha atenção para essa pesquisa

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