Rodolfo Lucena

+ corrida

Perfil Rodolfo Lucena é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha

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Brasileiros dominam tradicional prova de dez milhas do Exército norte-americano

Por Rodolfo Lucena
21/10/13 12:09

“Um, dois, três, os gringos são freguês!!” Não, não, não, ninguém gritou uma barbaridade dessas no domingo, em frente ao Pentágono, o icônico prédio em Washington, DC, que abriga o comando das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Mas bem que alguém mais entusiasmado e bem-humorado poderia fazer a provocação, só na brincadeira, sem intenção de ofender. É que atletas brasileiros fizeram barba, cabelo e bigode em uma das mais tradicionais corridas organizadas pelo Exército dos EUA.

A 29ª edição da Army Ten Miler (Dez Milhas do Exército) teve a participação de mais de 35 mil atletas. Civis também correm na prova que começa e termina em frente ao Pentágono, mas a verdadeira competição é entre os representantes dos pelotões militares de diversos países –além do anfitrião, estiveram representados Brasil, Canadá, Alemanha e Etiópia.

E não deu para ninguém. O ex-gari e hoje terceiro sargento do Exército Brasileiro Solonei Rocha da Silva completou a prova em 48min04, tendo o flanco protegido pelo também terceiro sargento e maratonista olímpico Paulo de Almeida Paula, que fechou dois segundos mais tarde (na foto abaixo, de Divulgação, a chegada de Solonei com Paulo um pouco mais atrás).

O terceiro lugar também foi verde-amarelo: o soldado do Exército Brasileiro e campeão da maratona do Pan do Rio-2007 Frank Caldeira terminou a prova em 48min08.

E não é que eles estivessem competindo contra militares gordinhos e pouco treinados. Para você ter uma ideia, a Etiópia mandou Tesfaye Girma, que tem 1h00min35 na meia maratona, e Tesfaye Sendeku, que tem 1h03min09 na mesma distância. No time dos EUA correu ninguém menos que o irmão do recordista Bernard Lagat, Robert Cheseret, que nasceu no Quênia, naturalizou-se americano e entrou para o Exército em 2009.

Essa foi a sétima participação e o quarto título da equipe brasileira na competição. A vitória neste ano estabelece novo recorde por equipe: 3h14min44 (somam-se os tempos dos quatro mais bem colocados corredores de cada time).

Distrito Federal tem circuito gratuito de corridas de rua

Por Rodolfo Lucena
18/10/13 09:24

O maratonista Carlyle Vilarinho, contumaz colaborador deste blog, me escreve para contar que o Distrito Federal, assim como a cidade de São paulo, terá um circuito gratuito de corridas de rua.

Serão seis corridas preparatórias para a corrida de Reis. A primeira acontece já neste final de semana. Além de provas no Plano Piloto (o centrão de Brasília, para quem não conhece), também haverá corridas nas cidades satélites.

De certa forma, guarda semelhança com o projeto paulista, que busca atender à população da periferia.

A corrida deste final de semana é é Taguatinga. As próximas são: 27/10 – Eixo Rodoviário Norte/Sul; 10/11 – Gama; 24/11 – Samambaia; 08/12 – Ceilândia; 15/12 – Autódromo; 18/01/2014 – Corrida de Reis Mirim.

Para inscrições e mais informações, clique AQUI.

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Na maratona de Munique, ressaca pré-corrida se cura com cerveja

Por Rodolfo Lucena
16/10/13 01:15

Hoje trago para você mais um relato de maratona corrida no exterior, desta vez na Alemanha, na simpaticíssima e divertidíssima Munique. Foi lá que aportou HENRIQUE CABRITA, médico ortopedista que já colaborou várias vezes com este blog. Apesar das alegrias da cidade, a prova não foi assim tão amistosa para ele. Mas é melhor não revelar a história antes da hora: fique a seguir com o relato de CABRITA, a quem agradeço pela colaboração.

No dia 13 de outubro de 2013 aconteceu a Maratona de Munique, na Alemanha.

Conhecida por ser um pólo cultural, industrial e de turismo, Munique é mundialmente famosa por suas cervejarias e comidas típicas, como joelho de porco, salsichões, pretzels e chucrute.

A Maratona ocorre no outono da Baviera (sul da Alemanha), uma semana depois do Oktoberfest, o que aumenta bastante a ansiedade… Como estará o clima? Dois dias antes da prova a temperatura às 10h (horário de início da prova) era de 0°C e nevava… Na tarde anterior choveu sem parar mas, felizmente, na manhã da Maratona, um belo sol recepcionou os corredores e a temperatura ficou entre 8º e 13°C, sensacional para correr.

A retirada do kit e a feira desportiva começam dois dias antes e vão até o dia da prova. A feira é muito bem organizada, com artigos já conhecidos e muitas novidades também. Roupas, tênis, relógios pra todos os gostos, do atleta mais tradicional ao mais extravagante, tudo com a conhecida qualidade dos produtos europeus.

Em consequência de uma lesão na panturrilha que tive duas semanas antes da maratona, comprei meias de compressão que são vendidas sob medida para essa região. Deram uma ótima sensação de segurança. Também fiquei interessado em um estande onde aplicavam a bandagem “Kinesio Tape” no local.

Qual não foi a minha surpresa quando o fisioterapeuta, sem me consultar, aproveitou-se da minha falta de visão e raspou a minha panturrilha com um barbeador elétrico! Fora o trauma e o ridículo de estar com uma perna raspada e a outra não, a bandagem funcionou bem. Corri os 42km meio torto, por causa da lesão, e fiquei moído em todos os outros lugares… mas isto fica para as histórias finais.

Estávamos com medo de perder o horário e, ao invés de irmos de metrô, que funciona muito bem por aqui e era de graça para os corredores, fomos de táxi, o que foi bastante bom, um estresse a menos…

O estresse a mais surgiu quando, na largada, a organização informou que os pertences pessoais teriam que ser deixados no estádio Olímpico, que ficava a DOIS quilômetros da largada! Bem, desistimos de deixar nossos sacos com as roupas de troca no local indicado e tivemos que nos conformar em entrega-las “à sorte”, atrás de uma árvore. E pra dar aquele estresse final em relação a tempo de corrida, soubemos que, na Alemanha, assim como na maioria das Maratonas em cidades da Europa, o tempo médio dos participantes é abaixo de quatro horas.

Na largada, mais uma vez a tradição da seriedade alemã apareceu –foi pontualmente às 10h para a elite, 10h10min para o pelotão que finalizaria entre 3h30min e 4h15min e às 10h20min para os demais. Esta organização foi muito boa, pois os oito mil corredores da Maratona não se aglomeraram, tiveram uma saída tranquila, assim como os cinco mil de revezamento que saíram com o grupo geral.

A meia Maratona e a corrida de 10km ocorreram apenas à tarde, sem a mistura descabida das maratonas brasileiras, onde os corredores destas corridas menores passam por nós numa velocidade absurda, dado o percurso menor que precisam percorrer.

O percurso é praticamente todo plano, como os de outras cidades da Alemanha, exceto por pequenos desníveis para passar sob os caminhos de trem ou rodovias. A maior parte é em asfalto e bastante segura. No centro da cidade, após o 30° km, há pequenos trechos de paralelepípedos e trilhos de bonde que requerem cuidados.

O percurso passa inicialmente por 10km do Jardim Inglês, local muito bucólico e agradável, você corre o tempo todo acompanhando um rio e no meio da floresta com asfalto plano e seguro.

Em seguida o trajeto ziguezagueia pela periferia da cidade até o 30°km quando vai em direção ao centro, passando pela imponente Porta da Vitória (construída por Ludwig I e que lembra o Arco do Carrossel, em Paris) e pelos majestosos prédios da Chancelaria da Baviera, do Teatro Nacional e da Catedral, na maravilhosa Marienplatz.

A participação popular não é o forte em termos de número, mas todas as pessoas ao largo do percurso eram muito incentivadoras, alegres e ofereciam comidas e bebidas. Oito bandas de samba, de alemães vestidos com camisas do Brasil e três bandas de Rock animaram a passagem dos corredores.

No 33°km minha esposa me esperava ao lado de uma banda de brasileiros. Para quem corre maratonas, nada melhor do que ter palavras de incentivo de pessoas queridas, especialmente nos sofridos 10km finais.

O abastecimento foi excelente! Água de quatro em quatro quilômetros, o isotônico tinha um sabor muito agradável (o qual você podia experimentar previamente na Feira da Maratona), muitos eletrólitos, energéticos, bananas à vontade e, não poderiam faltar, os Pretzels!

Como eu havia relatado no início, esta não foi uma maratona tranquila para mim. Tive que, o tempo todo, ficar atento e concentrado na minha pisada, em função da lesão na panturrilha (rompida duas vezes, depois de treinos de 31km e 21km). Fortuitamente, o percurso é realmente muito plano e favorável, mesmo para lesionados.

O melhor tempo foi de um alemão, 2hs18min54seg. Dos 23 brasileiros inscritos, apenas 16 terminaram e o nosso melhor tempo foi de 3 horas e 5 minutos. Meus dois outros companheiros brasileiros terminaram com 3h32min e 4h07min. Meu tempo? Dessa vez não pude pensar nele… Concluir a minha sexta Maratona, lesionado e com fôlego sobrando é que foi minha verdadeira vitória!

Os dois últimos quilômetros foram de chorar! E foi exatamente o que eu fiz ao chegar ao estádio Olímpico, palco da Olimpíada de 1972, 64.000 lugares, onde uma multidão de mais ou menos 10.000 pessoas aplaudia os atletas entusiasticamente.

Depois de receber emocionado a medalha que, ainda por cima, veio em forma de coração com uma fita azul e branca da Baviera, uma cerveja amiga, não alcoólica, parabeniza o atleta que a consome com voracidade!

Dica final: na estação central, todos os dias às 18h em frente ao Starbucks café sai uma excursão de graça para cinco cervejarias famosas, a “Beer contest”- desafio da cerveja-que realizamos dois dias antes da prova. Havia pessoas dos cinco continentes e ela dura seis horas! Fiquei a véspera da prova de ressaca… Mas terminei bebendo cerveja também!”

A ilusão das 3h20 na maratona de Chicago

Por Rodolfo Lucena
14/10/13 09:14

Conheci MAURO TEIXEIRA quando nem ele nem eu éramos corredores; o que mais conhecíamos, aliás, eram os corredores do prédio da Folha, na alameda Barão de Limeira. Lá ele foi repórter e redator, funções que também exerceu na “Gazeta Mercantil”. Hoje é diretor da agência Comunicacão Mais Assessoria e Consultoria. Além de empresário, virou corredor: aos 51 anos, já fez oito maratonas. A mais recente foi ontem, em Chicago. É a história daquela prova que ele conta para nós em relato exclusivo para este blog.

Vamos ao texto de MAURO.

 

“Tudo certo na terra de Lincoln, Obama, Oprah e, por que não?, de Al Capone. Chicago recebeu muito bem os milhares de atletas que vieram participar da 36ª edição da tradicional maratona da cidade. Tudo funcionou bem, desde a feira em que os atletas buscam seu kit para a corrida, passando pela organização da prova e, neste ano em especial, a segurança, que tirou o sono das autoridades norte-americanas desde os atentados na maratona de Boston, em abril passado, em que morreram três pessoas.

A feira foi realizada num centro de eventos próximo à largada da prova, com muito espaço e uma boa quantidade de estandes das principais marcas de artigos esportivos oferecendo lançamentos e produtos ligados à prova.

Alguns estandes fazem muito sucesso, como o de uma rede de loja de artigos esportivos que oferecia tênis de boas marcas por US$ 50. O que vi foi uma verdadeira “carnificina”, com os atletas disputando quase no tapa os produtos. Como fui buscar meu kit na sexta-feira, duvido que tenha sobrado produtos para o estande abrir no sábado.

A prova foi vencida pelo queniano Dennis Kimmeto, com o tempo de 2h03min45, seguido por outros dois quenianos. Mas, para os corredores que não são do Planeta Quênia e arredores, a maratona pode ser curtida desde seu início.

A temperatura, que esteve em níveis elevados nos dias anteriores (entre 15 e 23 graus Celsius), decidiu colaborar: o domingo amanheceu bem fresco, com a largada acontecendo a 10 ou 11 graus. Foi um alívio, já que a maratona de Chicago costuma aprontar no que diz respeito à temperatura –em 2007, a prova teve de ser interrompida por causa do inesperado calor.

O percurso é plano, com muita sombra durante quase todos os 42 km. Por isso, costuma atrair um número cada vez maior de corredores de todas as partes do mundo. Neste ano, o Brasil foi um dos países que mais enviaram atletas para Chicago –estavam inscritos 283–, perdendo apenas para o México e para Porto Rico. Enfim, um festa em várias línguas, uma verdadeira torre de babel.

Para este atleta amador, a experiência na maratona de Chicago poderia ser definida como a “Ilusão das 3h20″.

Explico: eu tinha a meta de correr a prova abaixo das 3h30min, por isso na largada saí junto com os atletas marcadores de ritmo que corriam para 3h25min. Iludido por estar me sentindo bem, leve, correndo solto, encostei na turma dos 3h20min e ali fiquei.

No km 25, comecei a descobrir o tamanho do meu erro. Vi a turma se distanciar, mas insisti para ao menos acompanhar a turma das 3h25min. Outra ilusão: as pernas pesavam, o corpo já não respondia e fui ficando para a turma das 3h30min.

Não iria deixá-los escapar, pensei. Bom, até tentei e cheguei junto com parte da turma, mas terminei a prova em 3h31min. Satisfeito, claro, mas com a sensação de que poderia ter feito um pouco melhor. Mas essa sensação é comum a 99% dos corredores em 99% das provas, não?”

Filme conta história da glória olímpica de mulheres brasileiras

Por Rodolfo Lucena
11/10/13 09:31

Preconceito, perseguições, falta de recursos, alegria, emoção, conquista, esperança, glória –eis alguns dos ingredientes do filme “Mulheres Olímpicas”, de Laís Bodanzky, que passa neste domingo, às 22h30, no canal ESPN Brasil.

Tive a oportunidade de assistir ao filme durante uma mostra de cinema dedicada ao esporte olímpico brasileiro. Trata-se de um documentário muito bacana, que traz depoimentos de algumas “heroínas” de minha geração assim como de atletas mais jovens, além de apresentar imagens de época.

O filme lembra quão recente é a história da participação de mulheres brasileiras em Olimpíadas. A primeira participação foi em 1932, em Los Angeles, e a primeira medalha veio mais de 60 anos depois, em Atlanta. Só na mais recente edição dos Jogos, em Londres-2012, que todos os países participantes tiveram representantes mulheres e pela primeira vez foi incluído o boxe feminino, fazendo com que pela primeira vez na história as mulheres participem de todos os esportes olímpicos.

Senti falta, porém, do depoimento da grande corredora Eleonora Mendonça, única brasileira a participar da primeira edição olímpica da maratona feminina, em Los Angeles, em 1984.

Isso porque a participação dela foi muito além da competição: esteve presente nas jornadas que acabaram por convencer o Comitê Olímpico de que as mulheres podia, sim, correr uma maratona. Além de atleta, foi ativista, militante e dirigente das lutas esportivas femininas. Na última vez em que falei com ela, ainda dava aulas nos EUA, onde morava –tem visitado o Rio com alguma frequência nos últimos anos.

De qualquer forma, o filme é muito bom e vale a pena esperar até mais tarde na noite dominical.

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Treinão na USP divulga campanha contra câncer de mama

Por Rodolfo Lucena
10/10/13 09:31
Mais de cem mulheres deverão participar, neste sábado, do treinão “Corra pela Vida”, que faz parte das atividades do Outubro Rosa, uma campanha de divulgação de ações preventivas contra o câncer de mama.
O treinão, que começa às 7h30, será numa distância de 6 km e terá a participação das mulheres que integram o projeto Vida Corrida, uma ONG que atua no Capão Redondo e promove a inclusão social por meio da corrida.
O treino é aberto, e a largada é no bolsão da Psicologia, na Cidade Universitária (USP-SP). A participação é gratuita, mas é preciso se inscrever e as inscrições são limitadas.
Para se cadastrar, o interessado deve enviar um e-mail para contato@itlady.com.br com nome, contato e número da camiseta. No dia da corrida, cada participante receberá uma camiseta em troca de um tênis doado (no material de divulgação que recebi não está claro, mas entendo que seja um tênis usado).
Após o treino, haverá um café da manhã na Rua Alvarenga 1.777, ao lado da USP, onde também será realizada uma palestra sobre violência contra a mulher.

São Silvestre é tema de longa que estará na Mostra de Cinema de São Paulo

Por Rodolfo Lucena
08/10/13 09:17

O corredor ou a cidade? São Paulo vista através da corrida mais antiga do Brasil é o mote do filme “São Silvestre”, que chega aos cinemas em dezembro, segundo material de divulgação que recebi.

Antes, porém, o longa será apresentado durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, de 18 a 31 deste mês.

A direção desse longa é de Lina Chamie, que fez no ano passado o filme oficial sobre o centenário do Santos.

Bom, ainda não vi o filme, portanto não posso falar nada a respeito.

O material de divulgação não me pareceu muito esclarecedor.

Compartilho com você o início do texto recebido:
“ `São Silvestre` é um filme sensorial que procura reproduzir na tela a sensação do corredor. A corrida de rua São Silvestre, com sua mística da passagem, o avançar no tempo, o Ano Novo que se aproxima e as próprias ruas da cidade de S.Paulo, formam o contexto desta viagem intimista e profunda do ser humano em busca de superação e de vida

Vou fazer o possível para ver esse documentário, pois é raro a gente ter a corrida nos cinemas. Depois conto mais a respeito.


Com lente frontal, câmera de ação da JVC é fácil de usar

Por Rodolfo Lucena
04/10/13 10:57

Se a primeira impressão é a que fica, digo que a câmera Adixxion me causou surpresa quando abri a embalagem. Diferente da mais conhecida câmera de ação do mercado, a GoPro, a máquina da JVC tem a lente “na frente”, digamos assim, e não do “lado”, como na rival mais famosa.

Acho que a imagem ao lado deixa claro, mas, de qualquer maneira, vou tentar explicar: pouco maior do que uma caixa de fósforos, ela tem a câmera na parte mais estreita, frontal. Em uma das laterais, apresenta uma pequena tela de cristal líquido.

Como em todos os aparelhos que testo, comecei a mexer na câmera sem olhar o manual ou o guia rápido do usuário; se necessário, pediria ajuda aos universitários. A boa notícia é que não foi preciso, pois a operação da Adixxion é superfácil, mesmo para um brocoió como eu.

Tem apenas seis botões (dois de cada lado e dois na parte superior), alguns com múltiplas funções. Na parte de cima estão o botão de liga/desliga e o disparador de fotos ou de gravação, que também funciona como botão de Ok na seleção de funções.

Do lado esquerdo da câmera (estando a lente voltada para a frente), estão os botões de acesso ao menu e o de voltar; do lado direito, acima da telinha, estão os botões de navegação pelos diversos menus (idioma, foto ou vídeo e outros), que também servem para manipular o zoom.

Pronto. É ligar e mandar ver.

Foi o que fiz. O grande problema, para quem se dedica a filmar suas corridas, é que a câmera ainda não tem (ou, pelo menos, não está disponível nestas plagas) dispositivo que permita carregá-la na cabeça. No material de divulgação que recebi, não havia informação sobre isso; solicitei à assessoria, que mandou a câmera para testes, mas também não veio, apesar de terem me dito que existia.

Com a câmera, como acessórios padrão, vieram adaptadores para uso em capacete de ciclista/skatista ou outros, em bicicleta e em óculos de esquiador. Bueno, nenhum deles servia para mim, mas nem por isso deixei de testar a câmera, pois pode ser útil para outros esportistas.

Meu primeiro critério de avaliação é a facilidade de uso, e a máquina da JVC passou nessa avaliação. Não foi preciso consultar os guias para iniciar a operação, gravar e transferir as imagens para meu computador.

O fato de a tela estar na lateral, porém, a deixa menos útil como monitor de filmagem, pois o usuário não consegue ver o que está aparecendo no visor (a não ser que curve a cabeça, movimento os braços de um jeito específico e se torça todo).

Claro que, em geral, quem usa uma câmera desse tipo não monitora a filmagem, pois ela fica instalada longe das vistas do usuário (no capacete ou no guidão da bicicleta, por exemplo). Mas eu estava filmando com ela nas mãos; para mim, seria útil ver as imagens em gravação.

A empresa informa que essa monitoria pode ser feita via celular, mas há que convir que isso complica as coisas ainda mais, mesmo que seja simples montar esse circuito.

Bom, fiz várias experiências de filmagem e fotografia, todas com bons resultados do ponto de vista técnico. As fotos ficam com aquele estilo “arredondado” das produções com lente grande angular; os filmes captam bem as cores, com boa definição, e o som também é muito bom.

Como exemplo, você pode ver este aqui, que produzi enquanto passava de carro pela reserva do Taim (clique AQUI). Girei a câmera para tudo quanto é lado, depois a mantive um pouco quieta; o som é um pouco angustiante: trata-se do ruído do vento gemendo pelo interior do Rio Grande do Sul.

Pesando 126 gramas, a câmera é, segundo a fabricante, “resistente à água, em até 5 metros de profundidade, e suporta quedas de até dois metros de altura”. Além do cabo USB, tem sistema de transmissão sem fio (Wi-Fi).

O preço sugerido para a Adixxion é de R$ 1.399.

Primeiras impressões sobre o tênis Mobium, da Puma

Por Rodolfo Lucena
02/10/13 13:13
Não sei se é a minha falta de percepção ou se as propagandas são meio exageradas. O certo é que poucas vezes percebi, nas últimas avaliações de tênis de corrida que fiz, as características anunciadas pelas fabricantes no material de divulgação para a imprensa ou em filmes publicitários.
Isso se repetiu no caso do Mobium Elite, o novo tênis de corrida da Puma, que promete contração e expansão do solado acompanhando os movimentos dos pés. Não percebi nada disso, mas ficou claro o bom amortecimento oferecido pelo calçado, tanto no calcanhar como na parte da frente.
Também não percebi os efeitos da “Mobium band”, uma tira elástica que atravessa toda a sola e, segundo a empresa, responde de acordo com a força aplicada na pisada. “Quanto mais força se aplica, mais elasticidade ela oferece.”
O que senti nos primeiros testes, isso sim, foi uma contração maior, um certo estresse até, na parte lateral/medial do pé –o lado oposto ao arco. Destaco isso porque é uma região que, em geral, não dá notícias durante a corrida. E, ao mesmo tempo, é um lugarzinho onde facilmente ocorrem lesões por estresse.
Isso me assustou nos primeiros quilômetros e fiquei prestando atenção no local, ao mesmo tempo em que tentava entender a razão daquele esforço especial. Uma hipótese: é resultante dessa tal tira elástica e da própria construção do tênis.
Segundo a empresa, ele tem uma base autoajustável, que proporciona “mudanças no comprimento, na altura e na proporção de acordo com o movimento natural do pé”. Não tenho como comprovar isso, mas o certo é que o tênis é construído numa espécie de arco, com o calcanhar e a parte da frente do chassis unidos, integrados, pela tal banda elástica.
Na parte superior, o tecido é muito fofinho e se ajusta muito bem ao pé. Para meu gosto, até um pouco demais, pois estou acostumado a tênis mais estruturados e pesados.
Noves fora, a combinação de chassis e cabedal produz um calçado muito flexível, mas também com bom amortecimento. Tanto é que não tive medo nenhum de usá-lo em um treino de mais de uma hora, logo no início dos testes.
O meu treino mais longo com o Mobium foi de 16 km –no lançamento do produto, a empresa divulgou que ele é mais indicado para uso em provas/treinos de até 21 km. No total, entre caminhadas e corridas, fiz cerca de 100 km nessa avaliação.
Depois daquele susto inicial, não tive praticamente mais nenhuma pendenga com o Mobium. Ele se comportou bem na areia dura da praia, em chão de concreto e de asfalto. Porém, em alguns percursos de chão batido irregular, com pedregulhos, senti um pouco de instabilidade.
Aliás, o Mobium também teve problemas de aderência na passagem em trechos de asfalto e concreto molhados –que, pela própria natureza, são mais escorregadios.
De qualquer forma, apesar de eu não ter percebido as funções mais destacadas no material de divulgação, o Mobium Elite no geral é um tênis leve, bastante confortável e com bom amortecimento.
O preço no Brasil é de R$ 399,90; na loja on-line da Puma nos EUA, o preços é US$ 110 (cerca de R$ 243).

Kipsang quebra o recorde mundial da maratona e diz querer mais

Por Rodolfo Lucena
30/09/13 14:11

Na entrevista coletiva oficial, antes da maratona de Berlim, o queniano Wilson Kipsang já era claro ao dizer que iria tentar buscar o recorde mundial na prova de ontem. E que estava confiante em conseguir seu objetivo.

A segurança de Kipsang vem sendo construída há tempos. Há dois anos, ele beliscou a marca mundial, que então eram de seu compatriota Patriock Makau, ao vencer a maratona de Frankfurt em 2h03min42, apenas quatro segundos mais lento que o recorde de então (2h03min38, estabelecido ali mesmo em Berlim).

Além disso, já correu sub2h05 quatro vezes na carreira. Aliás, na sua preparação para Berlim, teria feito treino na distância oficial cravando marca melhor que o recorde. Correr por duas horas a um ritmo de 2min55 por quilômetro não era alheio ao corpo e à mente do atleta.

Claro que tudo precisava ser perfeito. O clima estava bom, havia um ventinho (no final, Kipsang chegou a reclamar da brisa contrária), e os termômetros estavam na casa dos oito graus Celsius. Os coelhos estavam ensinados, conscientes do ritmo a correr e da marca que era buscada ontem.

Mas saíram voando: a passagem do primeiro bloco de 5 km sinalizava final em menos de duas horas e três minutos, coisa em que ninguém estava apostando. Era preciso reduzir.

Os poucos, a turma foi acertando o passo. Cinco quilômetros depois, a previsão era de final em 2h03min29. Deram uma pequena acelerada para a passagem do km 15 e cruzaram a marca da meia maratona em 1h01min32 (2h03min04 para o final, se o ritmo fosse mantido).

Daí as coisas degringolaram. Do km 20 ao km 25, foi a pior passagem de 5 km. A previsão ainda indicava recorde, mas ali-ali, com apenas quatro segundos de vantagem, que poderia facilmente se perder ao longo dos duríssimos 17 km que faltavam.

Nos últimos cinco quilômetros em que os líderes são puxados pelos marcadores de ritmo, o ritmo se descontrola totalmente, o recorde parece estar indo embora. A previsão é de 2h03min48.

No pelotão de liderança, os contendores são Wilson Kipsang e o jovem Geoffrey, que tem o mesmo sobrenome, mas não é parente. Corajosamente, Eliud Kipchoge, outro queniano, se alinha com o trio de ferro. Um puxando o outro, outro desafiando o um, os três conseguem recuperar um pouco, a passagem do km 35 é um pouco menos aterradora, mas ainda não traz de volta o recorde mundial.

Então Wilson Kipsang decola. Pega a prova com as mãos, os dentes, pernas e pés que se movem como metrônomo, mas um pouquinho mais forte a cada instante. Engole asfalto e devora segundos, deixando para trás quem quer que fosse.

No km 40, Kipsang passa exatamente no ritmo do recorde mundial de Makau. Precisa garantir forças para manter o ritmo, acelerar um pouquinho que seja. Palmas e gritos do público são incentivo que ele depois relembra, agradecido.

Voa nas avenidas germânicas. Vê o portal de Brandenburgo e acelera ainda mais. Vence e quebra o recorde em um final épico: 2h03min23.

Sorri, pega a bandeira de seu país (foto Reuters, no alto), que ainda hoje chora os mortos em recente atentado em um shopping na capital, Nairobi. Abraça Kipchoge, que cruzou a linha cerca de 40 segundos depois. Os dois riem, o campeão cumprimenta e cumprimentado. Seus olhos brilham e sua voz é firme quando dá a primeira entrevista como recordista mundial da maratona.

“Examinando minha carreira até agora e o meu progresso na maratona, acho que tenho potencial para correr mais rápido”, disse ele, mostrando que o novo recorde já está sob ameaça do próprio recordista. “Qualquer coisa abaixo de 2h03min23 serve”, brincou Kipsang.

A vitória lhe valeu mais de US$ 120 mil apenas em prêmios diretos concedidos pela prova. E ele entra para o panteão de recordistas como os que foram homenageados pela organização da maratona de Berlim, que ontem realizou sua edição de número 40.

Para comemorar a data, levou a Berlim atletas que bateram o recorde mundial na cidade alemã. Lá estavam a queniana Tegla Loroupe e a japonesa Naoko Takahashi, o multirrecordista Haile Gebrselassie e o elegantérrimo Paul Tergat. E também estava o brasileiro Ronaldo da Costa, que iniciou a moderna onda de quebra de recordes, ao derrubar em 1998 uma marca que durava dez anos.

O tempo de Ronaldo da Costa, por sinal, era perseguido por outro brasileiro, este na ativa: Marílson Gomes dos Santos correu ontem pela primeira vez na maratona de Berlim em busca de baixar sua melhor marca pessoal (2h06min34, Londres-2011).

Não conseguiu. Na verdade, passou longe. Apesar de uma bela colocação –ficou em sexto lugar, mostrando sua determinação e espírito de luta–, o tempo foi pífio em relação à marca almejada. Completou em 2h09min24, cerca de três minutos pior do que gostaria. Talvez a imagem abaixo, capturada pela fotógrafa brasileira Fernanda Paradizo, diga mais sobre o resultado dele do que qualquer avaliação que possamos fazer.

 

Já a alemã Irina Mikitenko conseguiu tudo o que pretendia e ainda mais um pouco. Aos 41 anos, a atleta não só chegou em terceiro lugar como quebrou o recorde dos veteranos 40+ por uma larga distância, cravando 2h24min54 –a marca anterior, da russa Ludmila Petrova, era 2h25min43, estabelecida em Nova York em 2008.

Foi muito legal ver chegar a sorridente Mikitenko, que trazia em sua vitória não apenas a conquista pessoal, mas a demonstração que pessoas mais velhas também podem correr competitivamente ao lado dos melhores do mundo.

“Eu tenho 41 anos, mas isso não significa nada”, disse ela. “Eu me sinto como se tivesse 20 anos de idade e 20 anos de experiência.”

A campeã, a queniana Florence Kiplagat, correu na frente o tempo todo, sendo perseguida pela compatriota Sharon Cherop, quem em alguns momentos pareceu ter chance de dar bote, mas acabou ficando na boa. Acabou chegando mais de um minuto depois da campeã, que completou em 2h21min13.

Evento desagradável do dia foi o feito de um sujeito interessado em promoção rápida e internacional de um site de encontros. Na chegada de Kipsang, o homem rompeu o cerco e cruzou a linha de braços erguidos, instantes antes do queniano. Foi logo dominado e entregue a polícia, mas o estrago já estava feito.

Não que o corredor tenha sido prejudicado (levou um susto, é claro). Mas a imagem que Berlim tenta passar, de prova segura e organizada com perfeição, foi no mínimo arranhada. Não faltou gente a dizer, nas redes sociais, com ironia: “Imagina isso na Copa…”.

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