Rodolfo Lucena

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Perfil Rodolfo Lucena é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha

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Três corridas curtas que parecem muito legais (tomara que sejam)

Por rlucena
15/04/14 09:41

Na semana passada, fiz quatro treinos de 40 minutos, divididos em blocos de cinco minutos: três minutos caminhando, dois minutos correndo. Nesta semana, continuo  nos mesmos 40 minutos, divididos também em blocos de cinco minutos, mas invertidos: três corre, dois caminha. No meu último treino, cheguei em casa todo suado, feliz da vida, tinha corrida um monte naqueles três minutos finais. Coisa de 500 metros!!!

Com isso, mesmo sem o aval dos médicos, já estou botando olho grande nas corridas. Quero coisas diferentes, inspiradoras e, ao mesmo tempo, com nível de exigência que eu seja capaz de enfrentar nas minhas atuais condições.

Selecionei três provas que me parecem bacanérrimas. Não conheço nenhuma delas (aliás, se não me engano, são todas estreantes) nem os organizadores da maioria, mas espero que sejam bem legais. Por isso compartilho com você: servem como dica.

De cara, já digo que estou inscrito e garantidésimo na primeira delas. Um nerd como eu não poderia falta na Star Wars Run, que ainda tem o atrativo extra de ser de madrugada. A largada está marcada para o primeiro minuto do próximo dia 4 de maio, que esconde um trocadilho infame com o nome da data em inglês e o bordão de Guerra nas Estrelas: “Que a Força esteja com você”.

Em inglês, diz-se “mei de force bi uit iú”, que tem som semelhante ao do nome da data quatro de maio dito por extenso: “mei de fort”. Vai daí, uma coisa puxa a outra e os nerds, geeks e estreletes em geral que falam inglês completam a frase: “mei de fort bi uit iú”.

A corrida aqui em São Paulo terá concentração ao lado do Memorial da América Latina e o percurso será de 6 km, coisa que, até lá, estarei em condições de fazer alternando meus minutinhos de corrida e caminhada (hoje, meu recorde é de 4.850 metros em 40 minutos). Para saber mais, confira o site oficial clicando AQUI.

A outra prova que escolhi é um problema, pois está marcada para o mesmo dia, ainda que em outra cidade. Também tem o nome em inglês –parece que isso virou moda por essas bandas em que o idioma oficial é o português, lembra?.

É Wings for Life World Run e se trata de uma corrida com pernas no mundo todo: no mesmo dia, na mesma hora, será realizada numa montoeira de cidades do planeta. Tudo para um bem maior: arrecadação de fundos para uma entidade que financia a pesquisa para a cura das lesões de medula.

Bacana, não? Pena que será em Floripa. Bem que eu queria ter um jatinho particular para me levar de uma corrida a outra, mas vou lhe contar um segredo: não é o caso. Bom, quem estiver por lá ou passando pela capital catarinense pode aproveitar. Para saber mais sobre a corrida mundial Asas para a Vida, confira o site oficial AQUI.

E guardei para o final a que me parece a mais bacana, mas que provavelmente ainda será muito mais do que meu corpo permite. Vou ter de ouvir os médicos a respeito, além de consultar meu saldo bancário, pois o preço da participação é bem alto: começa em R$ 167, valor que sobe no dia 4 de maio, mesmo dia em que acontecem as provas anteriormente citadas (ih, tá tudo ligado, não é?).

Essa será no dia 21 de junho, na distância de 13 km. É bem possível que até lá eu já esteja em condições de enfrentar essa distância; o problema é que o percurso será em trilha… Vamos ver o que dizem os especialistas.

O nome da corrida está em português ma non troppo: Guaranis Race, o que é uma contradição em termos, como você já percebeu. Eu acho um absurdo tais maus tratos ao idioma pátrio, sou fã de Machado e Graciliano Ramos, de Vinicius e Manual Bandeira, de Veríssimo, Drummond e João Cabral…

É coisa de marqueteiros, mas parece que dá certo. De qualquer forma, independentemente do nome, a corrida parece que será legal. É na praia de Boraceia, no litoral norte de São Paulo, em território dos índios guaranis. O percurso aproveita trilhas desbravadas pelos guerreiros, segundo afirma o site oficial.

A página também traz muitas outras informações, que você pode conferir clicando AQUI.

Depois de fracasso em Londres, Marílson e Paulo Roberto reorganizam planos

Por rlucena
14/04/14 15:25

Melhor maratonista brasileiro na atualidade, Marílson Gomes dos Santos foi para a maratona de Londres com o objetivo de fechar em 2h08, 2h09, segurando as forças para se dedicar à preparação para os Jogos Olímpicos. Destaque brasileiro na Olimpíada de Londres, Paulo Roberto de Almeida Paula pretendia baixar seu tempo (2h10min23) e, de quebra, garantir vaga para o Mundial do ano que vem.

Nenhum dos dois conseguiu nada. Com dores musculares, Marílson abandonou a disputa pouco depois do km 25. Seu desempenho vinha caindo: a previsão de conclusão, baseada no ritmo de então, já dava mais de 2h10.

Paulo Roberto foi mais longe. Passou o km 30 no 14º posto, uma classificação melhor do que as registradas nas passagens anteriores. Mas não chegou ao km 35…

Ainda que não digam isso, os dois devem ter sentido o começo da prova, que foi muito forte para todos os atletas de elite e causou danos para o conjunto dos atletas.

Até o mais famoso “coelho” de todos os tempos sofreu com a balada: o multirrecordista mundial Haile Gebrselassie, que prometera levar o grupo a 1h01min45 na meia maratona, abandonou depois do km 15…

Quanto aos brasileiros, é hora de lamber as feridas, refazer planos e rever compromissos.

Falei rapidamente com o irmão gêmeo de Paulo, Luiz Fernando, que me disse: “Meu irmão não sentiu nada de dor. Ele quebrou. É a verdadeira palavra. Ele jamais iria ficar dando desculpa. Disse que sentiu muito depois do km 30, mas que está bem e que logo vai tentar outra maratona. Essa foi mais uma experiência que ele passou na vida, mas jamais vai jogar a toalha”.

Uma possível opção para Paulo Roberto é a maratona de Pádua, que venceu no ano passado.

Marílson também ainda não tem seu futuro definido. Em comunicado distribuído à imprensa, seu treinador, Adauto Domingues, afirma o seguinte: “Ele está bem e, como correu apenas meia maratona em Londres, vamos olhar o calendário e ver o que podemos fazer ainda este ano.”

Manhã de decepções na maratona de Londres

Por rlucena
13/04/14 08:59

A prova foi linda, com recorde de participação – mais de 36 mil inscritos – e belas disputas pela vitória tanto no masculino quanto no feminino. Mas os resultados decepcionaram, e os nomes que eram tidos com destaques certos ficaram muito aquém do esperado.

A primeira decepção aconteceu logo depois do km 15 da prova masculina, quando o mais sofisticado coelho de todos os tempos abandonou a prova. O multirrecordista mundial Haile Gebrselassie não conseguiu cumprir o prometido, que era levar o primeiro pelo a passara a meia maratona em 1h01min45, o que daria grandes chances de novo recorde mundial.

Ao contrário. Talvez entusiasmado por voltar a uma grande maratona depois de um período de declínio, Haile parece ter se entusiasmado demais com sua função de coelho e provocou um início alucinante. Basta dizer que nada menos de 11 corredores (aí incluídos três marcadores de ritmo) passaram o km 5 com previsão de quebra de recorde.

Quebra é pouco: destruição, esmigalhamento. Se mantivesse o ritmo, chegariam ao final em 2h01min04, com mais de um minuto de vantagem sobre o recorde mundial. Claro que alguma coisa estava errada.

A passagem do km 10 foi mais conservadora, mas ainda com previsão de recorde mundial. A partir daí, desandou. Haile aguentou mais cinco quilômetros e alguma coisa e caiu fora. O etíope Tsegaye Kebede, que defendia o título, assumiu o posto em um gordo pelotão de oito corredores, onde estava também o recordista mundial, o queniano Wilson Kipsang.

Enquanto isso, os brasileiros Marílson Gomes dos Santos e Paulo Roberto de Almeida Paula também faziam boa prova, ainda que com as mesmas oscilações de ritmo do pessoal lá da frente. Marílson já passou o km 15 em ritmo pior do que o previsto por seu treinador, mas ainda estava no jogo, enquanto Paulo Roberto corria solto mais à frente, com perspectiva de melhorar sua marca pessoal.

O km 25 foi a última marca que ainda viu Marílson entre os 20 primeiros; Paulo Roberto, naquele ponto, estava no 14º posto.  No momento em que escrevo, 20 minutos depois da chegada do primeiro colocado, nenhum deles apareceu ainda na lista dos concluintes…

O campeão foi Wilson Kipsang. Ele e seu compatriota Stanley Biwott, campeão da maratona de São Paulo de 2010, se livraram de Kebede depois do km 30 e já passaram juntos a marca do km 35. Kipsang ainda aguentou a disputa até o km 40 e aí disse tchau para o compatriota.

Fechou em 2h04min29, o que não é grande coisa para ele, mas é suficiente para garantir o bônus de US$ 100 mil por ser abaixo de 2h05 e mais US$ 25 mil por quebrar o recorde do percurso, que era de 2h04min40. O prêmio pela vitória foi de US$ 55 mil.

Melhor que nada, não é?

Antes de passar ao feminino, é preciso lembrar de outra decepção na prova masculina: a estreia do britânico Mo Farah na maratona, tão incensada por seus compatriotas, ficou a anos-luz do que era esperado. Ainda que tenha feito uma prova bacana, com avanço progressivo e demonstração de alguma resistência, não chegou nem perto dos primeiros colocados nem sequer bateu o recorde nacional, coisa que era dada como favas contadas.

Pois é, a maratona tem dessas coisas…

A prova feminina também decepcionou em termos de tempo, pois ninguém baixou de 2h20, muito menos ameaçou o recorde da prova ou a melhor marca conseguida em corrida exclusivamente feminina. Mas foi muito bacana e teve alguns sinais promissores quanto ao futuro da maratona das mulheres.

O mais importante foi a belíssima estreia da etíope Tirunesh Dibaba na distância. Correu sempre no primeiro pelotão e, enquanto nomões iam caindo fora, ela se manteve na cola das líderes. Com três recordes mundiais, cinco títulos mundiais e cinco medalhas olímpicas, todos em pista, Dibaba chegou bem treinada à maratona, que considerava “um pouco assustadora”.

Mas não demonstrou medo nenhum. Sua corrida pelo título foi prejudicada por uma péssima passagem em um posto de hidratação, em que deixou cair a garrafa e perdeu o contato mais próximo com as líderes. Nunca mais o retomou, enquanto as ponteiras seguiram firmes.

Entre elas já não estava Priscah Jetptoo, outra decepção. Ficaram a baixinha e veloz Edna Kiplagat e a mais pernalta Florence Kiplagat, bivice em Londres… As duas foram coladas até algumas centenas de metros antes da chegada, quando Florence atacou e levou o troco de Edna, que parecei dizer “Vice nunca mais!”. Terminou em 2h20min21, o que lhe valeu um bônus de US$ 50 mil. Mas ficou longe de bater o recorde da prova, 2h17min42, o que lhe valeria um extra de US$ 25 mil.

Termino voltando aos brasileiros, que não apareceram na elite no final da prova.

A assessoria de Marílson distribuiu nota informando que ele abandonou na metade da prova, que passou em 1h04min21. Sentiu dores musuculares, segundo o comunicado, que lembra que o atleta tinha sofrido uma virose durante sua preparação para Londres.

 

De Paulo Roberto ainda não tenho notícias, mas ele foi muito forte até o km 10, o que deve ter provocado consequências danosas.

 

Blogueiro comenta ao vivo maratona de Londres

Por rlucena
12/04/14 12:57

Os maratonistas olímpicos brasileiros Marílson Gomes dos Santos e Paulo Roberto de Almeida Paula correm neste domingo a maratona de Londres em busca de manter seu espaço na elite internacional e, se possível, melhorar seus recordes pessoais.

Estarão entre os mais rápidos corredores de longa distância mundo, num grupo que está sendo considerado o melhor já reunido em uma maratona, tanto no masculino quanto no feminino.

Presente na prova, o recordista mundial da distância, o queniano Wilson Kipsang, diz que sua marca –2h03min23 (Berlim, 2013)–  pode cair nesse domingo.

Os organizadores estão fazendo de tudo para que isso aconteça: colocaram como marcador de ritmo o ex-recordista mundial Haile Gebrselassie. Um dos maiores corredores de todos os tempos, o etíope deve fazer o primeiro pelotão passar pela metade da prova em 1h01min45.

Além de Kipsang, outros candidatos a recordista são o atual campeão de Londres, Tsegaye Kebede, o recordista do percurso, Emmanuel Mutai, o bicampeão de Nova York, Geoffrey Mutai, e o campeão mundial e olímpico, Stephen Kiprotich.

Os brasileiros não estão nessa superelite, mas afirmam que podem correr bem. Paulo finalizou sua preparação na altitude de Kunming, da China. “Foi o melhor treinamento que já fiz para uma maratona”, disse ele em entrevista por rede social.

Mesmo assim, prefere não falar em tempo. “Se conseguir terminar abaixo da minha marca já vou ficar contente para caramba”, diz o corredor, que tem 2h10min23 como recorde pessoal na distância.

Já Marílson, o melhor maratonista brasileiro da atualidade, pensa em apenas defender seu espaço na elite internacional, de olho nos Jogos Olímpicos de 2016.

“Vamos tentar mantê-lo no alto rendimento, correndo sempre na casa das 2h08, 2h09, evitando o desgaste para que ele chegue bem aos Jogos. Demos uma tirada de pé do acelerador”, diz Adauto Domingues, treinador do atleta.

Já entre as mulheres a aceleração deve ser total, a julgar pelo grupo reunido. Há três corredoras que já completaram a maratona em menos de 2h20: a campeã olímpica Tiki Gelana, a bicampeã mundial Edna Kiplagat e a bicampeã de Berlim Florence Kiplagat. Além delas, Priscah Jeptoo promete defender com unhas e dentes seu título na maratona de Londres, o que indica uma maratona “rápida e furiosa”, como definiu Gelana.

Outro destaque da prova são os estreantes.

No feminino, espera-se bom desempenho da recordista mundial dos 5.000 m, Tirunesh Bibaba, campeã olímpica e mundial dos 10.000 m. Ela diz que se preparou bem. Mas não esconde que a maratona é uma distância um pouco “assustadora”.

No masculino, os holofotes estão voltados para o debute de Mo Farah, campeão olímpico dos 5.00 m e dos 10.000 m. Há quem veja nele candidato a recordista mundial. No mínimo, vai derrubar a marca britânica (2h07min13), prevê o atual detentor do recorde da Grã-Bretanha, Steve Jones.

De acordo com a programação divulgada à imprensa, a SporTV vai transmitir a prova ao vivo a partir das 4h50 deste domingo. Na carona da TV, vou comentar a corrida  ao vivo, em minha página no Twitter, que você acessa clicando AQUI.

Só para que não haja dúvida, o endereço é http://twitter.com/rrlucena ou @rrlucena.

Espero você nesta madrugada.

 

Dois minutos de corrida e um balde de alegria

Por rlucena
08/04/14 10:55

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Prezado leitor, estimada leitora, desculpe aí despejar informações pessoais neste blog, mas desejo compartilhar uma alegria: hoje corri. E não doeu.

Estou sem correr de forma regular e planejada desde o dia 18 de dezembro de 2013. Lesões em série, uma mais grave e chatonilda que a outra, me deixaram fora do asfalto.

Mas não fora de combate.

Apesar da depressão e do regime de engorda, mantive algum grau de exercício, seja na piscina, seja no chão da academia.

Segui as orientações médicas, nem sequer caminhadas eu fiz ao longo de todo esse período. Tomei uma injeção dolorida, usei palmilha  e estou usando um negócio chamado suporte metatarsial, que é uma espécie de palmilha ¾ que fica presa no segundo dedo do pé.

08solcorridaDurante recente viagem aos EUA, fiz um teste, participando de uma espécie de corrida turística, em que o pessoal se movimenta aos soluços: vai correndo de uma atração turística a outra, fazendo ali paradas para discurso do guia. Naquele dia, já não tive dores maiores (foto ao lado).

Ontem, meu médico propôs começar a experiência de corrida de forma mais regular. Devagar… “Piano, piano se va lentano”. E lá meu fui eu para meus primeiros dois minutos de trote.

Cheguei a arrumar uniforme especial, com uma meia laranja florescente de deixar o povo cego… Na hora de ligar meu GPS de pulso, porém, a memória se embaçou. Fazia tanto tempo que não usava o bichinho que tinha me esquecido de como ligá-lo. Tive de rir de mim mesmo!

Olhando os botões com mais atenção, a memória veio. O aparelho funcionou bem, assim como eu, que festejei na rua o acordar cedo para corrida: fazia tempo, também, que não via o sol madrugar no horizonte da Pauliceia (foto no alto).

Então fui: oito blocos de três minutos caminhando e dois minutos trotando, para um total de 40 minutos de treino e 4.340 metros percorridos.

Não quer dizer que já possa começar a treinar ou a pensar em treinar, mas é um começo.

É pouco, mas é melhor que nada. Saí hoje para dois minutos de corrida e voltei com um balde de alegria.

No ABCD paulista, circuito popular tem corrida boa e barata

Por rlucena
07/04/14 09:45

Se você é leitor contumaz deste blog, sabe que já não estou correndo há bastante tempo, abatido por sequência de lesões, uma pior do que a outra. Mas isso não deixa o blog fora do asfalto: leitores atentos e “olheiros” amigos têm acompanhado algumas corridas e mandam seus relatos para mim. Infelizmente, não dá para publicar tudo, mas garanto que leio tudo com carinho e atenção e, no mpínimo, respondo diretamente ao autor. Hoje trago para você o relato de PAULO NOGUEIRA STARZYNSKI, que atua no mundo das estatísticas quando não está correndo. Apesar de ainda batsante jovem, tem se dedicado às ultramaratonas e longas caminhadas. De vez em quando, faz uma prova de 10 km, como a que conta a seguir.

07diadema“Nesse domingo participamos, eu e a minha namorada, da prova de abertura do Circuito de Corridas Populares do ABC em Diadema.
“Fiquei sabendo da existência do circuito aqui mesmo, no blog do Rodolfo, e decidi participar de todas as etapas atraído pela possibilidade de correr sete provas inéditas (ao menos para mim) de 10 km.
“O fato de se tratar de um circuito popular também chama a atenção e merece destaque; os corredores que optaram pela inscrição através do “pacote completo”, com direito às sete provas do calendário pagaram a bagatela de R$150,00; pouco mais de 20 reais por evento!
“E, ao menos na estreia, o famoso ditado que diz “o barato sai caro” não se aplicou.
A organização foi decente, agradou a mim, à minha namorada e provavelmente boa parte dos corredores hoje inscritos.
“Chegamos ao local da largada cedo, às 6h50, para retirarmos o kit sem complicações. A primeira boa impressão da prova veio durante a semana, quando soubemos que seria possível retirar o kit da corrida no próprio domingo; inicialmente estava prevista a entrega apenas na véspera do evento.
“Se por um lado a retirada torna-se mais prática, por outro não havia mais o tamanho P da camiseta, o que desagrada alguns corredores, ainda mais considerando que informamos o tamanho no momento da inscrição.
“A área de largada e disperção estava boa, com local para aquecimento, banheiros químicos (talvez poucos, formou uma boa fila), narrador e música para animar a galera.
“A largada foi dada pontualmente às 8h, na Av. Ulisses Guimarães, e a partir daí o bicho pegou!
“Eu não conhecia o trajeto e apenas tinha ouvido falar sobre algumas subidas… era tudo verdade, menos o “algumas”… por aproximadamente 4 dos 5 primeiros quilômetros corremos lomba acima, como escreveria o anfitrião desse blog.
“Não que a subida fosse extremamente íngreme, mas tornava-se um pouco mais a cada quilometro, ajudando a minar as energias. Terminando a Av. Ulisses Guimarães, no encontro com a Av. Alda, fizemos o retorno e começamos a voltar, agora sempre descendo.
“O ritmo melhorava com a descida e os postos de água bem distribuídos, misturando copos de bebida gelada com outros nem tanto. Em determinado momento, ao invés de retornarmos direto para o ponto de largada/chegada, uma curva à direta nos levou para a pior subida da prova, que embora mais curta não devia nada para uma boa subida da Biologia em termos de inclinação (veja detalhes do circuito clicando AQUI).
“Lá o ritmo despencou e o coração foi na boca. Depois de vencido esse desafio, a coisa ficou mais fácil; bastou admnistrar, descer o morro, guardar mais um pouco e fazer o sprint do quilômetro final.
“No geral, a prova foi ótima!
“Ponto positivo para o Circuito do ABC!
“Voltaremos dia 11/05 para a etapa em Rio Grande da Serra.”

Esconder riscos da corrida não ajuda a ninguém

Por rlucena
04/04/14 11:07

Cada vez que este blog ou outros sites especializados publicam notícias de mortes em corridas, aparece gente comentando que isso bobagem, que o sedentarismo mata mais, que o risco de não fazer nada é maior e outras coisas do gênero.

Alguns comentaristas chegam a ser grosseiros, como se tomassem as notícias como ofensa pessoal, tratando o blogueiro ou serviço noticioso como o inimigo número 1 de seu amado esporte.

Esse tipo de atitude não ajuda a ninguém, muito menos ao nobre e delicioso esporte da corrida a pé. Estar bem informado sobre a atividade que pratica ajuda o praticante a ter maior prazer e segurança no que faz.

No mês passado, tivemos mortes em várias meias maratonas pelo mundo. Tenho conhecimento de vítimasos nos EUA, no Reino Unido e no Brasil (duas ocorrências em um mês). Muito provavelmente, ocorreram outros casos que não chegaram à imprensa internacional ou nacional.

Isso deveria ser motivo para acender o sinal de alerta, não para ligar o avestruzômetro e esconder o cabeça em um buraco na terra, como supostamente faz aquele veloz corredor ao perceber o perigo.

Corrida faz bem à saúde, mas também faz mal.

Para cada estudo que mostra enormes benefícios propiciados pelo exercício, há outro que aponta o contrário.

“Jogging pode ser perigoso, dizem cientistas” é o título de uma reportagem publicada recentemente no jornal britânico “The Independent”. Pesquisadores de um instituto da Pensilvânia especializado em cardiologia concluíram, depois de acompanhar mais de 3.800 corredores, homens e mulheres com média de idade de 46 anos, que quem corre mais vive menos.

Corredores que praticavam de duas a três horas de corrida por semana apresentavam grandes melhoras de todos os indicadores de saúde. Os que mandavam ver acabavam tendo expectativa de sobrevida semelhante à de sedentários.

Em contrapartida, outro estudo, apresentado no mais recente congresso do Colégio Norte-americano de Cardiologia, mostrou resultado diverso.

É bem verdade que foi com número menor de pessoas. Envolveu corredores de várias idades que se preparam para a maratona de Boston e mostrou que o treinamento para a maratona (período de 18 semanas em que os corredores foram acompanhados) só trouxe benefícios para a saúde cardiovascular de todos os envolvidos. Os riscos acontecem durante a prova, especialmente na segunda parte da corrida (período em que é registrado o maior número de mortes). O sujeito força demais e capota…

Os mesmos resultados variados são vistos nas poucas pesquisas sobre o mundo das ultramaratonas. Um estudo recente provocou reação irada de alguns ultras porque mostrou que, depois de uma prova de superlonga distância, o correr chega a perder até 6% da massa do cérebro.

Isso é uma enormidade! No processo de enevelhecimento, o ser humano médio perde cerca de 0,2% da matéria cinzenta por ano. Pessoas com esclerose múltipla perdem 0,5% ao ano, e portador do mal de Alzheimer, cerca de 2% por ano.

Repetindo: a ultramaratona provoca o TRIPLO da perda de massa cinzenta causada pelo Alzheimer e 30 (TRINTA!!!!) vezes mais que o processo comum de envelhecimento.

Bom, era uma sumermegaultramaratona, cerca de 5.000 quilômetros percorridos em dois meses… Além disso, a perda foi revertida naturalmente pelo corpo: seis meses depois da prova, a quantidade de massa cinzenta dos corredores estava normal.

Mesmo assim, é algo assustador, você não acha?

Se você é ultramaratonista, preferiria não saber disso?
Bueno, azar, agora já contei.

Saiba também que, em contrapartidas, provas de longas distâncias provocam menos danos musculares dos que outras mais curtas. É o que diz estudo feito por fisiologistas da Universidade de Lausane, na Suíça.

Na minha opinião, não é de grande valia, pois comparou ultra com ultra: corredores que fizeram uma prova de 330 km tiverem menos danos do que participantes de provas da metade e até de ¼ da distância.

Bom, independentemente da acuidade dos estudos, o certo é que há pesquisas que dizem que a corrida é a melhor coisa do mundo e outros que aponta nosso esporte como o demônio em tênis.

A mim parece que o praticante regular de corrida busca no esporte mais do que saúde; a corrida envolve paz de espírito, estilo de vida e outros fatores psicossociais que vão muito além da contagem de colesterol ou da taxa de gordura.

O que não significa que agente deva sair se matando por aí.

O que os especialistas recomendam é que o exercício deve sempre ter progressão lenta e gradual. A intervalos, é preciso fazer períodos de descanso. Há que se alimentar bem, beber bastante água, aquela coisa toda.

Deve-se buscar acompanhamento médico e fazer testes que eles recomendem antes de começar a praticar corrida.

Daí, é mandar ver.

Vamo que vamo, com força e com vontade!

Brasileira ouve samba no Mundial de meia maratona

Por rlucena
30/03/14 22:05

cpmeiagerallCerca de 25 mil pessoas participaram do Mundial de meia maratona no último sábado, em Copenhague. É isso mesmo: a corrida é um esporte tão democrático que as massas podem participar do mesmo evento em que estão presentes alguns dos melhores corredores do mundo.

Essa é uma experiência recente, realizada pela primeira vez no Mundial de meia maratona que aconteceu no Rio em 2008.

Na corrida dos profissionais, a grande decepção foi o desempenho do pentacampeão mundial, Zersenay Tadese, da Eritreia, que buscava o hexa para deixar ainda mais claro seu domínio da distância. Deu com os burros n`água, para dizer de forma delicada: não conseguiu sequer uma vaguinha no pódio. Terminou em quarto lugar na corrida, que foi vencida pelo queniano Geoffrey Kipsang Kamworor em 59min08, o tempo mais rápido na distância neste ano.

Entre as mulheres, o Quênia também levou as honras: Gladys Cherono venceu em 1h07min29.

Como você, que acompanha este blog, sabe, o Brasil não mandou equipe para o Mundial. Oito corredores foram selecionados para os times, quatro para o masculino e quatro para a seleção feminina, mas cinco deles pediram dispensa. E a CBAt decidiu não mandar ninguém a Copenhague.

Este blog, porém, estava lá presente, por meio da leitora ANA ELISA DE MELO AUDUN, que mandou um relato bem bacana sobre a prova.

Ana é consultora, tem 34 anos, começou a correr há três anos, com muita cautela, porque tem um cisto no joelho. Vive em Copenhague com o marido, que é dinamarquês. Apesar das dificuldades com o joelho, a prova deste fim de semana foi sua quinta meia maratona. E ela que pretende estrear na maratona em maio próximo.

Participa de um grupo de corrida e mantém um blog bem bacana, que você pode conhecer aqui. Ela participou da corrida com uma camiseta em que escreveu: “#FORÇADEBS”, em homenagem a uma amiga corredora que está enfrentando uma batalha contra o câncer.

Sem mais delongas, agradeço a Ana pela participação e publico já o texto que ela mandou para este blog.

cpanacommedalhaNa semana da prova não se falava em outra coisa aqui em Copenhague, afinal a Dinamarca tem um dos mais altos índices de corredores amadores do mundo. Muita gente corre e muitos gostam de corrida. Havia muito incentivo da mídia para que as pessoas fossem às ruas para apoiar e incentivar os participantes do Mundial.

A prova foi superbem organizada, recebemos e-mails contando como ir, o que fazer, o que esperar da prova, o que estaria disponível e o que não estaria. O resultado foi que tudo fluiu muito bem, inclusive o tempo e a participação da população, foi às ruas e aplaudiu das janelas dos apartamentos.

A temperatura aqui na Dinamarca é superinstável e normalmente nesta época do ano está sempre muito frio. No dia da prova, estava fazendo zero grau quando acordamos. Que pavor! Mas o tempo foi melhorando e, quando saímos de casa para a largada os termômetros já marcavam 9º C.

O caminho estava todo sinalizado, superfácil de achar onde ficava banheiro, onde deixar a bagagem (quando você entregava a bolsa recebia um saco plástico para manter a temperatura do corpo enquanto se espera a largada), e o seu grupo de largada.

No e-mail onde estavam as informações sobre a prova, eles explicaram que poderia demorar até uma hora até que todo mundo estivesse correndo. Como eu estava no grupo 2h-2h15, pensei que nem iria ver a elite.

Quando a elite começou a correr, estava um sol lindo e uns 13 graus. Havia vários telões mostrando a prova, então podíamos acompanhar a corrida dos melhores do mundo enquanto esperávamos a hora de nossa largada.

Quando começamos a correr a energia estava grande, era muita gente correndo. A cidade estava tomada de gente por todos os lados, gente torcendo, as crianças estendendo as mãos para ganhar um hi5 dos corredores, o sol brilhando, e Copenhague fica especialmente linda quando o sol brilha.

As ruas escolhidas para a prova foram as mais largas da cidade. Não passamos por tantos pontos turísticos, como a estátua da pequena sereia, mas corremos em lugares lindos, incluindo alguns do lagos mais bonitos de Copenhague.

Mesmo conhecendo bem a cidade, eu curti muito a prova, cada momento, ficava olhando o detalhe dos prédios a alegria das pessoas, gritei com muitos, acenei e aplaudi muitas das bandas que estavam tocando.

Em um momento da prova, a rua estava toda ornamentada com as bandeiras de todos os países representados no Mundial, procurei a do Brasil no automático, quando não acho e me toco do detalhe que a elite do Brasil não estava lá, me senti privilegiada por ter oportunidade de participar de um evento desse porte.

Em alguns quilômetros eu começo a escutar um ritmo conhecido, samba! Consegui contato visual com o “maestro” e apontei para a bandeirinha do Brasil no meu número, no mesmo segundo ele veio mais para frente e chamou a banda para se aproximar mais de mim tocando, foi lindo me emocionei.

No último quilometro da prova, a rua estava coberta de bandeiras da Dinamarca (todas com mastro e tudo) e a rua estava linda, de lá já dava para ver a rua que iriamos virar e dar de cara com a chegada que foi no Castelo que é o parlamento.

Ao cruzar a linha de chegada era só seguir toda vida e ir pegando tudo banana, barrinha, água, medalha, blusa de finisher e cerveja. Claro: para comemorar um prova perfeita como esta foi só mesmo com uma cervejinha, melhor só se fosse champagne.”

cpmeiamedalha

Dois corredores morrem em meias maratonas no Brasil

Por rlucena
26/03/14 09:24

É com muita tristeza que escrevo esta mensagem, poucos dias depois de ter publicado artigo semelhante, sobre corredores morrendo em provas pelo mundo afora.

No último fim de semana, o drama aconteceu no Brasil.

Em Campinas, Hélio Kinoshita, de 52 anos, sofreu mal súbito na altura do km 19 da meia maratona e caiu ao chão. Segundo a organização, ele foi socorrido em dois minutos por uma unidade móvel, que fez os primeiros socorros. Foi levada ao Hospital Casa de Saúde. A causa da morte não foi divulgada.

A Noblu Sports, responsável pela organização, distribuiu nota em que diz que ”lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com a família do atleta Hélio Kinoshita, prestando total assistência e apoio neste momento”.

A outra morte foi em Porto Alegre, em uma meia maratona do circuito Golden Four, da Asics. Julio Matos, de 47 anos, sentiu-se mal depois de completar a prova e não resistiu.

A empresa emitiu nota em que afirma: “A ASICS lamenta profundamente a morte de Julio Matos, após o corredor completar a Golden Four realizada ontem na cidade de Porto Alegre. A empresa reitera que Julio teve pronto atendimento médico após sentir-se mal, sendo socorrido por uma das sete ambulâncias UTI que ficam à disposição durante o evento.

“A empresa esclarece que segue todos os procedimentos de segurança recomendados pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) para corridas e competições de rua. Em todas as etapas da Golden Four há sete ambulâncias, cada uma com um médico, um enfermeiro e um socorrista. Há ainda um posto médico fixo com uma equipe composta por um médico e quatro enfermeiros.

“A remoção do paciente até o hospital mais próximo levou oito minutos e o socorro foi prestado imediatamente.

“A empresa lamenta mais uma vez o ocorrido e presta todo o atendimento e solidariedade à família do corredor.”

Este blogueiro também se solidariza com a família e os amigos dos corredores mortos. E lembra que esse é um momento de reflexão sobre o crescente número de casos do gênero.

Um brasileiro nas trilhas de Caballo Blanco

Por rlucena
24/03/14 10:22

Hoje trago para você o relato da participação de corredor brasileiro em uma das mais emblemáticas ultramaratonas do mundo, a de Copper Canyon, no México. É a prova criada por Micah True, que ficou conhecido no mundo como Caballo Blanco, o sujeito que resgatou a história e as tradições da tribo mexicana dos tarahumara. A história dele foi a base do livro “Nascidos para Correr”, que ajudou a disparar a moda de correr descalço.

Caballo Blanco morreu há dois anos, vítima de problemas cardíacos, enquanto corria solitário por uma trilha no Novo México. Tinha 58 anos e sua memória foi homenageada por ultramaratonistas do mundo todo. A maior homenagem, porém, tenha sido manter viva a ultramaratona que criou e que serve também como forma de angariar fundos para os tarahumara (ou raramuri, como preferem ser chamados).

O brasileiro que trilhou no início deste mês os caminhos de Caballo Blanco foi o médico veterinário ANDRÉ LUÍS DUTRA, 29, que deu com as pernas a resposta à pergunta que Caballo costuma fazer a seus colegas corredores, sempre brincando: “Eres más loco?” Dutra participou da prova de 80 quilôemtros em terreno inóspito e montanhoso menos de dois meses depois de ter corrido a ultramaratona BR-135, 217 quilômetros na serra da Mantiqueira.

Mineiro de Belo Horizonte, Dutra começou a correr há quatro anos e já fez mais de dez ultramaratonas, inclusive a dos Anjos, de 235 km. Participou da prova com seu amigo Rodrigo Vilalba, de São Paulo. Os dois voaram para o México via Panamá, desembarcando em  Ciudad  Juarez, onde alugaram um jipe para enfrentar mais de 700 km até o local da corrida. Depois de alguns perrengues, erro de caminho e medo de traficantes, que dominam a região, enfim chegaram a Urique, sede da corrida.

A seguir, acompanhe o relato de ANDRÉ LUÍS DUTRA (na foto abaixo, com seu amigo Vilalba, de bigode – Arquivo Pessoal), a quem agradeço pela participação neste blog.

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“Assim que chegamos a Urique, avistamos mais dois brasileiros, que nos indicaram um bom restaurante, onde fomos comer, e logo em seguida pegar os kits, rápido e eficiente, muitos voluntários do mundo inteiro, um clima de cooperação, fraternidade, companheirismo, amor, paz, reina no ar. Os raramuri são fotografados a todo momento, são a principal atração para os corredores, a corrida é uma mera formalidade.  Muitos corredores trazem donativos. Os índios não pagam e, no dia seguinte a prova, trocam as pulseiras de cada ponto de controle por alimentos e sementes. A presença de índios é maciça.

“No acampamento, trocamos de roupa rapidamente e fomos nadar no rio Urique, tido como o rio Ganges dos ultras. Como foi bom. Saímos de lá, trocamos de roupa e voltamos para o centro da cidade, onde haveria um show de violeiros mexicanos e a abertura oficial do evento.

“Foi uma abertura completamente diferente de tudo que já tinha visto: em praça pública, aberta a todos, recheada de homenagens a Caballo, com danças típicas, apresentadas pelo grupo de uma universidade estadual.

“A organização logo me identificou como brasileiro e me deu um cartaz de cartolina com o nome do Brasil. Passou alguns minutos, começaram a levantar as bandeiras dos mais de 15 países que ali estavam representados. E eu me levantei orgulhosamente, de peito cheio, gritando em alto e bom som, BRASIL. Depois do México, fomos os mais aplaudidos. Terminada a cerimônia, achamos um espaguete ao molho sugo, jantamos e fomos dormir, eu na barraca e o Vilalba no carro.

“Noite tranquila, silenciosa, e assim um sono dos deuses. A largada foi às 6h, e a ideia que eu tinha era de que teríamos duas grandes subidas, uma do km 12 até o km 20, e outra do km 44 ao km 54. O restante mamão com açúcar. Minha estratégia: subir tranquilo, descer bem forte e trotar no plano, como na Comrades. Nossa meta era acabar com menos de 10 horas, tempo de corte do km 66.

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“Nada disso. As subidas são em caminho para apenas uma pessoa (single track, como dizem), muito difíceis. Sofri. E as descidas, íngremes, com aqueles cascalhos soltos,  pedras grandes, do tamanho de laranjas, como se fossem sabão em um piso molhado.

“Fui tranquilo ate o km 31, mas a musculatura rapidinho se lembrou da BR-135, e aí foi duro. Por sorte fiz alguns amigos, Dario Ilescas e Ignacio Gonzales, que foram comigo desde o km 31, me apoiando, esperando e incentivando, sem eles seria muito mais difícil.

“No km 43 encontrei Zé Elias, ainda sem notícias do Vilalba, que deveria estar mais à frente. Comecei a subir o famoso Los Alisos, uma trilha de 5 km que nos leva ao sítio de um grande amigo de Caballo, trilha dura, estreita, que corta as barrancas e vai subindo e descendo. Lá em cima, no km 47, encontro o Vilalba voltando, já no km 52, com uma cara de muito cansado, algo um pouco atípico.

“Segui fraquejando. Afinal, se meu amigo, aquele monstro, estava naquelas condições, imaginei logo o que viria. Àquela altura, corria contra o tempo, pois havia sérias chances de ser cortado no km 66, não haveria tempo hábil, precisava fazer 19 km em menos de três horas.

“Ao chegar a Los Alisos, havia uma linda homenagem a Caballo Blanco. E eu, morto, já me preparando para desistir, pois agora 16 km para serem feitos em duas horas, não daria conta, desistir era questão de poupar.

“Passados alguns minutos, chegou o Clayton Conservani, aquele repórter da Globo, que me informou que não haveria mais ponto de corte, aquilo me deu uma energia nova, nascia de novo, afinal, depois daquele 5km de trilha, me restariam 25 km, em sua maioria plano.

“Levantei e comecei novamente, animado, mas muito cansado, as pernas já não eram mais as mesmas, a cabeça parecia uma locadora de vídeos, a cada momento um filme diferente, isso quando não rodava uns dois ou três filmes ao mesmo tempo. Segui firme, caminhando, e algumas poucas vezes, um trote.

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“O km 66 era o mesmo ponto da largada. Passei 66 firme, não queria mais parar, naquele momento determinação era tudo. Via muitos desistindo, entrando em carros, e eu não iria participar daquilo, iria completar.

“Lá pelo km 68 vi uma outra brasileira, éramos 5 brasileiros na prova. Perguntei pelo Vilalba, e ela disse que ele viria logo atrás, mas nada de ver ele, fui seguindo preocupado pois ele estava bem a frente dela, e agora nada.

“Fiquei aliviado uma hora depois,  quando o vi caminhando apoiado numa muleta. Apesar de muito cansado, seguia bem, as pernas fracas, cansadas, mas era normal, tinha feito uma prova duríssima apenas alguns dias atrás.

“Perto do km 70 vejo um homem caído na estrada, era o Clayton, já sem forças até para conversar, havia vomitado muito e estava ali deitado à espera de ajuda. Depois de ficar ali deitado por algum tempo, continuei, com uma vontade ainda maior, alternando a caminhada com trotes mais rápidos e mais longos.

“Para minha surpresa, no último posto de controle, no km 73, a organização já estava toda no carro, partindo e recolhendo alguns corredores. Não acreditava naquilo, depois de tudo que passei, faltando apenas 7 km, seria recolhido. E todos me chamando para o carro, minha cara de cansado era evidente, mas depois de alguns instantes, disse que não, que não desistiria, e que se fosse preciso correria os 7 km restante, mas desistir estava fora de cogitação, e que mesmo que eles não me dessem a pulseira ou não anotassem meu numero, eu prosseguiria.

“Nesse momento a mulher me pediu o numero de peito, anotou e me colocou a pulseira. Tinha planos de repor agua, comer algo, mas nada, saí correndo, para a volta, não queria mais parar, era um sonho a alguns minutos de ser realizado, não poderia fraquejar.

“Segui firme e cheguei. Maria Walton, a lendária namorada do Caballo Branco, nos aguardava, e colocava um amuleto no pescoço de cada corredor, do 1º ao último. Esperou todos para ir embora e, apesar de eu ter sido o último a receber a pulseira, outros corredores seguiam na prova, a fim de terminar aquele sonho mágico.

“Lá também estavam meus amigos mexicanos Dario e Ignacio, Vilalba e tantos outros que durante o percurso tive o prazer de conhecer, apoio, japoneses, meninos, outros mexicanos. Ao final mal dava conta de andar. Mas tão feliz e realizado como há anos não acontecia. Fomos rebocados em uma viatura policial até o camping e tão exaustos que nem tomamos banho.

“Dormimos com o amuleto, naquele momento ele era parte de nós. Dormimos como uma criança que um dia sonhou em viver uma aventura com seu super-herói.”

 

OS.: Para saber mais sobre a corrida, confira o site oficial AQUI.

 

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