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Rodolfo Lucena

+ corrida

Perfil Rodolfo Lucena é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha

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Mais velha mulher na maratona de Nova York-2013 morre com os tênis nos pés

Por Rodolfo Lucena
12/11/13 10:48

Quando estava por volta do km 32 da maratona de Nova York, Joy Johnson levou um tombo. Caiu no asfalto, bateu a cabeça e uma comoção se desenrolou ao seu redor.

Bombeiros e socorristas tentaram convencê-la a abandonar a prova para ser atendida, mas a vontade pétrea da senhora de 86 anos falou mais alto.

“Vou até o fim”, disse ela, como se fosse um comando. E todos não tiveram nada a fazer a não ser abrir alas para a dama corredora.

E lá se foi ela, completando sua 25ª maratona de Nova York em 7h57min41. Não foi o melhor tempo de sua vida –nos anos 1990, ele chegou a fazer a prova em cerca de cinco horas–, mas o suficiente para ela ser a campeã de sua categoria: afinal, foi a mais idosa mulher a completar a prova no primeiro domingo de novembro.

Em uma entrevista antes da prova, Johnson disse que planejava correr no seu próprio ritmo. Quando cansasse, caminharia: “Sei que vou estar entre os últimos, mas não me importo. Eu fico feliz porque posso sair da cama todas as manhãs e correr; muita gente de minha idade está em cadeira de rodas…”

A veterana atleta começou a correr há cerca de 25 anos, depois de se aposentar como professora de educação física na Califórnia.

Ela era a “ídala” de um dos leitores deste blog, o multimaratonista Tadeu Guglielmo, que a conheceu depois da corrida em 2010 e tirou a foto do alto desta página.

Naquela oportunidade, Tadeu teve um breve encontro com a senhora, que reproduzo a seguir, em inglês, tal como ele mandou (a tradução é por minha conta):

“Eu a encontrei depois da corrida e tive a honra de beijá-la, depois de uma rápida conversa. “You have a friend or family waiting? (Um amigo ou alguém da família está esperando você?)”, perguntei a ela. “No” (Não), ela respondeu. “We take a taxi?  (Podemos tomar um táxi)”, convidei. “No, I’m fine (Não, estou bem)”, disse ela. “I can give a kiss?  (Posso beijá-la?)”. E ela: “Of course (Craro, cróvis)”. Congratulations (Parabéns) … Quase larguei tudo e fui para a Califórnia.”

Na manhã de segunda-feira (4/11), Johnson e sua irmã, Faith, de 83 anos, voltaram para o hotel depois de sua tradicional visita à gravação do show televisivo “Today”, no Rockfeller Center (foto abaixo, em que ela aparece com curativo no rosto).

Ela disse que estava cansada e foi tirar uma soneca, deitando sem nem sequer tirar os tênis de corrida. Não acordou mais.

Assim cumpriu sua própria profecia: “Eu sempre digo que vou correr até cair. Vou morrer usando meus tênis de corrida. Só não sei quando isso vai acontecer”.

Descanse em paz.

Monitor cardíaco de pulso é belo, mas limitado

Por Rodolfo Lucena
08/11/13 09:53

Prezado leitor interessado em profundas análises, estimada leitora que aguarda densas avaliações, desculpe aí minha simplicidade, mas o fato é que achei lindo o relógio que funciona como monitor cardíaco sem a necessidade de cinta peitoral. “Que bonito!”, foi minha primeira reação quando abri a caixinha em que veio a traquitana para testes.

Você pode não concordar com minhas preferências estéticas, mas é nelas que baseio uma parte de minhas análises de produto.

O relógio/monitor cardíaco Mio Alpha tem mostrador grande, preto, abraçado por uma faixa branca –o contraste faz com que ele se destaque no pulso, o que é muito bom para quem gosta de relógios espalhafatosos (como este seu blogueiro). Os números são grandes, indispensável para sujeitos com vista velha e cansada… Além disso, a pulseira acoplada, emborrachada, é larga e se adapta bem ao pulso.

Se estivesse falando de um simples relógio, talvez bastasse isso para abrir o sinal verde de compra. Mas não é de um relógio que tratamos, e sim de um monitor cardíaco de pulso, que promete liberdade para o tórax do corredor.

Antes de prosseguir, é bom dar algumas explicações para que mesmo não iniciados no uso desses dispositivos possam acompanhar esta avaliação.

O monitor cardíaco ou frequencímetro vem sendo usado há bastante tempo por corredores e atletas das mais diversas modalidades para acompanhar o desempenho do coração durante o exercício. A frequência cardíaca pode ser usada como medida da intensidade do exercício; também pode ser referência para a criação de zonas-alvo (você deve treinar a 60% de sua frequência máxima, ou a 40% ou a 80%, por exemplo, dependendo de sua capacidade e do objetivo de cada treino).

Isso é muito bom, e há um bom número de treinadores que gosta desse sistema, sem falar dos médicos.

Para monitorar a frequência, vários aparelhos de pulso (como GPS) usam uma cinta peitoral. A cinta tem um sensor que capta os batimentos cardíacos e os transmite para o relógio/GPS. Você acompanha os batimentos automaticamente e pode ter avisos sonoros ou na tela anunciando que está exagerando ou que está muito fraco na corrida.

As cintas mais modernas são bem flexíveis e ergonômicas, mas, de qualquer jeito, colocá-las é uma incomodação a mais. Devem ficar justas; às vezes, dançam no peito com o desenrolar do treino, quando o suor deixa a pele mais escorregadia. Você então aperta mais um pouco, o que não é a sensação mais agradável do mundo, dá a impressão de restrição dos movimentos do tórax…

Claro que, com o tempo de uso, a gente vai se acostumando e toma as providências para que atrapalhe/incomode o mínimo indispensável, mas, mesmo assim, é um corpo estranho.

Vai daí que a indústria vem procurando formas de livrar o corredor da cinta peitoral que acompanha o frequencímetro. Há relógios que capturam os sinais cardíacos a partir da pressão do dedo indicador sobre o mostrador, por exemplo. O Mio Alpha se apresenta como “o primeiro monitor cardíaco do mundo de leitura contínua que dispensa o uso da tradicional e incômoda cinta peitoral”.

Não conheço outro do gênero, mas não sei se é mesmo “o primeiro”; de qualquer forma, fica o registro da afirmação feita pela empresa.

Ele funciona com um sistema de luzinhas (LEDs) colocado na parte de trás do aparelho. O raio de luz incide sobre a pele e determina a frequência cardíaca com base na medição do fluxo sanguíneo (saiba mais clicando AQUI, texto em inglês). A medição é contínua e instantânea: você vê o tempo todo qual seu número de batimentos cardíacos por minuto naquele momento.

Nos meus testes, o monitoramento cardíaco funcionou perfeitamente, com leitura confiável –falo isso com base na leitura feita por outros sistemas que usei anteriormente.

Bom, mas o fato de o aparelho funcionar bem e fazer o que promete fazer não significa que esteja automaticamente aprovado.

Tive vários problemas para controlar o relógio/frequencímetro. Para acionar suas diversas funções (passar de relógio para monitor e vice-versa, iniciar sessão de treinamento, terminar, rever as informações do treino), usa um sistema de quatro botões.

Tecnicamente falando, não são botões. De fato, são dois “palitinhos”, um de cada lado do relógio, que você pressiona rapidamente ou segura pressionado por alguns segundos conforme o resultado que pretende obter.

Na minha obtusidade, levei um bom tempo para aprender a controlar direito os tais palitinhos. Cada vez que dava errado, ficava pensando por que raios o fabricante não havia colocado quatro botões simples, cada um com uma função e pronto. Seria muito melhor para usuários pouco delicados como este que vos fala.

Dito isso, tudo funcionou a contento nos treinos. Mas e daí? O que faço agora? Saio com um GPS em um dos pulsos e o monitor cardíaco no outro? Coloco os dois no mesmo pulso?

Afinal a ideia é diminuir o uso de aparelhos no corpo, não aumentar. Para quem usa aplicativos de corrida no celular, talvez a decisão seja mais simples, pois o Mio Alpha se comunica com vários deles, tanto da família Android quanto dos criados para o iPhone.

Para mim, porém, pareceu exagero. Ainda mais que o conjunto de informações prestadas é muito limitado: há a frequência instantânea, por certo, mas, ao final do treino, você recebe apena só tempo da sessão, a média da frequência cardíaca e o o tempo na zona- alvo. Isso não “fala” com o GPS que uso, o que o torna inútil para análises posteriores, comparações com outros treinos e por aí vai.

Também como relógio o Mio Alpha é limitado; não tem sequer despertador.

O que faz com que o preço pareça exagerado: R$ 799 é o custo informado pela DLK, que comercializa o aparelho no Brasil (saiba mais AQUI). Isso fica bem perto do preço de equipamentos mais completos, ainda que com cinta peitoral.

Claro que pode ser útil para muita gente, que precisa de contagem instantânea de batimentos cardíacos. Este blogueiro, porém, não o vê como equipamento que venha a fazer parte de seu “cinto de utilidades”, apesar da beleza e da simpatia do aparelho.

 

 

Psicóloga analisa perfil de atletas de corridas de obstáculos

Por Rodolfo Lucena
06/11/13 09:22

Talvez você já tenha esquecido, mas, na semana passada, a Folha publicou ampla reportagem de minha lavra abordando a florescente modalidade das corridas de obstáculos. Para produzir aquele texto, conversei com muita gente. Além de especialistas no assunto e organizadores de provas, conversei com psicólogos para tentar entender a motivação desse povo que mergulha na lama, corre sobre fogo e se arrasta sob cercas de arame farpado.

A psicóloga ANA LÚCIA GODOY, que trabalha com atletas profissionais e amadores de diversas modalidades e é especialista em psicologia esportiva, gentilme respondeu a algumas questões que lhe enviei por e-mail. Vamos a elas.


1. O que leva alguém a, voluntariamente e pagando, participar de um tipo de evento como esse?

 

Os indivíduos que procuram voluntariamente competições como essas possuem motivos variados: o desafio, a superação, a paixão pelo esporte, inserção num grupo, o reconhecimento, a pura satisfação, motivos de forte apelo emocional (alguém em sofrimento deseja que o atleta realize o “feito”), ser uma fonte de inspiração para outros, ser um exemplo, ter uma causa e também se divertir.

Assim como há pessoas que escolhem profissões mais estressantes que outras (policiais, bombeiros etc.), esses atletas gostam da sensação de se desafiarem em eventos que  exigem maior esforço físico, maior controle emocional, buscando situações extremas do limite físico e psicológico.

Não lhes basta ter um objetivo “comum”, precisa ser um objetivo extraordinário. 

A paixão que desenvolvem pela atividade, o envolvimento com ela e a necessidade de estar em constante movimento gera um prazer que para muitos pode ser visto como sofrimento. O prazer deriva de executar sua atividade o melhor e mais perfeito possível por mais difíil que seja.

São pessoas que gostam de ter contato com a natureza e sentem-se vivendo intensamente.

Indivíduos que participam deste tipo de evento, normalmente, são autorreferentes, ou seja, a referência para o desempenho são eles proprios. Buscam se superar, usando como referência seus desempenhos anteriores,  competem consigo mesmos mais do que com outros.

 

2. Qual o perfil desse tipo de atleta?

 

Muito tem-se pesquisado a respeito do perfil desse tipo de atleta.

São pessoas que têm mais predisposição a desenvolver habilidades emocionais como concentração, autocontrole, controle da ansiedade e do stress, auto motivação e confiança.

Estes indivíduos também possuem um alto grau de competitividade, seja consigo ou com outros.  Quanto maior a tensão, maior é o desejo de testar essas habilidades. Situações estressantes tornam-se desafios a serem conquistados. 

O estresse corresponde a uma reação fisiológica através da qual o organismo se prepara para enfrentar um dado perigo, ou uma situação vista como perigosa ou então para fugir dela.

Para estes indivíduos, as reações físicas típicas do estresse se transformam em reações psíquicas agradáveis. não sendo, portanto, nocivas à saude.

A adrenalina, gerada pelo estresse, passa a ser um estimulante natural, preparando o corpo para a ação, executando seu plano estratégico com disciplina e sabendo que o medo pode ser controlado.

Outra característica desses indivíduos é a motivação intrínseca. A motivação intrínseca é a força que vem de dentro da pessoa para realizar a tarefa desejada. Vem do prazer que alguém obtém da tarefa em si, do comprometimento, da dedicação, da satisfação resultante de completar uma tarefa ou se esforçar para tal.

As pessoas intrinsicamente motivadas são mais propensas a serem focadas no objetivo e gostam de desafios que levam a um bem estar.

Uma outra abordagem que diz respeito ao perfil desse tipo de atleta é a teoria de Mihaly Csikszentmihalyi, sobre a personalidade autotélica: “A personalidade autotélica é aquela em que uma pessoa executa atos porque são intrinsecamente compensadores, em vez de alcançar objetivos externos”. (Car, A. Positive psychology. The Science of happiness and human strengths. Hove, 2004).

“São pessoas mais autônomas e independentes, porque não podem ser tão facilmente manipulados com ameaças ou recompensas a partir do exterior. Ao mesmo tempo, eles estão mais envolvidos com tudo a sua volta, porque eles são totalmente imersos na corrente da vida “. (Csikszentmihalyi, 1997, p.l17)

Esse traço de personalidade existe em pessoas que podem aprender a apreciar situações ou eventos que a maioria das pessoas vê como “miseráveis”. Em pesquisas realizadas por esse psicólogo, concluiu-se que aspectos relacionados com a personalidade autotélica incluem curiosidade, persistência e humildade.

 

3. Qual a recompensa que eles esperam ter ou imaginam que possam ter?

A recompensa em provas com esse grau de dificuldade, normalmente, é a realização pessoal, como superar os objetivos propostos, enfrentar os desafios da competição, melhorar performance, terminar a prova etc.

Os sentimentos experimentados de autoconfiança e de controle emocional influem diretamente na autoestima e, muitas vezes, no desejo de testar novamente seus limites.

Quando o atleta sente-se confiante em suas habilidades e no controle de suas ações, experimenta sentimentos de poder e de tranquilidade. Isso é, em si, extremamente recompensador, pois o medo e o fracasso são entendidos como potencializadores da ação e tendem a serem dissipados.

Não raro, o aspecto social aparece como recompensa reforçadora da performance: o atleta usufrui de um reconhecimento e status que uma competição extrema promove.

Uma outra forma de recompensa são os resultados obtidos. A convicção pessoal de que se pode executar com sucesso uma ação para produzir resultados desejáveis é definida como autoeficácia. A autoeficácia é composta por expectativas de desempenho e expectativas de resultado. É a crença de que determinados comportamentos, ações e esforço em lidar com situações levarão aos resultados desejados. O atleta está sempre buscando evoluir e otimizar sua performance. Portanto acreditar na sua capacidade é fundamental para o sucesso e para realização pessoal. 

 

4. Não chega uma hora em que é demais?

 

Para as pessoas que buscam seus limites e consequente superaração, sempre haverá novos desafios, pois qual é o limite do homem?

Sendo a adrenalina um estimulante natural, esses individuos gostam de sentí-la porque estão preparados para realizar seu plano de ação. 

Também a liberação de outras substâncias, como noradrenalina, endorfina, serotonina que estão intimanente ligadas ao desempenho e provocam um estado de bem-estar e prazer, são reforçadores para a continuidade do esporte.

Atletas de alta performance estarão constantemente reorganizando seus objetivos para se manterem ativos, competitivos e em busca de novas conquistas.

 

5. Esse povo tem problemas? Ou quem pensa que eles têm problemas é que tem problemas?

 

Para muitos, os amantes dos esportes extremos, de risco e de grande exigência física e psicológica não gozam de “saúde mental plena”. São, muitas vezes, taxados de “loucos”, exibicionistas, impulsivos, viciados em adrenalina etc. Mas, como disse, são pessoas com perfis diferenciados, com desejos e necessidades diferentes e que encontraram no esporte um motivo forte suficiente para os manter praticando e melhorando. Nosso organismo possui boa capacidade de adaptação às situações extremas. 

De modo geral, é claro que, diferentemente das pessoas que não praticam esses esportes, a exigência da modalidade faz com que a vida social fique comprometida, no sentido de terem uma disciplina maior em relação à alimentação, horários de treino, sono e lazer. A escolha por esse tipo de vida nem sempre é bem vista por outros e portanto não compreendida.

Não há um problema patológico, mas sim o gosto por se desafiarem em seus limites físicos e psicológicos.

 

6. Em que eles se diferenciam do atleta que participa de provas de aventura ou triatlo? E em que eles se parecem?

 

Os atletas de corridas extremas se parecem com os atletas de provas de aventura e triatlo, mais especificamente o Ironman,  na busca pela superação, pelo desafio, pela perfeição, em sair da zona de conforto, na coragem, que é o domínio do medo e não a falta dele, na habilidade em lidar com adversidades. Eles se diferenciam no nível de dificuldade a que os atletas de corridas extremas se submetem e no tipo de exigência das tarefas, que envolvem situações com alto grau de resistência fisica, mental, resistência à dor e ao cansaço, além de velocidade e força. Estas tarefas são obstáculos criados semelhantes aos usados em treinamento militar e envolvem habilidades de corrida, saltos, subir em cordas, rastejar sob arame farpado, escalada, carregar objetos pesados, lançar objetos, passar pela lama e fogo, enfim, diversos tipos de atividades não comuns e que requerem um corpo e mente preparados para tal.

Muitas vezes os participantes de corridas extremas não conhecem o percurso ou os obstáculos que deverão enfrentar até o dia da corrida. Essas corridas variam em distância e grau de dificuldade. 

Corrida de inspiração militar marca aniversário do Butantã

Por Rodolfo Lucena
31/10/13 10:45

Pois eu pouco conhecia de provas com obstáculos realizadas no Brasil. Bastou eu fazer reportagem sobre o assunto, publicada nesta semana na Folha, e começaram a pipocar eventos –claro que eles estavam programados, eu é que, na minha ignorância, não tinha conhecimento deles.

Um que parece bem interessante é o que vai ser realizado em plena capital paulista, no bairro do Butantã, que está completando 114 anos. O organizador do evento é Caetano Alvim, que deu entrevista exclusiva para este blog.

1. Por favor, sobre você e como se envolveu com as corridas.

Sou Caetano Alvim, 35 anos, arquiteto, nascido em São Paulo. Praticava corrida de aventura na época da faculdade, de 2000 a 2004, hoje pratico crossfit e corrida de rua. Por meio de amigos, conheci as corridas com obstáculos militares, que estamos criando agora no Brasil.

2. Conte um pouco sobre a empresa.

A ideia de fazer uma corrida de obstáculos existe desde 2011, quando fiz uma parceria para a realização da BSS (Brasil Esporte Show no pavilhão do Ibirapuera). Esse tipo de trabalho com circuitos militares, maneabilidade e de incentivo para executivos é executado pelo Marco Abrahão, profissional de eventos e treinamentos, desde 1999 (trabalhou até para um programa de TV).

 3. Por que você resolveu investir numa corrida do gênero?

O nosso interesse pelas corridas é antigo. Unir isso com o trabalho desenvolvido com os obstáculos será muito bom.

4. O que é a Iron Race? De onde surgiu? É uma franquia? De quem?

A Iron Race é uma corrida com obstáculos militares que será realizada dia 15 de dezembro, com as inscrições abrindo neste dia primeiro de novembro. Já conta com outras três datas para 2014.

A primeira se realizará sob o selo IRON RACE URBAN (circuito de 5 km  a 10 km dentro da cidade, em praças, parques e avenidas, com de oito a 15 obstáculos). Para o ano que vem teremos a IRON RACE CHALENGE (circuito curto, no qual os dez melhores ranqueados receberão as inscrições para a IRON RACE EXTREME, circuito de 10 km a 20km, realizado em fazendas, áreas de treinamento militares). Para todas as provas, teremos a IRON RACE KIDS, um circuito infantil, com brincadeiras e obstáculos que estimulam a coordenação cognitiva.

5. Por favor, descreva a prova: distãncia, tipo de obstáculo, quantidade de obstáculos, premiação etc. Onde e quando será realizada, onde fazer as inscrições, preço das inscrições etc.?

A primeira acontecerá agora dia 15 de Dezembro na Av. Lineu de Paula Machado (avenida do Joquei Clube de São Paulo), com apoio da Sub Prefeitura do Butantã, fazendo parte do calendário de comemorações dos 114 anos do bairro.

A corrida terá 5km, contará com dez obstáculos (teremos paredes para transposição, valas para salto, escalada em rede etc.). As inscrições estarão on-line a partir do dia 01/11/2013 pelo site www.ironrace.com.br. O valor das inscrições é de R$ 100 para os 500 primeiros, R$ 140 para os outros mil, e R$ 180 para os últimos 500.

A largada da prova acontecerá em baterias a cada 15 minutos com no máximo cem corredores por bateria.

 6. Que tipo de preparo é preciso ter para fazer uma prova como a Iron Race?

Os interessados precisam de muita força de vontade para superar suas limitações, a corrida foi desenvolvida para que todos possam completar a prova, alguns com mais outros com menos facilidade, mas todos poderão completar. Mas um preparo físico de corridas de rua é aconselhável, já que um corredor regular terminaria uma prova simples de corrida em aproximadamente 15 a 20 minutos. O circuito com 5 km e dez obstáculos está sendo pensado para 30 a 50 minutos. Essa primeira será um preparativo para a de março. Um programa de treino será disponibilizado no site e redes sociais.

 7. Já há inscritos para a prova? Quantos? E quantas vagas há no total?

Existem 350 pré-inscritos e o total de vagas é de 2000

 8. Você já tem um perfil dos inscritos (idade, formação, profissão, experiência em corrida)? Ou fez alguma pesquisa que indicou o perfil dos possiveis interessados?

Praticantes de corrida, crossfit e atletas não profissionais de 25 a 55 anos.

9. Falando nisso, que tipo de gente você acha que se interessa por esse tipo de prova?

Os mais variados, pois se trata de uma corrida de superação, muito mais exigente que uma simples prova de rua, envolve aptidões variadas, como força nos membros superiores, equilíbrio, resistência e uma dose de superação.

10. Ou, colocando de outra forma: por que alguém faria uma prova como essa? O que está em jogo?

O que está em jogo é conhecer e superar seus limites, dentro de uma competição com você mesmo. É a valorização do corpo humano e suas características motoras, aumentando a autoestima dos participantes.

 11. Já tivemos, no Brasil, um empresa que anunciou prova semelhante e fracassou. O que o leva a acreditar que poderá viabilizar a prova?

A IRON RACE não necessita do valor das inscrições para realizar a prova. Todas as provas, de dezembro até março, serão realizadas por investimentos pessoais dos dois fundadores ( Marco e Caetano ) e de patrocinadores já parceiros de outros eventos do grupo. O interessante é verificar na apresentação todo o calendário de ativação da prova que irá acontecer nos parques e pontos da cidade. Outra grande vantagem que leva confiança aos participantes é que a primeira prova é oficial da Prefeitura de São Paulo, subprefeitura Butantã. Temos ainda parcerias oficiais com o Exército Brasileiro, mantendo o padrão das provas em um nível internacional de obstáculos, além do Governo do Estado de São Paulo, pela Secretaria de Turismo e a Secretaria de Esporte do Município de São Paulo.

 

Florianópolis terá em dezembro corrida de obstáculos

Por Rodolfo Lucena
30/10/13 10:01

Continuo hoje a publicação de entrevistas que foram utilizadas como base para reportagem sobre corridas de obstáculos que produzi para a Folha. A conversa agora é com Alessandro Vicente Custódio, organizador da Black Trunk Race, que será realizada em dezembro em Florianópolis.

1. Fale um pouco sobre você e como entrou no mundo das corridas.

Meu nome é Alessandro Vicente Custódio (39 anos) e sou o idealizador e organizador da Black Trunk Race. Nasci no dia 14/10/1974, na cidade de Santos (SP), mas vim para Florianópolis com oito meses de idade. Sou graduado em economia pela Universidade Federal de Santa Catarina (2000), com mestrado em economia também pela UFSC (2004). Atualmente leciono na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), onde dou aula para os cursos de administração e economia. Também dou aula na Faculdade Municipal de Palhoça para o curso de administração. Sou sócio-proprietário da empresa Black Trunk Extreme Sports.

Sempre tive a minha vida envolvida com diversos esportes. Durante anos, fiz parte da equipe de basquete de Florianópolis, participando de campeonatos estaduais e nacionais, como os Jogos Universitários Brasileiros. Na mesma época, já praticava artes marciais. Acabei me apaixonando pelo jiu-jitsu, esporte que me tornei faixa preta. Participei de diversos campeonatos nacionais e internacionais da modalidade. Por estar em frequente contato com o mundo da luta, acabei me envolvendo com o MMA, tornando-me campeão de eventos importantes no Brasil e fora do país.

Diante com o envolvimento com as artes marciais e também para aperfeiçoar o inglês, decidi morar na Nova Zelândia (2004) e Estados Unidos (2006), onde pela primeira vez tive contato com corridas com obstáculos, como a Spartan Race. Na Nova Zelândia, organizei o meu primeiro evento de MMA, Kiwi King of the Ring, que foi o primeiro evento de MMA daquele país.

Quando voltei ao Brasil definitivamente, resolvi encerrar minha carreira como lutador e me dedicar à promoção de eventos. Foi quando abri a Black Trunk Extreme Sports. Apesar de ter me envolvido e me dedicado ao mundo da luta, as imagens das provas com obstáculos dos EUA sempre ficaram na minha cabeça. Nos últimos anos comecei a observar um número cada vez maior de praticantes de corridas, amadores e profissionais. Florianópolis, por ser uma cidade litorânea, onde as pessoas se preocupam muito com saúde e bem estar, aderiu à nova onda. Foi onde percebi que era a hora certa de investir no meu antigo projeto. Com muita determinação, comecei a procurar por parceiros para tornar a prova viável. Está dando tudo certo, estou colhendo frutos de um trabalho árduo.

2. Conte um pouco sobre a empresa. 

A Black Trunk Extreme Sports foi fundada em 2006, assim que voltei dos Estados Unidos. Diante do meu envolvimento com esportes, queria criar algo que tivesse relação direta com o mundo esportivo.  No início, a Black Trunk produzia roupas voltadas para esportes radicais e fitness, além da promoção de eventos. Em Florianópolis, promovi eventos de surf, jiu-jitsu e MMA (Black Trunk Final Heat (surf), Black Trunk Fight I, II, III, IV (MMA), Copa Black Trunk de Submission I, II, III (jiu-jitsu sem quimono) e Copa Black Trunk de Jiu-Jitsu (oito edições, sendo que a última foi em agosto deste ano).

 3. Por que a empresa resolveu investir em uma corrida do gênero da BTR? 

Como expliquei acima, tive o contato com esse tipo de corrida em 2006. Desde o início, achei a ideia incrível. Diversas empresas promovem diferentes tipos de corrida em SC e no país, mas nenhuma nos moldes da Black Trunk Race. Queria algo desafiador, inovador, e que tivesse a cara da Black Trunk.

 

4. O que é a Black Trunck Race? De onde surgiu? É uma franquia? De quem? Por que tem esse nome?

A Black Trunk Race é uma corrida com obstáculos inspiradas em exercícios militares. Esses obstáculos são desenvolvidos e testados por profissionais gabaritados, que garantem a segurança dos competidores. A corrida surgiu de um projeto pessoal antigo, como citei na pergunta acima. Não é nenhuma franquia. A etapa de Florianópolis é a primeira prova da Black Trunk Race de um circuito que percorrerá diversas cidades do país. O nome “Black Trunk Race” advém do nome da marca “Black Trunk Extreme Sports”. A tradução literal de Black Trunk é tronco negro, porém o significado está diretamente relacionado aos “black trunks”, grupo havaiano considerado o mais durão, “casca grossa” de North Shore (praia do Havaí).

5. Descreva a prova: distância, tipo de obstáculo, quantidade de obstáculos, premiação etc. Onde e quando será realizada, onde fazer as inscrições, preço das inscrições etc.?

A Black Trunk Race será realizada no dia 7 de dezembro de 2013, no Sapiens Park, em Canasvieiras, bairro localizado no norte da Ilha de Santa Catarina. As inscrições podem ser feitas pelos sites www.focoradical.com.br e www.webventure.com.br e custam R$ 110 o primeiro lote, R$ 130 o segundo e R$ 150 o terceiro. As inscrições são limitadas (máximo de mil atletas).  O atleta que for participar da Black Trunk Race enfrentará 5 km de corrida com 15 obstáculos. Entre eles, escalar paredes, rastejar sob o arame farpado, encarar muita lama e obstáculos naturais. Optamos por não revelar todos os obstáculos, já que acredito que o fator surpresa torna a prova ainda mais interessante. Os cinco primeiros colocados de cada categoria (masculina e feminina) receberão troféus, de acordo com a colocação. Todos os atletas que completarem a prova receberão medalhas.

 6. Que tipo de preparo é preciso ter para fazer uma prova como essa?

Não é preciso muito preparo nem ser um atleta profissional. Serão cinco quilômetros que poderão ser completados em até duas horas, é um tempo bem razoável. Basta ter determinação e querer superar seus limites. É claro que é uma prova que exige um pouco de força, resistência, mas o objetivo da prova não é necessariamente uma boa colocação, mas sim a superação.

 7. Já há inscritos para a prova? Quantos? E quantas vagas há no total?

São mil vagas no total. Abrimos a inscrição na segunda-feira (14) e já temos mais de 200 inscritos. A expectativa é atingir o número de inscrições disponível.

 8. Você já tem um perfil dos inscritos (idade, formação, profissão, experiência em corrida)? Ou fez alguma pesquisa que indicou o perfil dos possíveis interessados?

A maioria das pessoas que se inscreveram é praticante de esportes, especialmente corrida de rua. Também temos muitos atletas de academias de ginástica funcional. A idade da maioria dos participantes varia entre 20 e 45 anos. Quanto à formação e profissão, ainda não temos essa informação.

9. Falando nisso, que tipo de gente você acha que se interessa por esse tipo de prova?

São pessoas que têm sede de desafio, superação de limites e buscam não só uma boa colocação ou a competição em si, mas muita diversão. Esse tipo de prova desperta diferentes sentimentos nas pessoas, como o espírito de liderança, de equipe, de cooperação, de solidariedade, já que muitas vezes é preciso ajuda para transpor alguns obstáculos. Às vezes o atleta que já conseguiu passar por uma barreira volta, perde posições só para ajudar outro que está com dificuldade.

 10. Ou, colocando de outra forma: por que alguém faria uma prova como essa? o que está em jogo?

O que está em jogo é justamente o desafio, a superação, além da diversão. Posso participar de uma prova de rua, de uma São Silvestre, de uma maratona, mas quando o desafio é mais do que testar o teu condicionamento físico, mais do que ter determinado tempo para completar um trecho, vejo que é uma provação maior. Como eu disse na resposta anterior, são diversos sentimentos que ficam à flor da pele. Vou te dar um exemplo, tem um vídeo na internet de uma equipe formada por ex-combatentes, a maioria amputada, que participa de uma prova nos moldes da Black Trunk Race (http://www.youtube.com/watch?v=LEVRRa5Z3aU). É incrível ver o que aqueles homens fazem, a cooperação do grupo com quem mais precisa, a solidariedade dos atletas. Eles completam a prova e são ovacionados na chegada. É emocionante demais. É esse espírito que eu quero levar para a minha prova.

11. Já tivemos, no Brasil, um empresa que anunciou prova semelhante, mas cancelou o evento e deixou os inscritos sem devolução do dinheiro pago. O que o leva a acreditar que poderá ter um número de inscritos suficiente para viabilizar a prova?

Tive conhecimento dessa prova. As informações que chegaram até mim é que tiveram problemas relacionados à falta de alvará e licenças para realização do evento. Não tenho mais detalhes sobre o caso, mas, quanto à realização da Black Trunk Race, já providenciei todas as garantias para a realização da prova, como local apropriado, licenças, alvarás e patrocinadores que estão viabilizando a competição. Também estou contando com o apoio efetivo da Prefeitura de Florianópolis, através da Fundação Municipal de Esportes, que não está medindo esforços para concretizar esse projeto. Florianópolis é uma cidade turística e o turismo esportivo é um dos focos da atual gestão, como já ocorre com a etapa do Iron Man.

Quanto ao número de inscritos, a procura está muito grande, até mesmo acima da nossa expectativa. Há muitos anos atuo na promoção de eventos e tenho um compromisso muito sério com a qualidade e com as pessoas envolvidas nos meus projetos, sejam trabalhadores, patrocinadores, atletas e o público.

 12. Por favor, acrescentes quaisquer outras informações que julgar útil.

Para finalizar, informações que não citei anteriormente. Serão duas largadas, com 500 atletas cada. A divisão dos atletas será feita de acordo com a ordem de inscrição. Os kits da corrida serão entregues anteriormente, na data, local e horário que serão definidos pela organização. Os kits serão compostos por número de peito, chip eletrônico, alfinetes, camiseta, além de materiais promocionais de patrocinadores. Junto com a inscrição, o atleta deve preencher o termo de responsabilidade, que está disponível no site do evento (www.blacktrunkrace.com.br) .

Ao final da prova, todos os atletas terão acesso a chuveiros, para refrescar e limpar a lama do corpo.A Black Trunk Race será oficialmente encerrada com um show, que será realizado no mesmo local a corrida.

Gostaria de deixar claro que, por mais que seja a primeira corrida organizada pela Black Trunk Extreme Sports, busquei os melhores profissionais da região, com larga experiência em organização e realização de provas, para garantir a qualidade do evento.

Corrida de obstáculos testa limites do corpo

Por Rodolfo Lucena
29/10/13 09:24

Saiu hoje na pág. Equilíbrio, da Folha, reportagem de minha lavra sobre corridas de obstáculos, um gênero de prova que vem ganhando adeptos no mundo inteiro. Para produzir o texto, que você pode ler clicando AQUI, fiz uma série de entrevistas, que passo a reproduzir aqui a partir de hoje.

A primeira conversa é com MAURICIO FRAGATA, organizador de corridas de obstáculos. Ele abre os trabalhos porque sua prova é a mais próxima, do ponto de vista cronológico: a Xtreme Race, da qual você terá mais detalhes abaixo, será realizada no mês que vem.

Dito isso, vamos à entrevista.

1. Fale um pouco de você: como entrou no mundo das corridas, o que faz fora desse mundo etc.

Mauricio Fragata, 41 anos, empresário, formado em educação física pela USP, com pós-graduação em marketing pela ESPM, especialização em administração esportiva pela FGV e MBA pela FEA-USP, nascido e residente em São Paulo. Pai da Bia e do Bernardo. Comecei a trabalhar com marketing esportivo em 1993 (e nem se chamava assim), como estagiário na Reebok. De lá pra cá trabalhei com marcas esportivas, até em 2003 abrir a Fragata MKT, para atender a Calçados Azaléia (que detinha as marcas Olympikus e Asics). Desde o começo, corridas de rua fizeram parte da minha vida. Até antes, pois cheguei a correr, na época de escola, pela equipe da Eletropaulo e a competir pelo colégio. Além de tudo isso, sou professor de marketing esportivo nas Universidades Anhembi Morumbi, Trevisan e Gama Filho.

2. Conte um pouco sobre a empresa. Quando foi fundada, por que foi fundada, trabalhos já realizados, “pré-história” etc.

A Xtreme Race é uma empresa nova, foi criada neste ano por mim e pelo meu sócio, Rafael Sá. Ambos já tínhamos nosso negócio e o Rafael já era fornecedor da Fragata MKt desde 2010. Com minha experiência nesse mercado, comentávamos que havia um espaço para corridas de obstáculos,  que já são uma realidade nos EUA e Europa e que aqui no Brasil ainda não decolou. Xtreme Race é o nome da empresa, que se propõe a realizar eventos de corridas de obstáculos, triatlo, duatlos, ultramaratonas etc. O primeiro evento da empresa Xtreme Race será uma corrida de obstáculos em Atibaia, no dia 09 de novembro de 2013.

 3. Por que você resolveu investir numa corrida do gênero da Xtreme Race?

Por percebermos que o mercado (participantes e corredores) precisa de algo novo. As corridas de rua, principalmente em São Paulo, já saturaram. Muda o nome da prova, mas você corre nos mesmos lugares. Queremos propor algo diferente do habitual. Acreditamos no potencial desse tipo de evento (off road).

 4. O que é a Xtreme Race? De onde surgiu? É uma franquia? De quem?

Xtreme Race é criação minha e do Rafael Sá. Ainda seremos uma franquia, mas partirá daqui. Somos autenticamente uma empresa brasileira e será a primeira prova de obstáculos genuinamente brasileira.

 5. Por favor, descreva a prova: distância, tipo de obstáculo, quantidade de obstáculos, premiação etc. Onde e quando será realizada, onde fazer as inscrições, preço das inscrições etc.?

A Xtreme Race – Atibaia terá 5 km e nove obstáculos. Divulgamos cinco deles, e deixaremos os quatro restantes como surpresa aos participantes. Os divulgados são: travessia suspensa, teia de aranha, rede de escalada, carregamento de peso e lago. Premiaremos os três primeiros colocados no geral masculino e feminino. A primeira etapa do Xtreme Race – Obstacles será em Atiabaia, interior de SP, no dia 9 de novembro. Teremos seis baterias que se iniciam a partir das 8h30 e vão até as 11h. Os três primeiros colocados no geral, masculino e feminino receberão troféus. Todos que completarem a prova receberão medalhas. As inscrições podem ser feitas no site www.xtremerace.com.br, custando R$ 180.

6. Que tipo de preparo é preciso ter para fazer uma prova como a Xtreme?

Mais do que o normal para uma prova de 5 km. Esse tipo de prova tem um perfil militar (usada pelos militares, policiais e bombeiros), e o preparo físico tem de ser mais completo, pois exige das pernas, braços e abdominais muito esforço para transpor os obstáculos.

 7. Já há inscritos para a prova? Quantos? E quantas vagas há no total?

Já estamos com 400 inscritos. Esperamos que chegue a 700 para essa prova inaugural.

8. Você já tem um perfil dos inscritos (idade, formação, profissão, experiência em corrida)? Ou fez alguma pesquisa que indicou o perfil dos possíveis interessados?

Temos apenas sexo e idade. 60% homens, 40% mulheres e as idades estão com foco entre 21 a 30 anos (33%) – 31 a 40 anos (34%) – 41 a 50 anos (23%)

9. Falando nisso, que tipo de gente você acha que se interessa por esse tipo de prova?

Pessoas que querem mais do que uma simples corrida de rua (5, 10 ou mesmo 15 km). Temos inscritos do Bope, policia militar, bombeiros.

 10. Ou, colocando de outra forma: por que alguém faria uma prova como essa? o que está em jogo?

Está em jogo a superação, o desafio de fazer algo diferente do comum. Existe um espírito competitivo inerente ao evento, porém percebe-se, principalmente nas provas no exterior, o espírito de fair play. Pessoas que não conseguem transpor alguns obstáculos, são ajudadas por outros competidores.

11. Já houve, no Brasil, uma empresa que anunciou prova semelhante, mas acabou não realizando o evento e ficou com o dinheiro das inscrições. O que o leva a acreditar que poderá ter um número de inscritos suficiente para viabilizar a prova?

Na verdade, enfrentamos certa desconfiança do público por conta do ocorrido no início deste ano com uma prova em Itu. Mais do que não conseguir interessados (tinha 3.000 inscritos!), o organizador do referido evento não entende do mercado brasileiro, já que vive nos EUA. Independente do numero de inscritos, nós não estamos apenas criando um novo evento, e sim uma nova marca, e o evento irá acontecer não importa o numero de inscritos. Apostamos nesse nicho de mercado.

12. Planos para o futuro?

Já estamos negociando com quatro cidades (além de fazer em Atibaia em 2014). Duas no Paraná, uma em Minas Gerais e outra no interior de São Paulo. Pretendemos divulgar no dia do Xtreme Atibaia pelo menos duas provas no primeiro semestre de 2014.

São Paulo é verde-amarela, descobre corredor na manhã cinzenta

Por Rodolfo Lucena
28/10/13 07:13

“Moço, leva ele correndo daqui, pode ser?”, perguntou em tom de galhofa o sujeito fortão que, no final da madrugada, empurrava um fulano mais alto que ele, porém magrelo, que esbravejava “Eu mato ele!, eu dou um soco e arrebento”, enquanto outros ainda seguravam o alvo de tanta raiva, todos meio trôpegos, tontos sei lá de quê, talvez mistura de cansaço, bebida, fumaça, confusão.

“Ainda bem que ele não me chamou de tio”, pensei eu, ou “tiu-ô”, como a molecada fala e é pior ainda. Sem retorquir, esperando que todos se acalmassem, continuei na minha passada enquanto os galos da madrugada se enfrentavam e esfriavam. Por meu lado, eu queria esquentar a manhã cinzenta que nascia friorenta neste final de primavera paulistana.

Com quase dez quilômetros já percorridos, a paisagem por tudo me gritava são-paulo, são-paulo, tal como a ideia que muitos fazem da cidade-locomotiva, dura, feita de fumaça e asfalto, alvenaria, tijolo, concreto. E foi o que eu vi de um viaduto, ponto privilegiado de observação.

É a cara feia da cidade, que também aparece na escada suja, descendo quase a pique numa quebrada dos confins da zona oeste (ou será norte? por ali, naqueles extremos, as regiões se confundem e se somam).

Basta olhar para o lado, porém, e a cidade surpreende. Moro aqui há mais de 30 anos, e não me lembro de ter visto barco no Tietê, fora eventuais lanchas da polícia em trabalho de resgate ou alguma manifestação de ambientalistas. Pois à minha vista havia um barcão, atracado sob um viaduto, quase no exato ponto em que o rio Pinheiros se encontra com o Tietê (na foto abaixo, dá para ver, do lado esquerdo, um pedacinho da embocadura daqueloutro).

Deu até vontade de me desviar do meu curso, tentar saber mais sobre a embarcação, que parecia um barco de lazer, um lanchão do estilo bateau mouche, daqueles que navegam no Sena e oferecem ao turista vistas de Paris e comida boa. Tá certo, pode ser exagero, mas foi o que pensei enquanto corria: bem que podíamos ter passeios de barco pelos rios paulistanos, com música, pista de dança, poltronas para namorar…

Prossigo na corrida, driblo carros que teimam em se atravessar no meio caminho –as calçadas paulistas, repito mil vezes, são arapucas para os pedestres: estreitas, esburacadas, irregulares, fazem da caminhada uma corrida de obstáculos e, da corrida, uma aventura prenhe de riscos.

De repente, não mais que de repente, quando reduzo o ritmo cansado de uma longa subida, uma placa com nome de rua me surpreende. Trata-se de um bequinho feioso e curto (de fato, descubro depois, a rua é um pouco mais longa, tem ainda outros dois ou três quarteirões), mas de nome sonoro e difícil pronúncia.

Jagoanharo é o nome da rua, cujo tamanho nem de longe faz jus à grandiosidade do padrinho.

Na minha ignorância, não sabia que Jagoanharo fora um herói da nossa terra, chefe das primeiras nações, líder dos tamoios que se rebelaram contra a ocupação portuguesa. Foi ele quem comandou o cerco de Piratininga, em 1532, acabando derrotando por portugueses e seus aliados índios, estes sob a batuta do tio de nosso herói-nome-de-rua, o chefe Tibiriçá, que a história oficial se encarregou de engrandecer.

Os nomes das ruas podem ser curiosos, mas a paisagem que vejo é sempre a mesma, dura e urbana. Chego até a fotografar cena que me parece icônica: lá longe o morro arborizado, cá perto a casa em frangalhos, restos de um cortiço talvez, tudo visto por uma desbotada grade, qual cadeia citadina.

E ainda outra imagem que conta mais do mesmo: sem ter onde fazer exercício, um corredor solitário dá voltas e mais voltas num terreno baldio, ao lado da avenida cheia de buzinas e fumaça.

Há compensações, porém. Num parque, descubro recantos encantadores, territórios de paz e recolhimento, zonas de esperança, de descanso das duras cores que enfrentei pelos meus mais de 20 quilômetros de rodagem na madrugada cinzenta. Por mais concreto que tenha, São Paulo também é verde-amarela.

Confederação diz que aceita debate sobre calendário de corridas de rua

Por Rodolfo Lucena
24/10/13 12:20

A movimentação dos corredores de elite brasileiros, que reivindicam melhores condições de competição, já está gerando alguma resposta dos órgãos que comandam o atletismo brasileiro.

A CBAt, que governa o atletismo do país, afirma que a participação de atletas estrangeiros nas corridas de rua está regulamentada e obedece a normais internacionais. Mas o presidente da entidade, José Antonio Martins Fernandes, o Toninho, destaca que está aberto ao debate: “Logo que possível organizaremos também um encontro para debater e decidir, de forma legal e democrática, eventuais acertos em nosso calendário e regulamento de corridas de rua, com a presença de atletas, treinadores e organizadores”.

A seguir, publico na íntegra a nota enviada pela CBAt.

“A respeito de manifestação que teria acontecido no sábado 19, na cidade de Ribeirão Preto (SP), sobre a presença de atletas estrangeiros em provas no País, durante etapa do Circuito de Corridas CAIXA, a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) esclarece: desde 2009 a participação de competidores estrangeiros em eventos atléticos no Brasil está normatizada.

Assim, pelas normas da Confederação, para competir no Brasil, atletas estrangeiros precisam estar devidamente autorizados pela federação de atletismo de seu país. Está no Art. 3º da NORMA 09, da CBAt, aprovada em 23 de janeiro de 2009. Esta exigência atende a Regra 04 da IAAF (Associação Internacional das Federações de Atletismo) e a legislação vigente em nosso País.

No caso específico das CORRIDAS DE RUA, a NORMA 09, em seu art. 7º, item “e”, estabelece: Art. 7º – A participação de atletas estrangeiros em eventos de rua, cross-country, de montanha e em praia será realizada conforme abaixo: e) Corridas de Rua: as quantidades limite de atletas estrangeiros são as seguintes, observadas as Normas para Reconhecimento e Homologação de Corridas de Rua da CBAt: – Corrida de Rua Classe A-1 – Nacional: até 3 (três) atletas por país no masculino e 3 (três) atletas no feminino.- Corrida de Rua Classe A-2 – Nacional: até 2 (dois) atletas por país no masculino e 2 (duas) atletas no feminino. – Corrida de Rua Classe B – estadual: até 1 (um) atleta por país no masculino e 1 (uma) atleta no feminino.

A íntegra da norma está disponível no site da CBAt – acesso pelo link: http://www.cbat.org.br/normas/Norma09.pdf.

O  presidente da CBAt, José Antonio Martins Fernandes, o Toninho, lembra: “Nós temos que seguir a legislação brasileira e as Regras da IAAF. Por isso, estabelecemos uma série de exigências junto aos organizadores de provas de rua para conceder o Permit. Atuamos para que não haja prejuízos aos atletas. Criamos o Cadastro de Corredores.”

“Estabelecemos limites para a participação dos atletas de outros países, como estabelece a NORMA 09 acima exposta”, prossegue o dirigente. “Porém, não há como impedir um atleta que esteja em situação legal de participar de uma competição nossa, pois estaríamos infringindo a própria lei brasileira e a regra da entidade internacional”, afirma Toninho.

“E não podemos esquecer que centenas de corredores brasileiros disputam provas em outros países e não gostaríamos que eles sofressem qualquer tipo de constrangimento. Estarei em Brasília para tratar de diversos assuntos de interesse do Atletismo nacional. Se for possível, levarei o caso para análise da nossa patrocinadora e também do Circuito”, explica.

O presidente da CBAt diz, ainda, que em novembro teremos o “Fórum Técnico” para tratar das competições de pista e campo. “Logo que possível organizaremos também um encontro para debater e decidir, de forma legal e democrática, eventuais acertos em nosso calendário e regulamento de corridas de rua, com a presença de atletas, treinadores e organizadores”, finaliza Toninho.”

 

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Corredores de elite protestam contra o que consideram número excessivo de estrangeiros no Circuito Nacional de Corrida

Por Rodolfo Lucena
23/10/13 10:07

A exemplo dos jogadores de futebol, que montaram o Bom Senso para defender seus interesses, corredores brasileiros profissionais começam a se articular para obter melhores condições de atuação.
Exemplo disso foi o que aconteceu no último sábado, em Ribeirão Preto, durante a etapa noturna do Circuito Nacional de Corridas.
Segundo relata Conceição Oliveira, tricampeã do circuito, “Os atletas, cansados e saturados de tanto descaso, resolveram tomar medidas drásticas se unindo na etapa de Ribeirão Preto em forma de protesto e decidiram não largar, para surpresa dos organizadores, que chamaram as atletas femininas para largar e todas por sua vez não atendiam aos chamados causando um desconforto à ORGANIZAÇÃO e atrasando a prova em 15 minutos”.
O protesto se fez ouvir, de acordo com ela: “O organizador, Sr.Hélio Takai, percebendo a resistências das ATLETAS , resolveu chamar todas para uma conversa particular, onde se comprometeu a ser o porta-voz diante das reivindicações, levando aos responsáveis todos as reclamações e solicitações”.
O que os atletas de elite afirmam é que, apesar de o nome da competição ser Circuito Nacional de Corridas, é crescente a presença de estrangeiros, que competem com vantagem em relação aos brasileiros. Isso porque os estrangeiros, segundo afirmam os atletas brasileiros, chegam descansados, participam de algumas provas e voltam a seus países de origem. Já os brasileiros, se quiserem se candidatar ao patrocínio da caixa, precisam amealhar o maior número possível de pontos, o que significa participar de todas ou quase todas as provas do circuito.
No dizer de Conceição Oliveira: “O circuito tem o calendário extenso e provas de 10km,  Meia Maratona e Maratona. Levando aos atletas um desgaste excessivo, onde aquele que escolhe mais, será beneficiado no final.”
Além do protesto, os atletas de elite participantes da prova de Ribeirão preto lançaram um abaixo-assinado, montado ali mesmo na hora, escrito com caneta em letras maiúsculas. O texto diz o seguinte: “Abaixo-assinado contra o número excessivo de estrangeiros no Circuito Nacional de Corridas … onde todos os atletas brasileiros reivindicam a presença de apenas um representante (estrangeiro), um masculino e um feminino!”
Seguem-se 25 assinaturas.
Além disso, Conceição Oliveira, que parece ser a mais atuante do grupo, colocou as informações em seu perfil em uma rede social. No que chamou de “desabafo”, disse: “Não queremos privilégios, queremos igualdade e que nossas reivindicações sejam ouvidas e levadas a sério, afinal de contas, como seria o circuito Brasileiro sem os “atletas brasileiros”? Acho que a nossa mobilização deixou um leve gostinho de como poderia ser…”
Recebeu o apoio (curtir) de diversos atletas de elite, que também fizeram comentários como o de Dione D’Agostini Chillemi, cuja mensagem reproduzo tal como publicada: “Podem contar comigo, a muito tempo acho errado trazerem quenianos, etíopes, etc…para correrem aqui no Brasil, no começo nem carta convite tinham, enquanto nós Brasileiros pra corrermos la fora na elite é a maior burocracia. Não dá pra competir de igual pra igual somos Brasileiros sem investimento na base, a maioria de nós se descobriu atleta e ja mais velho, começou a correr na rua pra ganhar dinheiro. Como podemos competir em igualdades de condições se temos que competir todo fim de semana pois demoram um seculo para nos pagar….é uma injustiça enquanto eles ficam por aqui por três meses, ganham quase todas as provas, vão embora e na semana seguinte estamos competindo com novos estrangeiros recém chegados…Onde esta a Igualdade????”

Os atletas afirmam que vão continuar o movimento na próxima etapa, em São paulo, e aguardam um posicionamento da CBAt e dos organizadores do Circuito.

OUTRO  LADO

No início da noite desta quarta-feira, 23.10, recebi comunicado da assessoria de imprensa do Circuito Caixa e da HT Sports. Sem mais delongas, reproduzo a seguir o texto na íntegra.

“Em esclarecimento ao protesto realizado pelos atletas durante a etapa de Ribeirão Preto do Circuito CAIXA, temos a informar que ele diz respeito às regras para a presença de estrangeiros nas provas válidas pelo Ranking CAIXA/CBAt de Corredores de Rua, e não apenas às provas do Circuito de Corridas CAIXA.

O termo “Circuito Nacional de Corrida de Rua” não se resume ao Circuito de Corridas CAIXA e é incorreto, já que se refere ao Ranking CAIXA/CBAt de Corredores de Rua, que não é um circuito ou uma competição, mas comporta um número de 32 provas, neste ano, e apenas define os dez atletas que receberão patrocínio para a próxima temporada. O número de provas válidas pelo Ranking, na opinião dos atletas, é outro ponto que eles gostariam que fosse revisado e reduzido.
O Circuito de Corridas CAIXA é na verdade um evento chamado Brazil Run Series, idealizado e organizado pela HT Sports, que tem a CAIXA como patrocinadora master, que deu-lhe o direito de naming right, passando a se chamar Circuito de Corridas CAIXA. Ele conta com 12 etapas ao longo do ano, que fazem parte do Ranking CAIXA/CBAt de Corredores de Rua.
A presença de estrangeiros nas etapas do Circuito de Corridas CAIXA, válidas pelo Ranking CAIXA/CBAt de Corredores de Rua, obedece às regras determinadas pela CBAt. “

 

 

Brasileiros dominam tradicional prova de dez milhas do Exército norte-americano

Por Rodolfo Lucena
21/10/13 12:09

“Um, dois, três, os gringos são freguês!!” Não, não, não, ninguém gritou uma barbaridade dessas no domingo, em frente ao Pentágono, o icônico prédio em Washington, DC, que abriga o comando das Forças Armadas dos Estados Unidos.

Mas bem que alguém mais entusiasmado e bem-humorado poderia fazer a provocação, só na brincadeira, sem intenção de ofender. É que atletas brasileiros fizeram barba, cabelo e bigode em uma das mais tradicionais corridas organizadas pelo Exército dos EUA.

A 29ª edição da Army Ten Miler (Dez Milhas do Exército) teve a participação de mais de 35 mil atletas. Civis também correm na prova que começa e termina em frente ao Pentágono, mas a verdadeira competição é entre os representantes dos pelotões militares de diversos países –além do anfitrião, estiveram representados Brasil, Canadá, Alemanha e Etiópia.

E não deu para ninguém. O ex-gari e hoje terceiro sargento do Exército Brasileiro Solonei Rocha da Silva completou a prova em 48min04, tendo o flanco protegido pelo também terceiro sargento e maratonista olímpico Paulo de Almeida Paula, que fechou dois segundos mais tarde (na foto abaixo, de Divulgação, a chegada de Solonei com Paulo um pouco mais atrás).

O terceiro lugar também foi verde-amarelo: o soldado do Exército Brasileiro e campeão da maratona do Pan do Rio-2007 Frank Caldeira terminou a prova em 48min08.

E não é que eles estivessem competindo contra militares gordinhos e pouco treinados. Para você ter uma ideia, a Etiópia mandou Tesfaye Girma, que tem 1h00min35 na meia maratona, e Tesfaye Sendeku, que tem 1h03min09 na mesma distância. No time dos EUA correu ninguém menos que o irmão do recordista Bernard Lagat, Robert Cheseret, que nasceu no Quênia, naturalizou-se americano e entrou para o Exército em 2009.

Essa foi a sétima participação e o quarto título da equipe brasileira na competição. A vitória neste ano estabelece novo recorde por equipe: 3h14min44 (somam-se os tempos dos quatro mais bem colocados corredores de cada time).

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