Rodolfo Lucena

+ corrida

Perfil Rodolfo Lucena é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha

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Maratona de Hong Kong alerta contra autorretrato na corrida

Por Rodolfo Lucena
18/09/13 07:46

Feliz da vida, a corredora parte para uma aventura de 10 km e não quer deixar de registrar aquele maravilhoso instante. Saca de seu celular, estende o braço na clássica pose de quem fotografa a si mesmo e… deixa escapar da mão o telefone.

Abaixa-se para resgatar a pequena maravilha da tecnologia moderna e… provoca uma confusão dos diabos. Quem vinha atrás tropeçou nela e quem vinha atrás de quem vinha atrás dela tropeçou no que vinha atrás e assim por diante, num engaventamento-monstro de corredores.

Você pode ter rido da confusão, mas a coisa foi grave e aconteceu de verdade na maratona de Hong Kong deste ano, que reuniu mais de 70 mil corredores, a maioria deles participando das provas menores incluídas no evento (meia maratona e 10 km…).

Por isso, os organizadores da prova, já pensando na edição do ano que vem, estão lançando uma campanha para advtertir os futuros participantes sobre os perigos do uso do celular.

“Não faça fotos de si mesmo”, pedem os organizadores educadamente. Eles chegaram mesmo a pensar em banir o uso do celular e proibir a produção das fotos “egocêntricas” (em inglês, foi criado um termo para esse tipo de imagem, é “selfy”, com plural “selfies”, neologismo produzido a partir da palavra “self”, que significa “eu mesmo”), mas viram que seria dar murro em ponta de faca. Por isso, lançam uma campanha educativa….

Afinal, em um evento em que devem participar 73 mil atletas, qualquer paradinha significa risco de engavetamentos humanos, choques, tombos e, potencialmente, indesejadas visitas ao hospital.

 

A primeira vez de Marcelo foi em Praga

Por Rodolfo Lucena
16/09/13 10:22

Hoje em dia, MARCELO VAZ CAMPOS é diplomata de carreira e trabalha na representação brasileira em Praga, onde vive há dois anos. Jornalista de formação, Marcelo, 32, foi colaborador do caderno Informática da Folha quando eu era o responsável pela edição. Na época, talvez nem pensasse em correr um dia. Pois acaba de fazer sua estreia em corridas de rua, lá na capital da República Tcheca. Leia a seguir o relato que ele mandou especialmente para este blog.

 

Há quatro meses decidi que, depois de quatro anos sedentário, iria encontrar alguma atividade para mexer meu corpo e recuperar o fôlego que, pensando bem, talvez eu nunca tenha tido, pois nunca nos meus 32 anos levei atividade física muito a sério. Para ser sincero, corrida nem era minha primeira opção. Minha preferência era natação, mas, um dia, assistindo a uma série da BBC chamada “Origins of Us”, me chamou a atenção a descoberta, já não muito recente na academia (a científica, digo), de que a habilidade de correr longas distâncias, um diferencial do Homo sapiens com relação aos outros primatas, foi fundamental para a evolução da espécie.

Quando soube disso, pensei: “Se o corpo humano foi desenvolvido para correr, e essa habilidade foi essencial para a sobrevivência dos nossos ancestrais, por que não?” Além disso, não dependo de ninguém para correr, o que para mim é, psicologicamente, uma enorme vantagem: posso adotar um ritmo de treinos meu e apenas meu, sem a pressão de eventuais companheiros nem a sensação de atrapalhar quem já corre mais. Comecei então uma série de treinamentos específicos e, incentivado pela minha instrutora da academia (a de ginástica), decidi que, na tarde do último dia de agosto, faria minha primeira corrida de 10 km aqui em Praga, República Tcheca, onde vivo, e outra uma semana depois.

Não foi fácil sair da inércia, mas aos poucos fui alcançando distâncias mais longas. Nos meus treinos mais recentes no parque perto de casa, consegui atingir a marca de 10 km em tempos até que bons (de 55 a 48 minutos) para quem, antes, não conseguia correr nem 500 m sem ficar ofegante, então não havia preocupação quanto à minha capacidade de concluir a prova. Mas, como diz a sabedoria popular, treino é treino, jogo é jogo. Vestindo camiseta com os dizeres “Correr fez o Homo sapiens”, celular no braço, aplicativo de GPS ligado e música no ouvido, larguei às 16h de 31 de agosto. Foi assim:

Até 1 km: Tanta gente. Ainda bem que consegui largar no pelotão de 45-50 minutos. Estou com energia e não queria ficar para trás, caçando espaços para passar as pessoas. Estava muito pessimista quando me inscrevi no pelotão de “mais de 70 minutos”. Também, convenhamos, eu não corria nada. A dor que eu estava sentindo no calcanhar passou, mas esse final de gripe pode me complicar. Bom, não faz diferença, agora é só correr. Até agora tudo bem, estou conseguindo meu espaço. Ei, aquele cara está correndo com um balão laranja indicando 45 minutos. Que útil. Enquanto eu tiver contato visual com ele, estou contente, significa que estou cumprido o meu objetivo de repetir minha melhor marca.

De 1 km a 2 km: Boa. Completei 1 km e a primeira música da minha seleção ainda não acabou. Significa que estou indo a menos de 5 minutos por quilômetro. Agora, o que é essa dor no meu abdômen? Isso não vai dar certo… Conheço essa dor desde quando era criança, das aulas de educação física. Fazia algumas semanas que não sentia isso. Justo hoje? Vai, Marcelo, respira fundo, 1, 2, 3, 4, expira, 1, 2, 3, 4… repete uma vez, e outra. Pronto, já me sinto melhor. Posso prestar atenção no cenário de novo. Mesmo aqui, um pouco fora do centro, Praga é muito bonita. Não, não é hora de turismo. Olha para a frente, concentra na passada.

De 2 km a 3 km: Subida. Não muito forte, nem mesmo muito longa, mas subida mesmo assim. A cada passo sinto mais as pernas. Sério que uma rampinha vai me prejudicar? É, vai. Cada vez mais pessoas estão me passando, e já não vejo o cara do balão laranja. No parque, meus treinos começam com descida e depois seguem só no terreno plano. Assim fica fácil, né? Vou ter que ver isso aí, porque parece que o trajeto da semana que vem tem mais subidas. Não vou me preocupar por enquanto, estou correndo. Pernas, aguentem!

De 3 a 4 km: Já conheço melhor esta área da cidade. Costumo andar por aqui, às vezes, e nunca tinha reparado nessa subidinha chata. E tenho sede. Que calor, como faz falta uma brisa e a sombra das árvores! Minha passada já não está tão longa quanto no começo. Está parecendo os meus primeiros treinos, há uns três meses, quando o pior trecho era sempre perto do terceiro quilômetro. Tanta gente correndo bem, eu preciso ser capaz também.

De 4 km a 5 km: Já estou perto do centro da cidade, perto do meu trabalho também. Mais pessoas nas ruas batem palmas e fotografam os corredores. Que legal. Tantas vezes estive do lado de fora, vendo a ação. Estou contente que hoje estou aqui na rua. Aqui estão oferecendo água. Vou pegar um copo. O primeiro gole sai todo errado, derrubo água e não bebo nada. Vejo uma pessoa jogar água na cabeça. Penso em fazer o mesmo, mas ainda tenho sede. Reduzo a velocidade, até andar, para conseguir beber a água. Não acho que seja uma boa ideia. Em todas as vezes que parei no meio do treino, a retomada do ritmo foi difícil. Mas a sede é maior que minha ambição.

De 5 a 6 km: Acabo de completar a metade do trajeto e sinto meu corpo pedindo arrego de todos os lados. A respiração parece insuficiente e os músculos doem. Estou num ritmo aceitável, mas até quando? Não posso parar. Passo todos os dias nesta rua, vai que algum conhecido me vê andando! Chego agora à belíssima praça da Cidade Velha, o dia está ensolarado e eu estou fazendo algo inédito. O cenário é realmente muito bonito. Olho para o alto e vejo as fachadas dos prédios, admiro o que vejo, acho que é o melhor que posso fazer. Na minha frente já aparece um corredor com o balão indicando 50 minutos. É, não terei como atingir meu melhor tempo, não.

De 6 km a 7 km: Logo vou completar o sétimo quilômetro. Quando fiz 10 km pela primeira vez, três semanas atrás, eu tinha previsto correr 7 km. Ao atingir o objetivo, me senti bem o suficiente para seguir o treino, devagar e sempre. Aquele dia foi muito bom, voltei para casa contente, postei o resultado no Facebook e marquei todos os meus amigos corredores. Depois daquele dia, como se tivesse vencido uma barreira psicológica, só não treinei 10 km quando havia alguma razão especial para isso, então hoje não há de ser diferente. Pronto, cheguei ao rio. Agora é acompanhar a margem até a chegada. Está fácil.

De 7 km a 8 km: Não, não está fácil. Estou cansado demais. Eu deveria ter dormido melhor durante a semana, eu deveria ter me hidratado mais, eu deveria ter treinado tão sistematicamente quanto nas semanas anteriores (mas para isso eu não deveria ter pegado gripe), eu não deveria ter parado para tomar aquele copo de água no meio da corrida. O quilômetro todo é uma disputa entre meu desejo de não parar e o limite que, mais cedo do que eu previa e gostaria, pareço atingir.

De 8 km a 9 km: Por que estou tão cansado? Quem sabe agora, caminhando, eu me recupere um pouco. Devo estar perdendo pelo menos dois minutos. Vejo várias garrafas de água jogadas no chão. De onde elas vieram? Não sei, mas agora não vou voltar para procurar. Quer saber? Vou pegar esta aqui, que parece cheia. Providencial. Molho minha cabeça, limpo o suor do rosto, tomo uns bons goles. No público, alguém estende o braço e me oferece um cumprimento. “Força”, parece dizer. Cumprimento de volta e sigo. É hora de voltar a correr.

De 9 km a 10 km: Quero acelerar para compensar a perda de tempo, mas está difícil, melhor voltar à passada normal. Quantos metros fiz em ritmo acelerado? Uns 300, 400? Nossa, quem esticou este quilômetro? A chegada parece tão longe! Concentra, falta pouco. Mais alguns passos e… cheguei.

Logo que ultrapasso a linha de chegada, recebo um SMS da organização: 56min59s. Achava que faria bem melhor. No celular, o aplicativo diz que meu trajeto foi de 11,5 km. Como assim? Sei com certeza que hoje foi 10 km. Talvez, então, o aplicativo erre, e meus treinos tenham sido de 9 km ou menos. Se for isso mesmo, então esta foi não só minha primeira vez em uma corrida, mas também minha primeira vez chegando realmente a 10 km. Considerando também o cansaço da gripe e a falta de treinos na semana, tenho de me orgulhar. Até porque, há quatro meses não tinha feito nem sequer um treino, e meu objetivo quando me inscrevi nesta corrida era apenas terminar. Hoje, contrariando minha própria expectativa, sinto prazer em correr e já conto as horas para a próxima prova.”

 

 

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Na praia deserta, corredor encontra urubus famintos

Por Rodolfo Lucena
13/09/13 14:50

Pois dia desses tive a oportunidade de correr na bela praia de Jurerê, no litoral norte da não menos bela ilha de Santa Catarina, onde fica a festejada Floripa, Flóps, Florianópolis, a Ilha da Magia.

Pois Jurerê, para quem não conhece, não é uma: são duas. A Jurerê propriamente dita e a Jurerê Internacional. A praia é uma só, mas são duas estruturas urbanas diferentes.

A chamada Internacional é uma superincorporação onde ficam casas de ricos, ricaços e muito ricos; eventualmente abriga tabém traficantes de drogas e contrabandistas (em junho foi feita uma grande apreensão em uma mansão local).

Nos últimos dias, a praia esteve vazia. Estava frio, o sol ficava escondido entre as nuvens, a névoa tomava conta do horizonte. Mesmo assim, eu acreditava: saía a correr em busca do sol, sabendo que não seria forte o suficiente para me abater, mas razoável, bom para aquecer os ossos.

Às vezes, dava sorte: com uma ou duas horas de treino, o sol conseguia romper fracamente eentre as nuvens e dava bom dia aos transeuntes.

Às vezes, o nublado dominava. Na praia vazia do ricos, ricaços e muito ricos, quem passeava eram os urubus. Fiquei pensando se não seria uma metáfora… Ou paráfrase, anacoluto, sei lá.

Bueno, como estou em fase de corrida com fotografia, resolvi capturar uma imagem dos bichos. Que estavam em cena, para mim, inusitada: banqueteavam-se dos restos mortais de uma tartaruga marinha. Se você for biólogo ou conhecedor do assunto, por favor, colabore identificando a espécie. Para mim, é uma tartarugona.

Parei, fotografei e fui embora.

Na Jurerê dos ricos, ricaços e muito ricos, ficaram os urubus e o cadáver da tartaruga..

Corrida nos Alpes: para começar, 35 km em 12 horas!!!

Por Rodolfo Lucena
11/09/13 12:47

O treinador de corrida SIDNEY TOGUMI completou 40 anos neste ano e está a todo o vapor no mundo das ultras, ao mesmo tempo em que atua em uma assessoria esportiva em São Paulo. Nos intervalos do trabalho, bai ali e acolá para correr qualquer coisinha assim de uns cem ou duzentos quilômetros. A mais recente foi pouca coisa maior: 300 km nos Alpes, passando por trechos nas Itália, na França e na Suíça. Sem mais delongas, apresento a seguir o relato da prova que SIDNEY mandou especialmente para este blog, o que agradeço.

 

Era início de dezembro de 2012 e eu sabia que as inscrições para as provas do Ultra Trail Du Mont Blanc logo estariam abertas. Comvidei meu amigo Eduardo Sarhan para me acompanhar. Na rápida conversa, expliquei que se tratava da etapa mais longa da competição, com 300 quilômetros de distância, 24 mil metros de desnível positivo acumulado e tempo limite de 138 horas.

Claro que deixei de lado alguns pontos, como o fato de poucas equipes completarem 100% do percurso, as dificuldades técnicas ou ainda o clima instável, que anualmente obrigava a organização a reduzir ou modificar o percurso. Afinal, pesavam particularidades como a largada em Chamonix, na França, o trajeto passando por Morgex, na Itália, e Champex, na Suíça, até o retorno a Chamonix. No Google Earth, tratava-se de um fantástico círculo pelo maciço do Mont Blanc.

Desembarcamos no final de agosto último em Chamonix, após meses de treinamentos e tendo no currículo a minha participação, no ano anterior, na categoria UTMB, de 160 km e 9.000m de desnível. A emoção me dominava. Os participantes do PTL praticamente desfilam ao entrar no “curral” de largada, ovacionados pelos milhares de expectadores presentes. Individualmente, tivemos a honra de uma torcida particular, incluindo a brasileira mais bem classificada no UTMB 2013, Manuela Vilaseca, 8º lugar geral feminino, e do meu amigo-irmão de ultras, o venezuelano Ylich Iausquin.

Contagem regressiva e Gooooooooo!!!!!!

O Sarhan saiu como um louco à frente de todos e eu tentava acompanha-lo, mas já sabendo que estava bem acima do meu ritmo. O percurso não é demarcado pela organização, e as equipes devem navegar por GPS, carta topográfica, bússola e road book. O Sarhan seguiu a indicação errada de alguns locais. Perdemos um pouco de tempo, mas logo voltamos à rota.

A diferença física da dupla acabou por interferir no nosso progresso. Discutimos muito sobre o ritmo nas primeiras horas de prova, pois eu não conseguia acompanhá-lo. Situação normal para duas pessoas que nunca haviam competido juntos. Treino é treino, jogo é jogo.

Ritmo ajustado, seguimos por onde o GPS nos mandava. Passadas 12 horas da largada, enfim tivemos a noção real da prova. Chegamos a um posto de controle, perguntei sobre a distância que havíamos percorrido e a resposta foi um baque: 35 quilômetros!

Ainda pensando na média de 2,9 km/h, nos reabastecemos de comida e água e seguimos nosso rumo. Durante a noite. fazíamos períodos de 30 minutos de sono, na tentativa de tentar recuperar um pouco as energias física e psicológica. Passávamos por lugares maravilhosos, porém técnicos e de difícil acesso, nada semelhante à geografia brasileira.

Infelizmente, entre o segundo e o terceiro dia, o Sarhan decidiu deixar a prova. Ele não se sentia bem e acabou por tomar essa difícil decisão. Pelo regulamento, eu poderia continuar desde que outra equipe ou competidor me aceitasse como novo integrante e, por sorte, logo fui recebido por uma dupla de franceses. Triste, me despedi do Sarhan e segui em frente, sempre com o pensamento na chegada.

Além do físico, o desafio psicológico aumentava, pois eu precisava me adaptar à nova equipe, de Stephane e Loic. Agora como trio, juntos com outra equipe francesa e uma sueca, cruzamos a fronteira entre França e Itália rumo, à cidade de Morgex. Foi lá que tomei o meu primeiro e revigorante banho, desde a largada três dias antes.

Dormimos por 40 minutos e seguimos em frente, por um curto trecho como um quarteto, pois o também francês Sebastien tinha passado a integrar a equipe. Uma hora depois, Stephan e Luli também desistiram da prova. Nos despedimos, nos desejaram sorte e seguimos na prova, agora uma dupla de um brasileiro que não fala francês e um francês que não fala inglês e, claro, nem o português.

Sebastien e eu tentávamos nos comunicar por gestos. A situação era no mínimo divertida. Como competidores, eu subia melhor, mas ele me deixava para trás nas descidas.

Em certo momento, cheguei a duvidar se conseguiria terminar a prova, pois meus joelhos passaram a doer muito. Em outro, precisei literalmente dar comandos para que Sebastien tentasse manter a racionalidade.

Em meio a um caminho extremamente técnico, íngreme e cheio de pedras, o francês começou a delirar. Alucinado, ele não conseguia mais controlar o sono. Fiquei superpreocupado, pois me parecia que ele estava com um esgotamento mental muito severo e imaginava que ele poderia ‘apagar’ de vez, em meio de um paredão de pedras.

Comecei a falar alto com ele, dando ordens num inglês simples e cheio de mímicas para que ele me ajudasse a encontrar marcas nas pedras que sinalizavam o caminho. Tentava motivá-lo e, consequentemente, mantê-lo acordado. Por quatro vezes tive que dar gel na boca dele, para que se alimentasse e mantivesse um nível de energia satisfatório. Após duas longas horas, finalmente, conseguimos atravessar a montanha. Comemoramos com um forte abraço, como se tivéssemos terminado a prova.

Aquela era a última travessia mais técnica e, partir dali, o aclive e declive facilitavam o descolamento. Já no vale de Chamonix, faltavam 17km, quando olhei o relógio. Teríamos apenas 2h05 para cruzar a linha de chegada dentro do horário limite. Naquele momento, não importava mais que já haviam se passado mais de 270 km, que os joelhos doíam como se quisessem saltar das pernas ou que os delírios por um momento testaram nossas racionalidades. Queríamos o colete de finisher!

Ainda faltavam 10 km e 1h10 para o tempo limite, quando começamos a correr. Corremos como loucos. Deixamos de lado sono, fome, dores, enfim, tudo o que nos incomodava, com o único objetivo de cruzar a linha de chegada e receber o colete de finisher do PTL 2013. Entramos na cidade, o ritmo era de quase 12km/h, bem acima da nossa média total da prova de 2,16 km/h. Já em Chamonix, passamos algumas equipes, cruzando a linha de chegada com 136h04min.

Desastre? Derrota depois de tanto sofrimento e aventura?

Para nossa sorte e surpresa, a organização havia estendido o tempo limite em 30min.

Recebi o colete de finisher aos prantos. Um choro de alegria, satisfação, orgulho, alívio, um misto de sentimentos indescritíveis. Sebastien e eu nos abraçamos e nos agradecemos por tudo que passamos.

Cada minuto da prova e cada emoção passaram como um flash na minha cabeça quando todos os atletas que terminaram o PLT 2013 foram convidados para subir ao palco e tocar o sino que simboliza a competição. Eu era o único brasileiro daquele grupo e sabia que era apenas o terceiro brasileiro a completar a categoria mais longa nesses dez anos de Ultra Trail Du Mont Blanc. “

“Fotografa nós”, diz o homem da rua ao corredor

Por Rodolfo Lucena
08/09/13 14:06

São Paulo é um mar. As ruas são ondas, em que o corredor mergulha, às vezes cansa, imagina que vai soçobrar, mas emerge para uma nova marola, outra vaga, um desvio, um tubo. O corredor surfa no asfalto.

As gentes são como os peixes, moluscos, crustáceos, algas, tão diferentes entre si como os habitantes das profundezas aquáticas, ainda que, como eles, irmãos, compatriotas, concidadãos.

Hoje tive mais uma prova, um gostinho do que é São Paulo, seu sal amargo, seu doce sol, sua crueldade cinzenta, o sorriso carinhoso de seu povo.

Saí de casa para perseguir meu nariz. Quase chegando à Paulista, encontro perdida num canto, abandonada, mas nem tanto, porque carinhosamente deixada em uma cadeira, a Maricota. Boneca de pano andrajosa e desmilinguida, é a parceira de um artista do asfalto que com ela às vezes dança na esquina da Paulista com a Consolação, ali onde um dia foi o Riviera –ele vai voltar!.

Hoje Maricota estava sozinha.

Desço a Consolação, seguindo caminhos que tantas vezes percorri a pé, de carro, de ônibus, para casa e para o trabalho, para o trabalho e para casa. Paro no Redondo, que já não é o Redondo, mas qualquer outra coisa que nem percebi. De qualquer jeito, não canso de me impressionar com a majestade do prédio criado em curvas.

Ao pé dele, um morador de rua dorme, como muitos outros nas quebradas do centro.

Passo pela Love Story, a boate de todas as boates, e o povo está saindo. Um mulher vestida com um colante berrante e uma blusa multicolorida, tão colada ao corpo quanto as calças, grita, chuta um carro, é contida por seguranças e conhecidos, o motorista do táxi sai para ver o estrago, mas é dissuadido de enrolar pela turma do deixa-disso, a mulher volta a atacar, seu alvo é alguém encolhido dentro do carro, a turma do deixa-disso enxota o taxista, o carro arranca e a confusão termina.

Passo por travestis, prostitutas, proxeneta, curiosos, bêbados, drogados, boyzinhos, coxinhas, garotinhas que querem descobrir a noite (agora já manhã alta). Sigo pela praça da República, subo a São João, desço para o Anhangabaú. Quando começo a atravessar, vejo o viaduto Santa Ifigênia , todo de aço, me convidando para passar por ele. Aceito o convite.

Faço uma curva, subo uma pequena ladeira e eis que a vejo.

Não sei quem é nem cumpri meu dever jornalístico de identificar a praça ou descobrir seu nome. Apenas a vi e gostei dela, não mais estátua de bronze, aço, cimento, granito ou o que o valha, mas coisa viva, modificada pelo homem da rua, que lhe deu boca e arma, até uma luva improvisada.

Quando eu fotografava a estátua/intervenção, vi lá ao fundo um morador de rua, catador de coisas, multicolorido. Imaginei até que pudesse ser ele o autor, tantas eram as criações que fizera no próprio corpo.

Ele se aproxima, chega mais perto, fala: “Fotografa nós dois”, como se de fato fosse a estátua sua criatura. Aí está a cena.

Ele informou ser o irmão Edmílson Bispo dos Santos e mais não disse nem lhe foi perguntado. Saiu para continuar a catar coisas na praça, eu segui minha carreira.

Vi lixo no caminho.

Vi helicóptero nos céus, fazendo um barulhão dos infernos.

Vi a vovó colorida de olhar perdido.

Vi uma ruela atraente, inusitada, talvez rescaldo das vilas operárias da zona leste.

A partir dali, segui jornada por uns lugares estranhos, acompanhando a linha do fura-fila, vendo ao longe os caminhos do metrô, mas sem saber direito por onde andava.

Seguia meu nariz, cumprindo jornada de caminhada e corrida. Tinha muita dor na lombar, a perna esquerda rengueava um pouco, mas não lhes dava descanso. Ver a cidade vazia, exposta, ameaçadora e cálida, me animava, assim como as corres e cheiros fedidos de arroios urbanos.

Passei rumo a uma área da zona sul, cruzei pela estação Tamandatueí do Metrô, da qual nunca tinha ouvido falar, apesar de ela estar na linha verde, que uso rotineiramente.

Faltava apenas um bloco do meu treino. Precisava sair daqueles confins sem gente, daquele corredor solitário de armazéns vazios. Subi por uma rua que parecia mais movimentada, talvez tivesse um bar ou um posto de gasolina onde eu pudesse beber água, engolir meu gel de carboidrato (o segundo do dia).

O que tinha, mesmo, era um jovem cavaleiro trotando pelo asfalto. Corria para longe, mas longo encontrou alguém que trazia um animal no cabresto. Voltaram os dois, vinham na minha direção. Pedi que posassem para uma foto. Eis pai e filho, que aos domingos levam seus animais para um passeio.

Fiz até um vídeo com eles. Vamos ver se a internet lerdíssima da minha casa permite que eu o coloque no ar. (Atualização: Consegui! Para ver o vídeo, clique AQUI.)

Ele me disseram onde eu estava: avenida Carioca, no Ipiranga. Mas nos confins do Ipiranga, não pertinho do parque nem da avenida Nazaré, que tão bem conheço.

Subi longa e cheguei à favela Heliópolis. Domingo de manhã, todo mundo de bom humor, não tive problemas para percorrer algumas de suas ruelas. Depois prossegui, pois já era quase hora de o treino acabar e não tinha a menor ideia de onde encontrar metro ou ônibus para voltar para casa.

Apesar disso, continuei correndo atrás de meu nariz, que não estava sendo o melhor guia do mundo: acabei chegando a avenida Anchieta, já quase fora dos limites da Pauliceia. De uma passarela sobre a via, vi o primeiro engarrafamento do domingo.

Depois fui me ajeitando, reconhecendo locais, descobrindo caminhos. O treino terminara: 25 km em 3h18, pode ser muito para alguns, pouco para outros, foi o que deu para mim, num percurso pleno de descobertas.

Antes de voltar para casa, ainda há tempo para mais uma olhada para a cidade. Vejo o mundão de telhados e janelas, tenho certeza: São Paulo é um mar.

Blogando em causa própria: convite amplo, geral e irrestrito

Por Rodolfo Lucena
05/09/13 15:50

Prezado leitor, peço vênia para usar este espaço em causa própria: nesta sexta-feira, dia 6 de setembro, haverá sessão de autógrafos de meus livros “MARATONANDO – Desafios e Descobertas nos Cinco Continentes” e “+CORRIDA – Pensamentos no Asfalto, Relatos de Provas e Dicas de Treinamento”.

A função começa às 20h, no II Salão do Jornalista Escritor, no Auditório Simon Bolívar, no Memorial da América Latina, que fica na Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664. Tem estacionamento pago. É ao lado da estação Barra Funda do Metrô (linha vermelha).

“MARATONANDO” foi meu primeiro livro de corrida (antes, tinha publicado em 1976 o “Abertura 1812”, de contos). Nele conto minha trajetória de completo sedentário militante a ultramaratonista, fazendo aventuras por locais com a Grande Muralha da China, montanhas e vales do interior da Austrália e caminhos pelo litoral da África do Sul. Correr vira um aprendizado de vida.

Já o “+CORRIDA” traz experiências diversas. Além de relatos de provas que provas que enfrentei, trago entrevistas originalmente publicadas no meu blog e ainda filosofadas sobre o ofício de colocar uma perna depois da outra, um passo depois de outro o mais rapidamente possível. Entre as personalidades que me deram a hora de entrevistá-las estão o ex-recordista mundial da maratona, Ronaldo da Costa, e a única brasileira que participou da primeira maratona olímpica feminina, Eleonora Mendonça.

Bueno, está feito o convite. Passe adiante, avise os amigos, conhecidos, o cachorro, o gato e o papagaio. Espero você lá.

Confira teste do tênis de mil reais que tem lâminas no solado

Por Rodolfo Lucena
04/09/13 09:55

Eu adoro cores fortes, vibrantes explosivas. Gosto de camisas estampadas e calças listradas, não tenho vergonha de usar azul metálico, vermelho ou amarelo nem de fazer combinações que alguns cânones possam considerar estapafúrdias.

Pois mesmo assim fiquei surpreso quando recebi para testes um par de tênis Springblade, a nova estrela da Adidas no mundo dos calçados de corrida. Não consigo descrever exatamente a cor do dito; a foto vai aqui ao lado e talvez você possa me ajudar: é vermelho elétrico? Pink? Rosa-choque?

Sei lá. O certo é que você precisa esquecer os pés quando coloca um calçado desse tom. Tem de correr por aí fazendo a maior cara de paisagem, sem dar bola para o fato de o tênis chamar muita ou pouca atenção. Ou então, dependendo do seu estilo, aproveite e bote banca de moderno, diferente.

Porque a cor é apenas o primeiro dos detalhes chamativos do Springblade. Primeiro porque está por cima, mas não mais importante: o coração e a alma no novo tênis estão no seu solado.

Ele tira seu nome, que significa molas em lâminas (ou lâminas de explosão, numa tradução livre), da estrutura da sua sola: são sete pares de lâminas construídas em um plástico especial e colocadas de forma oblíqua ao “chassi” do calçado. Há ainda uma lâmina na ponta e outra no calcanho.

Todas têm “sapatas” de borracha; as da ponta e do calcanhar usam uma borracha mais firme. As lâminas são duras o suficiente para darem suporte ao corredor, mas também flexíveis para que não quebrem com o impacto. O objetivo, segundo a Adidas, é dar uma resposta explosiva, ajudar a “empurrar” o corredor para a frente, colaborar na impulsão.

No seu site, a empresa fala o seguinte dessa tecnologia: “As lâminas reagem instantaneamente a qualquer superfície, resistem a alterações de temperatura e geram uma grande propulsão quando pressionadas, armazenando e liberando mais energia para a corrida”.

Tudo isso tem um preço. No Brasil, o Springblade custa mil reais ou, mais precisamente, na linguagem do marketing dos preços, R$ 999,90, o que o coloca entre os mais caros vendidos por aqui. Nos Estados Unidos também não é barato: vi ofertas por US$ 180, o que é 50% mais caro do que alguns dos mais reconhecidos modelos de tênis de corrida do mercado.

Bueno, a questão é: vale a pena?

Infelizmente, não existe resposta simples para essa pergunta. Quando foi feito o lançamento no Brasil, o pessoal de marketing afirmou que o tênis foi desenvolvido a partir de propostas da Adidas Brasil, voltado para o que o brasileiro quer.

Perguntei de que o brasileiro gostava, e a resposta foi: “muito amortecimento e tecnologia aparente”.

Considerando que isso seja verdade, o Adidas Springblade se garante no segundo quesito, como é óbvio. No primeiro, não: ele é bem rígido, ainda que inspire confiança e, de fato, dê segurança nas passadas.

Mas estou antecipando julgamentos. Antes de prosseguir, devo informar que os testes que fiz com o Springblade foram realizados em diversos tipos de terreno, do concreto às trilhas do Ibirapuera. Antes de fazer a primeira corrida, passei um dia inteiro usando o Springblade na vida civil; entre corridas e caminhadas, foram mais de 50 km percorridos.

A primeira impressão: além de inusitado, ele é um tênis pouco flexível e pesado (360 g). Na balança, está cerca de 40 g acima do modelo que eu costumeiramente uso –eu gosto de tênis estruturados, com bastante amortecimento–, o que não fez grande diferença na hora da corrida. E até é bom para corredores que, como eu, estejam acima do peso considerado ideal (tradução = barrigudos).

Por isso, diferentemente do que ocorreu com outros modelos que testei recentemente, não tive nenhum receio de colocar o tênis e sair queimando o chão: ele é voltado para passada neutra e bem estruturado. De fato, é grandalhão e está muito distante dos calçados minimalistas, que dizem imitar a corrida natural.

Com o Springblade, não há nada de natural, a começar pelo barulho que faz ao tocar no chão, seja em piso de madeira, pedra ou asfalto. Há um chomp-chomp como se fosse borracha molhada; o som diz: “Sou diferente”.

Ser diferente, porém, não é medida de qualidade. Tive vários problemas na corrida decorrentes do fato de as lâminas serem independentes; uma pisada num cascalho maior, por exemplo, desbalanceia o conjunto. Nas trilhas do Ibirapuera, pisar nas raízes de árvores expostas foi bem desagradável. Em contrapartida, correr em piso de pedriscos não teve as consequências danosas que imaginei: não saí com nadica de nada grudado no solado (desculpe a rima rica…) nem houve instabilidade.

Isso não significa que o Springblade seja indicado para terrenos acidentados. Não me parece apropriado para pisos de montanhas nem para trilhas mais selvagens; muito menos, como parece óbvio pelo próprio desenho do solado, deve ser agradável para corridas em barral.

Os testes foram todos em dias de tempo seco, mas, nas poucas vezes e nos pequenos trechos de piso molhado por onde passei (algum cano rompido ou calçada sendo lavada), o tênis deu umas escorregadelas. No asfalto seco não tive problemas.

Eu sou lento demais. Não senti nenhuma vantagem especial de correr com o Springblade, mas não acredito que ele ou qualquer outro tênis possam dar diferencial significativo no desempenho. Como já disseram outras pessoas mais sábias do que, o calçado não corre por você. É preciso treinar, treinar e treinar. Ter um tênis confortável e com bom amortecimento ajuda.

O amortecimento oferecido pelo Springblade foi razoável, especialmente nas pisadas começando com o calcanhar e quando aumentei a velocidade (para alguns, isso pode ser força de expressão, mas para mim é um esforço passar de 7min/km para 6min/km por exemplo). Dá para sentir bem, nesses momentos, as “moças em lâminas” funcionando. Quando comecei a passada com o meio do pé, o movimento do solado não foi tão perceptível.

Para terminar, volto ao preço. Por mil reais, dá para comprar um ótimo tênis de corrida e uma bicicleta comum. Mas o Springblade não está abrindo um novo patamar de preços: há modelos de outras marcas vendidos no Brasil por esse valor.

Eu não pago mais do que o equivalente a US$ 100 –no máximo, US$ 120—por um tênis. No Brasil, a maioria dos bons tênis de corrida custa mais do que isso, e o povo compra. Então há mercado para produtos mais caros, assim como há mercado para produtos mais baratos. Tudo depende do bolso e do gosto de cada um.

Campeão paraolímpico tenta correr 40 maratonas em 40 dias

Por Rodolfo Lucena
02/09/13 08:57

“Está difícil”, diz o campeão paraolímpico dos 200 m, Richard Whitehead, “mas vou cumprir meu desafio”.

O atleta biamputado acaba de ultrapassar a metade de seu objetivo de correr 40 maratonas em 40 dias na Grã-Bretanha.

O projeto arrecada fundos para entidades beficentes de combate ao câncer e é também uma homenagem ao canandense Terry Fox, jovem biamputado que correu o Canadá em sua Jornada da Esperança.

Segundo Whitehead, ele consegue superar as diversidades pensando que está correndo em honra de pessoas que têm condições ainda piores que ele mesmo.

O pior até agora, conta ele, foram alguns trechos de longas subidas. “Há dias em que acordo e realmente não dá vontade de sair da cama. Então eu me forço a levantar e partir, pensando em amigos meus que morreram de câncer.”

Mo Farah desafia Usain Bolt: quem é o favorito?

Por Rodolfo Lucena
28/08/13 11:23

O britânico Mo Farah, camepão mundial dos 5.000 m e dos 10.000 m, voltou a desafiar o jamaicano Usain Bolt, recordista mundial dos 100 m e dos 200 m para uma corrida beneficente.

A chamada para o duelo aconteceu antes do recente Mundial de atletismo, mas até agora não tem data marcada. O que deixa doidões os especialistas em fisiologia do esporte e analistas de performance, que ganham ainda mais tempo para elucubrações.

A ideia é que a prova seja numa distância maior do que a das provas de ultravelocidade e menor que a das corridas de fundo.

Não dá para ser uma média, porque daí todo mundo sabe que não tem nem graça: Bolt pode ser o mais rápido do mundo lá entre a turminha da meia pista, mas, quando a brincadeira passa a ser de volta sobre volta atrás de volta, os especialistas duvidam que ele aguente o tranco.

Por isso a distância de escolha é 600 m, não tão longa que transforme o Raio Jamaicano em um reles mortal e não tão curta que não permita a Farah usar sua velocidade e resistência.

Quem arrisca um palpite?

O pessoal do site The Science of Sport (um dos meus favoritos) lembra que, quando David Rudisha quebrou o recorde mundial dos 800 m, passou a marca dos 600 m em 1min14s3. Provavelmente essa seria a marca possível para Bolt e Farah, acreditam os fisiologistas do site.

Fica longe do recorde (não oficial, já que não há prova olímpica da distância) dos 600 m, que é de 1min12s81, do norte-americano John Gray. Mas os dois contendores dificilmente chegariam perto desse tempo.

O desafio para ambos é como usar o melhor de suas habilidades em distância não compatível (ou pouco compatível) com elas.

Para Bolta, a questão é tentar suportar a exaustão de competir em uma prova três vezes mais longa que a sua corrida normal. Também precisa calcular quanto ele precisaria reduzir seu ritmo para não se arrebentar antes de chegar ao final.

Para Farah, a questão é outra: por quanto tempo ele consegue manter sua velocidade máxima de forma a forçar Bolt a competir e entrar em exaustão antes dos metros finais?

Acredita-se que ambos podem ter desempenho máximo por volta dos 500 m, talvez dos 550 m. Os 50 metros restantes dariam, em tese, a vantagem para Farah. Se os dois tivessem cerca de um mês para treinar suas estratégias de corrida, porém, as apostas ficariam divididas, no entender do pessoal do site.

E você, qual sua aposta? Se quiser ver em detalhes a análise que eu comentei nesta mensagem, clique AQUI. Está em inglês.

Garmin e JVC lançam câmeras de ação

Por Rodolfo Lucena
26/08/13 15:23

Agora a brincadeira começa a ficar boa. Num território em que a GoPro dominava completamente, cresce o número de empresas em busca de um lugar ao sol.

Na última CES, feira de tecnologia realizada no início do ano em Las Vegas, havia diversas companhias apresentando suas opções para câmeras de corrida. A Panasonic, por exemplo, tinha um modelo que já vinha pronto para ser instalado na cabeça do vivente.

Pois agora a Garmin, tradicional fabricante de GPS, também resolveu entrar nessa parada. Acaba de anunciar que, no mês que vem, entrega às lojas norte-americanas sua concorrente da GoPro.

Pelas fotos, não consegui entender direito como a câmera fica instalada. Ela parece mais comprida do que a GoPro. E, como é da Garmin, claro que vem com GPS, que está no DNA da empresa. Também tem sistema receptor para monitorar os batimentos cardíacos (é necessário o uso de faixa peitoral que “ouve” o coração).

A empresa promete que o equipamento é à prova d`água e que filma até três horas direto. O material de divulgação que vi dá destaque para o uso por ciclistas, skatistas e surfistas. Não vi ninguém usando a câmera na cabeça –será que os corredores foram esquecidos?

E o pior é que esse parece ser o caso de outra câmera de ação, esta lançada pela JVC e já disponível no Brasil, segundo material divulgado pela empresa.

Tal como a da Garmin, a câmera da JVC grava em Full HD e “une, sem a necessidade de adquirir acessórios adicionais, características como resistência à água, impactos, poeira e a baixas temperaturas”.

De acordo com a empresa, “a ADIXXION é resistente à água, em até 5 metros de profundidade, e suporta quedas de até 2 metros de altura”.

Vou tentar testar esses novos brinquedinhos e mando notícias assim que for possível.

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