Rodolfo Lucena

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Perfil Rodolfo Lucena é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha

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Mo Farah desafia Usain Bolt: quem é o favorito?

Por Rodolfo Lucena
28/08/13 11:23

O britânico Mo Farah, camepão mundial dos 5.000 m e dos 10.000 m, voltou a desafiar o jamaicano Usain Bolt, recordista mundial dos 100 m e dos 200 m para uma corrida beneficente.

A chamada para o duelo aconteceu antes do recente Mundial de atletismo, mas até agora não tem data marcada. O que deixa doidões os especialistas em fisiologia do esporte e analistas de performance, que ganham ainda mais tempo para elucubrações.

A ideia é que a prova seja numa distância maior do que a das provas de ultravelocidade e menor que a das corridas de fundo.

Não dá para ser uma média, porque daí todo mundo sabe que não tem nem graça: Bolt pode ser o mais rápido do mundo lá entre a turminha da meia pista, mas, quando a brincadeira passa a ser de volta sobre volta atrás de volta, os especialistas duvidam que ele aguente o tranco.

Por isso a distância de escolha é 600 m, não tão longa que transforme o Raio Jamaicano em um reles mortal e não tão curta que não permita a Farah usar sua velocidade e resistência.

Quem arrisca um palpite?

O pessoal do site The Science of Sport (um dos meus favoritos) lembra que, quando David Rudisha quebrou o recorde mundial dos 800 m, passou a marca dos 600 m em 1min14s3. Provavelmente essa seria a marca possível para Bolt e Farah, acreditam os fisiologistas do site.

Fica longe do recorde (não oficial, já que não há prova olímpica da distância) dos 600 m, que é de 1min12s81, do norte-americano John Gray. Mas os dois contendores dificilmente chegariam perto desse tempo.

O desafio para ambos é como usar o melhor de suas habilidades em distância não compatível (ou pouco compatível) com elas.

Para Bolta, a questão é tentar suportar a exaustão de competir em uma prova três vezes mais longa que a sua corrida normal. Também precisa calcular quanto ele precisaria reduzir seu ritmo para não se arrebentar antes de chegar ao final.

Para Farah, a questão é outra: por quanto tempo ele consegue manter sua velocidade máxima de forma a forçar Bolt a competir e entrar em exaustão antes dos metros finais?

Acredita-se que ambos podem ter desempenho máximo por volta dos 500 m, talvez dos 550 m. Os 50 metros restantes dariam, em tese, a vantagem para Farah. Se os dois tivessem cerca de um mês para treinar suas estratégias de corrida, porém, as apostas ficariam divididas, no entender do pessoal do site.

E você, qual sua aposta? Se quiser ver em detalhes a análise que eu comentei nesta mensagem, clique AQUI. Está em inglês.

Garmin e JVC lançam câmeras de ação

Por Rodolfo Lucena
26/08/13 15:23

Agora a brincadeira começa a ficar boa. Num território em que a GoPro dominava completamente, cresce o número de empresas em busca de um lugar ao sol.

Na última CES, feira de tecnologia realizada no início do ano em Las Vegas, havia diversas companhias apresentando suas opções para câmeras de corrida. A Panasonic, por exemplo, tinha um modelo que já vinha pronto para ser instalado na cabeça do vivente.

Pois agora a Garmin, tradicional fabricante de GPS, também resolveu entrar nessa parada. Acaba de anunciar que, no mês que vem, entrega às lojas norte-americanas sua concorrente da GoPro.

Pelas fotos, não consegui entender direito como a câmera fica instalada. Ela parece mais comprida do que a GoPro. E, como é da Garmin, claro que vem com GPS, que está no DNA da empresa. Também tem sistema receptor para monitorar os batimentos cardíacos (é necessário o uso de faixa peitoral que “ouve” o coração).

A empresa promete que o equipamento é à prova d`água e que filma até três horas direto. O material de divulgação que vi dá destaque para o uso por ciclistas, skatistas e surfistas. Não vi ninguém usando a câmera na cabeça –será que os corredores foram esquecidos?

E o pior é que esse parece ser o caso de outra câmera de ação, esta lançada pela JVC e já disponível no Brasil, segundo material divulgado pela empresa.

Tal como a da Garmin, a câmera da JVC grava em Full HD e “une, sem a necessidade de adquirir acessórios adicionais, características como resistência à água, impactos, poeira e a baixas temperaturas”.

De acordo com a empresa, “a ADIXXION é resistente à água, em até 5 metros de profundidade, e suporta quedas de até 2 metros de altura”.

Vou tentar testar esses novos brinquedinhos e mando notícias assim que for possível.

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Palestras gratuitas discutem estilo de corrida e nutrição esportiva

Por Rodolfo Lucena
23/08/13 11:32

A partir da semana que vem, o pessoal da Força Dinâmica vai realizar uma série de palestras gratuitas para profissionais da área esportiva, mas que podem ser úteis também para atletas amadores e interessados em geral.

Trata-se de uma clínica que combina ação de fisioterapauta e de especialistas em treinamento; de acordo com o site da empresa, “o trabalho de Força Dinâmica identifica, compreende e, se necessário, modifica as estratégias de aplicação de força durante o movimento, de forma a preservar e respeitar os limites das estruturas do sistema músculo-esquelético”.

Dito isso, vamos às palestras. A primeira é na quarta-feira, dia 28, às 20h, e é uma apresentação do trabalho da clínica: “Método Força Dinâmica – postura, força e movimento”. A palestra será ministrada pelos criadores do método, Marcelo Semiatzh e Alexandre Blass.

o ciclo de palestras continua no dia 18 de setembro, e a programação completa é esta: “Exercício físico em pacientes com câncer”, 18.9, 20h, com Emídio Marques de Matos Neto. Depois, “Nutrição e esporte”, no dia 26 de outubro, às 10h, com Rachel Francischi. E em novembro, no dia 20, à noite, “Força isocinética x força dinâmica em idosos”, com Marcus Pisciottano .

As palestras são na sede da clínica Força Dinâmica, na rua Prof. Rubião Meira, 79, Pinheiros, próximo ao metrô Sumaré.

Gratuitas, as inscrições podem ser feitas pelo e-mail forcadinamica@forcadinamica.com.br ou pelos telefones 3085-6145  e  99609- 0639.

 

Primeiras impressões sobre tênis de corrida da Skechers

Por Rodolfo Lucena
21/08/13 09:20

A Skechers, fabricante norte-americana de calçados esportivos, colocou no correio mais de meio milhão de cheques destinados a consumidores dos Estados Unidos que se sentiram enganados por propaganda divulgada pela empresa.

Talvez você se lembre da história, mas, se não, eu ajudo a refrescar sua memória. A Skechers é a fabricante daqueles tênis em formato de barco ou mata-borrão. Eram os Shape-ups, que prometiam tonificar coxas e bumbum sem que o vivente fizesse outro exercício físico senão caminhar com os tais calçados.

A empresa acabou processada pela Comissão Federal de Comércio dos EUA, acusada de propaganda enganosa. O processo acabou em pizza ou, para ser mais preciso, em acordo: a empresa concordou em reembolsar compradores que se consideraram lesados, pagando uma multa no total de US$ 40 milhões.

A FTC, que é a agência reguladora de comércio, chegou a publicar em seu site quadrinho para avisar compradores do acordo (ao lado).

Apesar do acordo, a companhia manteve sua posição de que não tinha feito nada de errado e de que o uso dos calçados realmente contribuía para o fortalecimento muscular. Enfim, a empresa não foi condenada mas também não foi absolvida. Em abril último, acabou o prazo para que os consumidores fizessem suas reivindicações de reembolso.

No mês passado, a empresa efetuou o pagamento. Mandou pelo correio nada menos que 509.175 cheques. Agora, segue a vida: a Skechers vem diversificando seus produtos, sempre apostando na linha de calçados esportivos.

Aqui no Brasil, acaba de ser inaugurada a primeira loja da marca, que está instalada em Brasília. E a Skechers vem trazendo uma ampla linha de calçados para corrida, oferecendo desde modelos com bom amortecimento até os chamados minimalistas, indicados para quem pretende fazer uma corrida que imite as condições dos pés descalços.

Como eu só conhecia os tênis da Skechers pela propaganda do passado (os tais Shape-ups, Tone-ups e assemelhados) e pelas reportagens lidas na imprensa norte-americana, resolvi testar de uma vez a linha completa. Corri por alguns dias com um modelo de amortecimento, um minimalista e um que a empresa apresenta como de transição entre um mundo e outro.

Claro que não foi um teste como em laboratório, mas sim uma experimentação nas ruas de São Paulo e em alguns parques, pegando piso de asfalto, concreto, chão batida e um pouco de grama.

A primeira surpresa que tive com os tênis Skechers foi sua inesperada leveza. Pesando 220 gramas, o mais grandalhão deles, o GOrun Ride (foto), de amortecimento, é mais de 100 gramas mais leve que o modelo que costumo usar nos meus treinos. O minimalista, então, nem move a balança: 170 gramas.

Outra boa impressão foi quanto ao ajuste. Ainda que diferentes entre si, os cabedais dos modelos testados são bastante flexíveis e se adaptam ao pé –em nenhum deles, mesmo no minimalista, mais estreito, senti desconforto nas laterais.

Essa flexibilidade tem uma contrapartida negativa: nos três modelos que testei, senti uma certa instabilidade do pé sobre a palmilha. A impressão é que, como o cabedal (a parte de tecido que cobre o pé) é tão molinho, o pé dança em cima da borracha. Mas percebi que isso é mais sensação do que fato, pois em nenhum momento me senti em risco de torcer o pé ou de que o pé escapasse da proteção do calçado. (Desculpe aí, caro leitor, acho que nunca antes na minha vida escrevi um parágrafo com tanto “pé”, mas é melhor manter a repetição do que fazer firulas estilísticas e correr o risco de que o conjunto fique menos claro.)

Quanto ao design em geral e as cores escolhidas, foram aprovados pelas especialistas em moda aqui de casa. Já eu não me entusiasmei muito, pois o cinza e suas variações é que dão a tônica nos modelos que chegaram para teste. Em compensação, nem de longe são grandalhões e desengonçados como eu imaginava que seriam.

Para completar esse balanço geral, os preços estão na faixa baixa dos tênis de marca: os modelos de amortecimento e de transição custam R$ 299.

Bom, vamos agora às impressões específicas sobre cada tênis testado.

O que eu mais usei foi o GOrun ride, modelo de amortecimento para pisada neutra. Rodei com ele mais de 50 km, entre treinos de corrida e caminhadas. Por causa do design da sola e toda a estrutura inferior, o tênis tira um pouco do impacto direto no calcanhar, na hora da pisada; a ideia é fazer com que o impacto inicial seja com o meio do pé.

Isso foi muito elogiado por um corredor amigo meu, que sofreu de fasciite plantar; depois do tratamento, passou a usar esse modelo e gostou muito. Já eu não fiquei muito satisfeito: apesar do bom amortecimento e da borracha bastante flexível, tive sempre a sensação de instabilidade. Nas caminhadas, em contrapartida, foi confortável.

A tal flexibilidade da borracha, que é muito boa para passeios no shopping, me deixou um pouco temeroso na hora da corrida. Fiz vários treinos na região do Morumbi, onde as calçadas são um desastre e há muito sobe-e-desce. Nas descidas, parecia que o calcanhar encostava no asfalto, o que me leva a crer que esse modelo talvez seja mais indicado para corredores mais leves (eu já passei o Cabo da Boa Esperança, no que se refere a peso…).

Por isso, fiquei muito surpreso quando experimentei o segundo modelo do grupo, o GOrun 2 (foto ao lado), dito de  transição entre os modelos de amortecimento e o minimalista. Pois foi esse, dos três analisados, o que mais gostei. O ajuste, já na primeira vez que calcei o tênis, foi melhor do que o dos outros, e não me pareceu baixo demais (lembre-se de que minha experiência é de uso cotidiano de tênis neutros bem estruturados, de grande amortecimento).

Também achei as cores escolhidas bem mais bacanas do que as dos demais. Apesar de os tênis minimalistas em geral terem uma aparência mais agressiva, com cores vibrantes, nos modelos que testei essa característica era do calçado de transição.

Antes de correr, usei o GOrun 2 por alguns dias no cotidiano: em casa, em passeios, alguma saída. O primeiro treino com ele, fiz em piso de chão batido, no Bosque do Morumbi, com altos e baixos. Depois, fui para o asfalto.

A sensação geral foi de conforto, mas não de confiança. Não é um tênis para fazer rodagens longas nem deve ser usado direto. Apesar de ser “de transição”, corredores acostumados com calçados mais estruturados e com mais amortecimento talvez se sintam mais confortáveis se fizeram um aumento gradual da quilometragem com esse modelo.

Não recomendo passar com ele em chão de pedriscos ou mesmo terra com grupos maiores. Alguém pode considerar que isso funcione como massagem para os pés; a  minha experiência, porém, foi quase dolorida. Enfim, não é para corredores como eu, mas cumpre o que promete: dá conforto e uma proteção um pouco maior do que as dos tênis minimalistas. Talvez seja muito bom para correr na praia.

O calçado da Skechers para corrida “quase descalça” que experimentei é o GObionic. Além de ser o mais leve dos três, como seria o esperado, é também o mais barato: custa R$ 199.

Com ele, fiz várias caminhadas, mas não me arrisquei a realizar treinos de corrida. Experimentei alguns tiros de 100 m e 200 m, em ritmo confortável, em chão batido e no concreto. Em todos, organizei a passada para “entrar” com a parte da frente do pé, como ditam os cânones da corrida descalça. Isso, apesar de também esse modelo ter a tecnologia Mid-foot strike, que favorece a pisada com a parte média do pé.

Claro que isso provoca estresse em áreas do corpo que, na passada convencional, são menos exigidas. Senti as panturrilhas “queimando” mesmo naquelas curtas experiências de corrida.

Em relação a outros modelos de tênis minimalistas que experimentei, o da Skechers apresenta um ajuste mais convencional, digamos assim, em oposição ao ajuste “de meia” ou de “de luva”. O tecido fica por sobre o pé, mas não o abraça. O solado, claro, é superflexível.

Não senti nem um pouco de confiança na suposta proteção que o calçado dá (sensação semelhante à que tive com outros modelos minimalistas). Afinal, como o objetivo é imitar a corrida descalça, o calçado é superfino. Dá para correr com ele, mas é preciso um tempo de adaptação maior do que o disponível para a experiência que fiz.

Resumo da ópera: parece que, efetivamente, chega ao mercado brasileiro um novo contendor na arena dos calçados de corrida. Com preços competitivos e design bacana, pode atrair a curiosidade do corredor. Os modelos que testei exigem um período de adaptação para que seu uso fique mais confortável e me parecem mais indicados para corredores mais leves.

ATUALIZAÇÃO

Dias depois de publicado este texto, um leitor informou que procurou o GOBionic na loja de Brasília, onde o produto estava sendo vendido por R$ 299, e não por R$ 199, como eu havia publicado, com base em informações fornecidas pela assessoria de imprensa da empresa.

Voltei a falar com eles, que reconheceram o erro da loja e mandaram o seguinte texto: “A Skechers pede desculpa pelo ocorrido. A mudança de valor do tênis GObionic é recente, por isso a loja em Brasília ainda não tinha alterado o preço. De todo jeito, garantimos que os interessados podem  ir à loja e adquirir o tênis Skechers modelo GObionic por R$ 199.  Informamos a todos os leitores que as demais unidades que comercializam Skechers no Brasil, seja lojas físicas ou online, também já foram notificadas pela empresa sobre a mudança no preço do tênis modelo GObionic e que nos próximos dias o valor correto de R$199 já deve estar em vigor “.

 

 

Maratonistas brasileiros dão show de tática no Mundial

Por Rodolfo Lucena
19/08/13 08:33

Solonei até que assustou alguns desavisados quando, nos primeiros estágios da maratoona do Mundial de atletismo, sábado em Moscou, assumiu a ponta e correu vários quilômetros entre os líderes.

A questão é que, naquele momento, o ritmo estava semelhante –e até mais fraco—do que o programado pela equipe brasileira. Logo, portanto, as coisas entraram em seus devidos lugares.

Confiantes de que o calor, ainda que não tão poderoso quanto o registrado no dia da maratona feminina, faria vítimas, os dois brasileiros mantiveram o programa de fazer uma prova conservadora.

Paulo Roberto de Almeida Paula e Solonei Rocha da Silva mostraram que estão fortes e resistentes, acompanhando de perto o primeiro pelotão. Estiveram entre os pouquíssimos não africanos que conseguiram se manter no mesmo segundo ou apenas dois segundos atrás dos puxadores da fila durante a maior parte do tempo.

Quando as coisas apertaram, depois do km 30, eles não afinaram nem perderam a cabeça. Ficaram firmes no seu ritmo, deixando o pau comer solto lá na frente.

Etíopes e quenianos travaram verdadeira guerra, mas foi o campeão olímpico Stephen Kiprotich quem colheu os frutos de uma prova mais conservadora. Guardou as forças para a hora que importava e, no momento certo, deu o bote.

Foi perseguido, desafiou o queniano a puxar também e a enfrentar o vento, mas o rival só queria sombra. Então, nas últimas centenas de metros, Kiprotich fez alguns desconcertantes zigue-zagues e se foi para nunca mais perder o título.

Encontro no estádio olímpico mandando beijos para a galera, saudando o povo e festejando em merecido júbilo.

Mais tarde, foi a vez de os brasileiros ganharem a pista, em magnífica posição (foto Eduardo Biscayart/CBAt). Entraram lado a lado em sexto e sétimo lugares e cruzaram a linha de mãos dadas. Para efeitos de classificação, Solonei cruzou primeiro; mas todos vimos que a festa foi dos dois no mesmo segundo, no mesmo centésimo de segundo. O tempo de 2h11min40, dos dois, foi a melhor marca de ambos nesta temporada.

Depois, bateram continência –ambos são terceiro sargento do Exército brasileiro—para a equipe de treinadores que acompanhava tudo da arquibancada.

O dia em que perdi para o não recordista mundial da maratona

Por Rodolfo Lucena
17/08/13 07:52

O cara não é recordista mundial, mas corre direitinho. E o melhor: está correndo aqui na terra: ontem o queniano Geoffrey Mutai participou de um treinão recreativo com um grupo de corredores amadores no Ibirapuera. Neste domingo, vai estar presente na meia maratona do Rio.

Como você sabe, o atual recorde mundial da maratona é de 2h03min38, e o dono da marca é Patrick Makau, que realizou a façanha em Berlim em setembro de 2011. Pois em abril daquele mesmo ano, Mutai venceu em Boston com nada menos que 2h03min02, quase um minuto mais rápido do que o recorde de então (2h03min59, de Haile Gebrselassie) e mais de meio minuto mais rápido que a marca que Makau viria a estabelecer.

Mesmo assim, não ganhou as honrarias porque o percurso de Boston é considerado “em descida”; além disso, o trajeto é num único sentido, e os corredores podem ser beneficiados por vento a favor, como aconteceu naquela data.

De qualquer forma, apesar de não ser o recordista mundial, Mutai é um bom corredor. Teve a melhor marca do mundo no ano passado e ainda venceu a milionária série World Marathon Majors 2011/2012, levando para casa um premiozinho de US$ 500 mil.

Pois essa foi a fera que encarei na manhã de ontem. Cheguei às 6h40 ao lugar marcado, sob a marquise. Ele estava todo encapotado, de calça legging, camiseta de manga, jaqueta quebra-vento e gorro de lã; eu vestia uma bermudona e uma camiseta de manga comprida.

Achei que podia levar vantagem, porque o frio que eu estava passando com certeza ia me fazer correr mais. E o frio só aumentava porque ficamos parados ali, conversando, aguardando a turma chegar. Aos poucos, o grupo foi aumentando. Teve a apresentação do cara para os corredores do grupo, palmas, algumas fotos, e enfim saímos, uns 30 corredores.

Não sei como, mas, quando vi, eu estava na cola do Mutai, um passo atrás dele. A linha de frente era formada pelo próprio mais uns três ou quatro corredores do grupo; logo atrás vinha o diretor técnico da equipe e alguns professores, seguindo-se então o séquito de corredores.

Deu até medo, mas pensei com meus cadarços: “Quem sabe não dá para encostar no fulano”? E tentei apertar o passo, acelerar mais um tantinho, abrir a passada para, pelo menos, aparecer na foto, como se diz.

Ledo e ivo engano. Quando o pensamento se fez energia, raio de luz no cérebro, tentando mandar sinais para os músculos se contraírem e soltarem mais rapidamente, nada aconteceu.

Nada, nadica de nada.

Provavelmente, correndo a menos de 5min30 por km, eu já estivesse no máximo possível para o momento, a idade, o peso e a altura deste ser, sem falar na barriga avantajada.

Também não quebrei nada nem distendi músculo nenhum. Apenas não consegui executar o solerte plano de correr lado a lado com o não recordista, mas mais rápido maratonista da história. Então me contentei porque ficar na segunda fila, diretamente no encalço do queniano, apenas um passo atrás e pronto para dar o bote assim que eu sentisse que minhas condições melhoravam.

O passo atrás foi se transformando em dois, quatro, dez, 50… Eu já não estava mais no segundo nem no terceiro bloco, mal e mal mantinha a rabeira do último pelotão. Consegui seguir ali por mais uns 300 metros, mas, quando deu um quilômetro, era eu sozinho e mais ninguém.

Em compensação, aquele foi meu melhor quilômetro em um bom tempo, e a passagem do segundo também foi ótima para meus padrões. Agora eu seguia solitário pelo Ibirapuera, disposto a, pelo menos, fazer meu treino do dia, mandando uns seis quilômetros para a conta.

A turma aprovou meu esforço. Quando completei a primeira volta de 3 km, todos abaixo de 6min/km (!!!, palmas!!!), fui aplaudido de verdade pelo agente do queniano, o holandês Gerard van de Veen, que no dia anterior me deu algumas dicas de como pronunciar a letra “g” no seu idomia pátri (já revelo aqui o segredo: é impossível, simplesmente não dá).

Parti para a segunda volta, sabendo que seria dolorida. Diminuí um pouco o ritmo, tentei voltar para o sub6, de vez em quando olhava para os lados procurando o queniano, mas nada.

A maior parte do grupo, por sinal, tinha parado logo ao final da primeira volta; outros, que se desgarram do primeiro pelotão, faziam mais alguns quilômetros pelas alamedas do Ibirapuera.

Eu segui meu caminho, correndo com vontade atrás do meu nariz… Eis senão quando ouço uma voz bricalhona: “Força, vamos!”, diz o queniano ao passar por mim de passagem e quase desaparecer em seguida, levando consigo apenas dois atletas que ainda conseguiam acompanhar o seu leve ritmo de treino.

Era o quilômetro cinco para mim, então ainda forcei mais um pouco e cheguei ao ponto de encontro pouco depois de completar seis quilômetros, totalmente suado, mas com o corpo gelado, sabe-se lá como…

Do queniano, nem sinal. Só uns 20 minutos depois ele aparece na curva, vindo com apenas um de seus escudeiros –o outro havia ficado para trás na curva anterior. Quando os dois ficam completamente à vista (para eles, imagino, é como se avistassem a linha de chegada), Mutai deu um sorrisinho para seu acompanhante e disparou para terminar sozinho, sob aplausos.

Ou seja, terminei o treino com uma vantagem de cerca de 20 minutos sobre o maratonista mais rápido da história. É bem verdade que ele fez 12 km, e eu fiz seis. Mas a pergunta que não quer calar é: quem chegou primeiro?

Brincadeiras à parte, conto agora um pouco sobre a história de Mutai, que entrevistei duas vezes nos últimos dias, sem falar na corrida que perdi para ele.

Geoffrey Mutai nasceu em 7 de outubro de 1981, em uma pequena cidade do interior do Quênia, filho de uma família de pouca renda e muita prole: tem cinco irmãs e cinco irmãos.

A história dele não é a repetição do velho: corria descalço para a escola, vira corredor etc…. Por causa da pobreza da família e do fato de o pai ter perdido o emprego quando Mutai ainda estava no primário, ele teve dificuldade até para frequentar a escola.

Morando na casa da avó, conseguiu completar o primeiro grau enquanto fazia trabalhos diversos: cuidava do gado, entregava leite, corria daqui para lá. Nas competições escolares, aprendeu a gostar de corrida.

Apesar das dificuldades vividas, em 2002 foi selecionado para representar o Quênia no Mundial de juniores. Não pode ir porque não tinha certidão de nascimento.

Fez sua primeira maratona em 2007, quando foi descoberto por um agente esportivo e começou sua carreira internacional.

Naquele mesmo ano, mas bem antes de correr a maratona, fez sua última e fracassada tentativa de bater uma bolinha numa ensolarada tarde de domingo. Como não tinha calçado adequado, resolveu jogar futebol descalço.

“Meus pés ficaram em carne viva, tinha bolha por tudo, sangrava…”, disse ele. “Eu era mais rápido do que os meus colegas, mas não consegui terminar a partida”, contou a um grupo de jornalistas brasileiros.

Comentou sua ascensão na carreira, dizendo que tudo é resultado de um treinamento muito duro. Ele treina de segunda a sábado, em uma cidade a 55 km de Eldoret, onde mora com sua família –mulher e duas filhas—em uma bela casa construída com a renda de suas conquistas nas maratonas.

Em geral treina cerca de 30 km, em duas etapas. Às terças e sábados, faz treinos de velocidade (fartlek, repetições etc.); às segundas, quartas e sexta, é rodagem; e a quinta é o grande dia: o longão. Cerca de 70 atletas se encontram e partem estrada afora para uma rodagem que é quase uma disputa para valer.

“Ninguém quer ficar para trás, ninguém quer deixar o outro ser mais rápido”, diz ele, contando que os treinos chegam a durar duas horas e 20min, duas horas e meia, em que eles fazem de 38 km a 45 km, dependendo do dia…

Lá, na sua casa ou mesmo no Brasil, ele pode ser chamado a qualquer momento para ser submetido a exame antidoping. Ele faz parte de um programa especial da Wada, a agência internacional antidoping, para monitoração de atletas de elite.

Amanhã, no Rio, ele sai para ganhar, como diz que faz em todas as competições em que participa. Afirma que “é possível” completar a prova em uma hora ou até menos, o que seria um novo recorde da competição. Adianta que, seja qual for o resultado, pretende voltar ao país: sonha em estar nos Jogos do Rio-2016. Ou antes, em alguma São Silvestre no meio do caminho.

E um dia, me disse depois do treino em que eu não o derrotei, vai ter barba igual à minha (foto abaixo). Vamos ver.

Preparação foi ótima, diz técnico do maratonista Paulo Roberto, que disputa o Mundial

Por Rodolfo Lucena
16/08/13 09:23

Se o clima estiver favorável, o maratonista brasileiro Paulo Roberto de Almeida Paula parte amanhã em busca de seu recorde pessoal no asfalto de Moscou, na maratona do Mundial de atletismo. Se continuar o calor, fará uma prova mais conservadora, buscando posição, tentando chegar no mesmo posto que conquistou na Olimpíada de Londres-2012 (oitavo lugar).

Esse, pelo menos, é o plano prévio informado pelo treinador Marco Antonio Oliveira, que há quase 20 anos orienta Paulo Roberto e seu irmão gêmeo, Luiz Fernando. Em entrevista exclusiva para este blog, o técnico diz que o objetivo só vai ser definido mesmo na hora da prova, na manhã deste sábado.

Leia a seguir a entrevista com Marco Antonio Oliveira, o Marcão, que está agora em Moscou acompanhando seu pupilo.

Como foi a preparação de Paulo Roberto?

Marco Antonio - Uma preparação que todos almejam, pois até agora nada deu errado. Tudo está funcionando como um relógio suíço. Nada de lesão, dores, problemas clínicos, problemas particulares ou semana ruim. Tudo que foi solicitado foi executado com uma  certa facilidade pelo maratonista. Tudo isso garante a conquista do objetivo?!  Não, pois maratona é maratona. Com certeza, porém, diminui bastante os riscos do famoso: “deu errado na maratona”.

 

Como foi dividido o treinamento e quanto tempo durou?

Marcos Antonio - A periodização foi desenvolvida em três etapas, dentro do clássico de treinamento para maratona, mas com um diferencial que não se consegue encontrar em nenhum livro, que é a ênfase no simples ‘arroz com feijão’.  O clássico Alta Altitude, Nível do Mar e Aclimatação desta vez exigiu  81 dias do calendário para visar Moscou. As cidades de Cochabamba (2.800 m acima do nível do mar) e  Lisboa (nível do mar) foram novamente as protagonistas geográficas e extremamente estratégicas para dar suporte à busca do objetivo. A única novidade dentro dessa periodização, quando comparada às periodizações anteriores, foi o aumento de 20% no questão volume global (semanal e mês). Porcentagem aparentemente inofensiva, mas que, se não déssemos uma devida atenção, poderia ter jogado para o ralo toda a preparação.

 

Qual o objetivo na prova, como o Paulo vai correr?

Marco Antonio - A estratégia que vai ser aplicado na maratona, apesar de já estarmos na véspera, ainda está sendo definida, de acordo com a estrutura de treinamento que utilizamos: adaptação do organismo às cargas de treinamento, nível psicológico que vai ser alcançado até momento antes da largada  e  pela cara que vai se apresentar o clima/tempo no dia da maratona. Sim, estou querendo dizer que o objetivo só vai ser definido no dia do evento, principalmente pelo fato de que a variável clima/tempo não é controlável.  Em outras palavras: numa periodização visando uma maratona, independentemente do nível do maratonista, elite ou entusiasta, não pode existir somente o plano A mas também o plano B.

Detalhando, diria que nosso Plano A está voltado para clima favorável e o Plano B para clima desfavorável. Isso significa que no Plano A será objetivado recorde pessoal, relevando ao segundo plano a classificação; já o Plano B a busca será a classificação no mesmo nível que foi obtido nos Jogos Olímpicos de Londres, ou seja, Top 8.

Considerações sobre a ausência de brasileiras no Mundial de maratona

Por Rodolfo Lucena
14/08/13 10:47

Agora a maratona feminina já passou, a Edna Kiplagat deu um show de estratégia, a italiana quase quarentona mostrou garra e coragem, a americana quarentona provou que ainda tem gás para derrubar muita meninota e… nenhuma brasileira apareceu na jogada. Nenhuminha.

É que nem sequer uma brasileira conseguiu obter o índice exigido pela CBAt para carimbar o passaporte para Moscou. A marca, como já aconteceu na formação da seleção olímpica, era mais forte do que o índice proposto pela IAAF.

A CBAt tem suas razões para essa exigência e, em geral, me parece que faz sentido ser exigente. O que não quer dizer que isso não abra espaço para polêmica. Nesta semana, o treinador de atletas de elite GILMÁRIO MENDES MADUREIRA colocou nas redes sociais um texto argumentando contra a política da CBAT.

Resolvi trazer o debate para este blog e pedi autorização ao Gilmário para publicar o texto dele.

Diretor técnico da Multsport Clube de Corredores, da Bahia, Gilmário é treinador nível IV da IAAF e técnico de atletas profissionais como  Valdir Oliveira, Elson Gracioli e José Nilson de Jesus, além da maratonista olímpica (Pequim-2008) Marily dos Santos, de quem também é marido.

Dito isso, vamos ao texto de Gilmário sem mais delongas. É claro que este espaço fica aberto para a CBAt ou treinadores que tiverem opinião contrária também apresentarem seus argumentos.

“Tem horas que fico pensando como nosso país é dos absurdos:

“Tanta verba colocada no esporte, tanto patrocínio nunca antes visto e, na hora de pensar nas ações mais inteligentes, restrigem a uma meia dúzia que sem consultar quem respira 24 horas o atletismo, decidem por conta própria.

“Assistimos pela TV à maratona do mundial de atletismo no sábado. Bastou um ‘calorzinho’ de 28 graus e as médias de tempo caíram absurdamente para os padrões internacionais que vemos na Maratonas Majors. Com 2h31, a japonesa foi quarta colocada geral.

“Muitos não sabem, mas o Brasil, ou melhor, o Conselho Técnico de atletismo, não deixou ir à Olímpiada de Londres (nível igual ao mundial) duas atletas com tempos de 2h31 (Marily dos Santos, foto Luiz Dora/Adorofoto/CBat) e 2h32 (Cruz Nonata ), ambas com índice A da Federação Internacional de Atletismo.

“O motivo é que o Conselho criou um ‘índice particular’, que alijou da Olímpiada atletas que, se estivessem representando a Itália, por exemplo, estariam nos Jogos Olímpicos. Este é o país que sediará a próxima Olímpiada e não entende o legado que seria para o surgimento de novas maratonistas a presença de mais corredoras (oficialmente com índice A) na prova em Londres.

“Poucos sabem o choro engolido por quem abriu mão do conforto do lar em temporadas na altitude, em provas geladas na Europa para ouvir um “não” mesmo tendo o mesmo índice de espanholas, italianas, portuguesas ou francesas.

“Quando Marily venceu a Maratona de Padova ano passado e chorava ao dizer que fez 2h31, os italianos julgavam ser de felicidade…

Quando expliquei que era de tristeza por não ir à Olímpiada mesmo tendo feito o índice A da IAAF, eles, que têm o medalhista olímpico Stefano Baldini, juravam não entender tal absurdo.

Cogitaram a possibilidade de eu estar mentindo sobre a não ida aos Jogos Olímpicos.

“A maratonista olímpica e campeã pan-americana, Adriana Aparecida da Silva (foto Wagner Carmo/CBAt) deixou de competir neste recente mundial de atletismo pelo mesmo motivo, só que apertaram mais ainda o ‘índice particular’ para 2h28′, como se o Brasil desse plenas condições prévias para que essas ou outras meninas conseguissem tal marca.

“A brasileira não foi, mas três argentinas, três chilenas e até venezuelanas correram nas ruas de Moscou representando seus países.

“Para dar ideia do tamanho do estrago com essa decisão, a mexicana Madai Perez, que perdeu da Adriana no Pan 2011, dentro de casa, foi a sétima colocada geral. Teoricamente, teríamos brasileiras entre as dez no geral de maneira inédita para o país. Olha que só fez o mesmo calor que elas enfrentam quase sempre competindo no Brasil.

“Será que assistiremos a tudo isso parados, toda essa verba investida e veremos uma largada da Maratona Olímpica no Rio em 2016, com o calor e umidade que é peculiar à capital carioca sem mulheres brasileiras, só por decisão de poucos que deixam de usar o bom senso? Até quando ?…”

 

Brasileiro vai à final nos 400 m em Moscou

Por Rodolfo Lucena
12/08/13 14:06

Aquele “quezinho” em caixa baixa, letra minúscula, assim: “q”, do lado do número 44.95, mostrando no site da IAAF os resultados da prova de 400 m, pode ser diminutivo, mas tem sabor de ouro para o brasileiro Anderson Freitas Henriques. Indicava que o gaúcho de Caçapava do Sul tinha obtido qualificação para disputar a primeira final de sua vida em um Mundial de atletismo.

Henriques disputou a primeira série das semifinais, agora há pouco em Moscou. Fez uma corrida heroica: entrou na reta final na quarta posição, e o terceiro colocado parecia começar a abrir distância. Mas o brasileiro forçou o que tinha e o que não tinha para emparelhar com o belga Kevin Borlée e acabar por deixá-lo para trás.

Cravou 45s95, o melhor tempo de sua carreira, derrubando a marca que estabelecera no dia anterior, quando venceu a sua prova de classificação. Era a demonstração de que a periodização feita tinha dado certo: chegou ao Mundial no melhor de sua forma.

Mas aquele tempo lhe valeu apenas a terceira colocação na sua série. Classificavam-se os dois primeiros de cada uma das três séries e os outros dois mais bem colocados. Henriques (foto Wagner Carmo/CBAt) precisava esperar.

Só no olhômetro, deu para perceber que o terceiro da segunda série não era ameaça. O gaúcho já estava com um pé na final. Só cairia fora se o terceiro e o quarto da última série fossem melhores do que ele.

E o pior é que a carreira derradeira embolou. Cinco atletas fizeram a última curva bem próximos um do outro; aos poucos, na reta final, os três primeiros se destacaram. Estava claro que o terceiro, tcheco Pavel Maslák, fora muito bem e entraria. O quarto também correu muito, mas ficou um pouco para trás nos metros derradeiros, talvez não tivesse corrida suficiente para derrubar Henriques.

Mas só quando saiu o resultado oficial o garoto de 21 anos pode comemorar sua conquista. A chegada à final do Mundial é o ponto alto de uma carreira que, apesar de curta, tem sido recheada de troféus.

Henriques foi campeão ibero-americano em Barquisimeto-2012 (VEN), com 45s59, marca que o colocou como número 2 do ranking sul-americano da temporada, segundo informa a CBAt.

No ano anterior, com 18 anos, já havia obtido o melhor tempo entre os atletas da área, com 45.71 (A), em Guadalajara (MEX), nos Jogos Pan-Americanos-2011.

Neste ano, venceu o Troféu Brasil/Caixa de Atletismo, principal competição do calendário nacional. Qualificou-se para o Mundial com 45s16, até então a melhor marca sul-americana nos 400 m neste ano.

Prata na Universíade-2013, Henriques disputa a final dos 400 m nesta terça-feira à tarde (de acordo com o site da IAAF, será às 14h50, horário de Brasília, mas é bom ficar ligado bem antes).

PS.: Você viu que eu controlei o bairrismo e não coloquei no título que o cara é gaúcho. Ele corre pela Sogipa e é o primeiro brasileiro a ir a uma final de corrida neste Mundial.

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Brasil está na final do salto com vara nesta segunda-feira

Por Rodolfo Lucena
11/08/13 16:18

O brasileiro Augusto Dutra disputa ao meio-dia desta segunda-feira a final do salto com vara no Mundial de atletismo, em Moscou. O jovem paulista de 23 anos conseguiu sua classificação no sábado, ao saltar 5,55 m.

A melhor marca dele é quase 30 cm mais alta e, se conseguir repeti-la, pode sonhar com uma boa classificação.

“Acredito que posso alcançar as minhas metas e bater o recorde de novo. Entrei para o salto com vara para cair mais do alto e ter mais adrenalina. Parece que o tempo para quando estou caindo”, disse Dutra, segundo registro no site da CBAt (foto Eduardo Biscayart/CBAt).

Fabiana Murer, uma das estrelas da delegação brasileira, também vai à final do salto com vara. A prova será disputada na terça-feira.

Murer conseguiu passar de etapa hoje, na sua última tentativa (foto Wagner Carmo/CBAt). Dava para cortar com faca no ar o sentimento de nervosismo que emanava dela, depois de ter fracassado em duas tentativas de salta 4,55 m, coisa que é mamão com açúcar para ela.

Foi capaz de controlar os nervos e fazer com que tudo desse certo no terceiro salto; já desceu comemorando e bateu no colchão com um largo sorriso nos lábios.

Na prova mais importante do dia, Usain Bolt venceu abaixo de chuva; e, nos 10.000 m feminino, a etíope Tirunesh Dibaba ficou bufando na nuca da japonesa Hitomi Niiya um monte de voltas, mas só atacou na última. Daí não deu chances para ninguém, apesar do esforço considerável feito pela queniana Gradys Cherono.

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