Rodolfo Lucena

+ corrida

Perfil Rodolfo Lucena é ultramaratonista e colunista do caderno "Equilíbrio" da Folha

Perfil completo

Jovem promessa do atletismo brasileiro tropeça no doping

Por rlucena
26/07/13 13:41

A primeira campeã pan-americana dos 3.000 m com obstáculos, a gaúcha Sabine Letícia Heitling, 26, está suspensa provisoriamente pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) por ter dado positivo em teste de doping realizado no último Troféu Brasil.

Naquela competição, Sabine voltou a vencer a prova em que é especialista e na qual é recordista sul-americana. Ela perde o título.

Segundo nota divulgada pela CBAt, a atleta testou positivo para a substância  proibida metilhexaneamina, que é um estimulante. A droga provoca aumento da força, da concentração e da atenção; por supressão do apetite, pode ajudar na redução do peso.

A atleta apresentou explicações para a entidade, que não as aceitou. Sabine também abriu mão de verificar a amostra B e tem até o fim do mês para solicitar a marcação do julgamento, conforme nota divulgada pela CBAt, que você vê abaixo na íntegra:

“A Confederação Brasileira de Atletismo lamenta informar que o laboratório credenciado pela WADA/IAAF, com sede no Rio de Janeiro, RJ, comunicou a esta entidade, no dia 27 de junho de 2013, que identificou, na amostra de urina “A” da atleta SABINE LETÍCIA HEITLING (RS), coletada no dia 07 de junho de 2013, na cidade de São Paulo, SP, durante o XXXII Troféu Brasil Caixa de Atletismo, a presença da substância proibida Metilhexaneamina (Estimulante – S6).

“Em conformidade com o disposto nas normas da WADA/IAAF, a atleta foi comunicada em 28 de junho de 2013 do resultado analítico adverso na amostra “A” de sua urina, coletada no evento acima, pela CBAt, tendo apresentado suas justificativas para a CBAt no dia 05 de julho de 2013 e não requereu o exame da amostra “B” de sua urina no prazo determinado pelas Regras da IAAF. A CBAt não aceitou as explicações da atleta, tendo comunicado este fato a mesma em 15 de julho de 2013 em função desses fatos, a CBAt emitiu Portaria nesta data suspendendo a atleta provisoriamente a partir de 15 de julho de 2013, tendo a mesma 14 dias a contar desta data para solicitar o seu julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da CBAt, ainda em conformidade com as Regras da IAAF.”

Na sua página em uma rede social, Sabine publicou um comentário, que também reproduzo na íntegra:

“Certos momentos em nossa vida reconhecemos quem realmente sempre acreditou em nós ou quem estava ao nosso lado só nós dias felizes.
Estou no atletismo há mais de dez anos com recordes em todas as categorias, títulos brasileiros, sul-americanos, pan-americanos, finais em mundiais e sempre regulados pelo controle antidopagem.
Então com a consciência tranquila de que construí minha carreira com a honra de quem ama o esporte e tem como a dignidade acima de tudo. Passo por este momento injusto com a cabeça erguida, verei ao meu lado os amigos de verdade e isso é o que me importa.”

Em texto publicado no site da “Gazeta do Sul”, o treinador da atleta, Jorge Peçanha, afirma: “Acreditamos que ela não tem culpa nenhuma neste episódio. A Sabine utiliza suplementos e nunca consumiria algo que contém substâncias proibidas. Acredito que ela vai conseguir provar a inocência”, afirmou.

Correr em Portland no verão é uma delícia

Por rlucena
24/07/13 12:26

Por causa de compromissos profissionais, visitei a cidade norte-americana de Portland, no Oregon, na semana passada. Já tinha passado por lá, mas em estadias-relâmpago, que permitiram apenas perceber que era tudo muito bacaninha. Além disso, nas outras vezes era inverno ou início da primavera, frio e chuva atrapalharam possibilidades de passeios mais amplo.

Desta vez, não. É pleno verão nos Estados Unidos, e Portland, que se autodenomina Cidade das Rosas, desabrocha sob o sol e convida a passeios pelas ruas, corridas e bicicletadas sem conta –é tida como a Capital dos Ciclismo nos EUA.

Não deu tempo de eu achar uma corridinha, uma meia maratona que fosse; em compensação, consegui fazer pequenos, mas compensadores, treinos matinais.

O primeiro passeio –absolutamente obrigatório—foi uma corrida pelas alamedas do parque à beira do rio Willamette, que divide a cidade em leste e oeste. O centro e as áreas mais badaladas ficam no oeste; do outro lado do rio, o território é mais amplo e suburbano.

O tal parque, apropriada e obviamente chamado de Riverside (ao lado do rio), é uma belezura, ainda que curtinho (fotos de minha lavra). Acompanha o Willamette por cerca de três quilômetros, que é também mais ou menos a extensão da região mais central da cidade.

No extremo sul do parque (à direita de quem fica de frente para o rio), há bares, restaurantes, lojinhas); no restante, há gramados, monumentos e alamedas onde ciclistas, pedestres e corredores dividem o espaço sem algaravia.

No extremo norte, mais perto da parte antiga da cidade, alguns sem teto aproveitam a grama quentinha para descansar. Sim, Portland tem muitos sem teto; a maior concentração é em um acampamento ao lado da entrada de Chinatown; há também gente que fica na praça em frente à prefeitura, sem falar nos que pedem esmolas nas esquinas.

Dá para cruzar a pé as várias pontes sobre o Willamette, tornando a corrida mais movimentada; do outro lado, porém, há apenas uma alamedona, sem grandes atrações além de uma escultura ou outra, como o Portal do Eco (abaixo).

O mais legal, porém, é a possibilidade de chegar a uma enorme floresta urbana, que fica a apenas alguns minutos de corrida para quem está na parte sul da cidade.

Enveredei pela Burnside, que é a avenida que divide a cidade em norte e sul, subindo em direção ao Washington Park. Em três minutos estava nos limites da floresta; nem acreditei que era a trilha que eu tinha vista no mapa e resolvi seguir subindo.

A rampa, que era modesta, foi se aprumando, ficando mais íngreme e minhas passadas mais lentas. Em dez minutos, já não se viam vestígios de urbanidade. Era mato de um lado e outro da avenida, sem calçadas, me obrigando a correr num acostamento improvisado, driblando os buracos e os cascalhos, de vez em quando subindo no asfalto, abrindo os braços para avisar aos motoristas que havia um doido na contramão.

Continuei subindo, à procura da entrada do matagal, que, imaginava eu, seria bem marcada e anunciada com grandes cartazes informativos. Nada. Em contrapartida, vi uma cruz na estrada e flores, homenagem a alguém que tinha sido atropelado e morto naquele local. Achei que era um bom sinal para eu parar de desafiar o trânsito.

Botei a viola no saco e enveredei de volta pelo mesmo caminho, agora com mais medo porque descia na mão, sem ver os adversários que roncavam no asfalto. Pude enxergar, porém, uma modesta trilha penetrando a floresta e resolvi arriscar.

Foi sensacional. A trilha subia, subia e não parava de subir. Apesar de ser de terra, “selvagem”, era construída, plana, mesmo nos locais em que só dava para colocar um pé ante outro. Uma maravilha. Tirei muitas fotos, mas poucas ficaram boas por causa da falta de luz e da incompetência  do fotógrafo. Mas talvez esta dê uma pálida ideia do que é o território:

Pressionado pelo horário, tratei de iniciar a minha volta. Saí de lá com a certeza que havia transitado por um dos mais belos e gostosos percursos em que já treinei na minha vida.

Nova linha Free, da Nike, chega 60% mais cara

Por rlucena
19/07/13 13:34

Acompanhei, nesta semana, o evento de lançamento mundial de dois modelos da linha Free, da Nike. Na sua sede, em Beaverton, do ladinho de Portland, no Estado do Oregon, noroeste dos EUA, a empresa reuniu quase 300 jornalistas do mundo todo para mostrar sua nova filosofia de design, que chama de “natureza amplificada” (foto abaixo, de minha lavra).

Apesar de anunciados como tênis de corrida –que são, e de boa qualidade, como veremos a seguir–, ficou evidente o investimento da empresa em demonstrá-los como também parte do que o mercado e os marqueteiros chamam de “estilo de vida”.

Não por acaso, três dos cinco jornalistas/blogueiros que saíram do Brasil para o evento são da área de moda. Olhando o visual da turma presente, não ficaria surpreso se, no conjunto, a relação entre fashionistas e corredores, para estabelecer categorias genéricas e arbitrárias, fosse ainda mais díspar.

Isso acontece porque a empresa notou que os atuais modelos da linha Free, que é a mais vendida da Nike entre os modelos para corrida, há muito deixou o asfalto e as esteiras das academias sofisticadas para chegar às pistas das baladas e aos bares frequentados pela moçada. É que, aparentemente, a turma jovem quer demonstrar que também é saudável, além de totalmente moderna.

Tanto é assim que a linha AirMax, nascida para amortecer as passadas dos corredores, virou tênis de balada. No segundo dia do evento, estilistas apresentaram modelos AirMax que chegarão ao mercado nos próximos anos. O que arrancou mais “ahs!” e “ohs!” dos fashionistas foi um modelo em preto com solado em verde limão quase fosforescente no estilo Anabela (é como um salto alto, mas com a sola sólida em todo o pé, bem baixinha na frente e BEM alta no calcanhar). Teve até palmas para o sapatinho….

A linha Free está seguindo no mesmo caminho. “Nenhum core runner usa o Free para corrida”, me disse um executivo da área de comunicação da Nike. Por “core runner”, ele se refere a corredores dedicados ou “corredores sérios”, maratonistas ou gente focada em melhorar a performance.

Não que eles não usem o Free: segundo o mesmo executivo, os tais corredores sérios empregam o calçado em treinos regenerativos ou mesmo longos em ritmo leve, para mudar as exigências feitas à musculatura.

Até agora não falei dos lançamentos nem da filosofia “natureza amplificada”. Esse estilo de design procura fazer o que o nome tenta transmitir: melhorar características ou ampliar o potencial de desempenho do corpo humano, sem mexer no seu estilo ou aproveitando o jeito de ser do homem.

São dois os primeiros modelos criados segundo essa filosofia, o Free Flyknit (ao lado, Divulgação) e o Free Hyperfeel.

O primeiro combina duas tecnologias já usadas pela Nike: a flexibilidade do solado Free com o tecido do Flyknit, que, no dizer da empresa, proporciona “o ajuste preciso tipo segunda pele”.

Já o Hyperfeel é um tênis minimalista, ainda que a Nike pareça não gostar muito dessa palavra. No material de divulgação, o calçado é definido assim: “Um tênis que imita o funcionamento intricado do pé. Sua espuma Lunarlon copia as áreas de amortecimento sob o pé. A sola protege como se fosse uma pele endurecida. E a tecnologia Dynamic Flywire flexiona e contrai como os ligamentos”.

A maior novidade da linha, porém, não foi anunciada nos palcos do evento “natureza amplificada”, mas sim descoberta nos corredores: ele rompe o patamar de preço dos atuais modelos da linha Free, que tem preços na faixa que vai de US$ 100 a US$ 130 (cerca de R$ 220 a R$ 290). O preço do Free Flyknit, que chega em agosto, é US$ 160 (R$ 355, aproximadamente). O Hyperfeel, cujo lançamento está previsto para novembro, vai custar US$ 175 (quase R$ 390). Os valores são para o mercado norte-americano.

Essa diferença de 60% no preço é muito significativa. Claro que a Nike deve ter pesquisas dizendo que há mercado e renda para garantir vendas no volume que considera necessário, mas acredito que a empresa vai ter de gastar muito em marketing para convencer o público de que a mudança, o investimento extra, vale a pena. De certa forma, já vem fazendo isso, pois os atuais modelos com cabedal Flyknit (Nike Flyknit Lunar 1+) têm preços na faixa dos US$ 160. 

Não sei como funciona o público nesse terreno, mas lembro que, quando cobria informática diuturnamente, um alto executivo da área me disse que, nos Estados Unidos, uma variação de US$ 20 já pode fazer a diferença entre o sucesso e o fracasso de um produto.

A questão é: os produtos valem tudo isso? A resposta é de cada um, e envolve, como em qualquer outra compra, muito mais do que o valor intrínseco (se é que isso existe) ou a serventia do produto.

Que fique claro: mesmo por esse preço, eles não vão correr por você. O corredor vai ter de treinar, suar, fazer musculação, descansar, beber e comer direito. E esses modelos podem ser bons para alguns tipos de treino ou de corredor.

Com cada um deles, Flyknit e Hyperfeel, corri um quilômetro pelo campo que, no quartel-general da Nike, é nomeado em homenagem a Ronaldo –tem até uma estátua do Fenômeno (foto de minha lavra). Também circulei por alamedas de concreto em volta do gramado.

Achei o Free Flyknit bastante confortável, chegando a ficar surpreso com o bom amortecimento oferecido (eu esperava um tênis quase molengo), mas não notei, durante a corrida, a tal flexibilidade. Isso não quer dizer que ele não seja flexível –na mão, dá para dobrá-lo com a maior facilidade–, mas sim que não senti, no curto espaço de tempo que o experimentei, impacto dessa flexibilidade na corrida, nem para o bem, nem para o mal.

Já o Hyperfeel (ao lado, Divulgaçao) é outra conversa. Ele é mais afilado, mais pontudo, e a sola é quase nada; protege, é claro, mas parece que você está descalço. Outros corredores gostaram, mas eu tive, ao longo dos minutos que o experimentei, uma desagradável sensação de insegurança, sentindo as dezenas de ossos dos meus pés baterem no concreto quase como se eu estivesse descalço.

Em um e outro, a maior dificuldade que tive foi de calçar os tênis. A parte de tecido é muito ajustada, e o pé entra como se estivesse em uma meia de compressão, é preciso segurar firme o cabedal e forçar um pouco a passagem. Uma vez calçado, a sensação é de bastante conforto, com ajuste muito bom. Não senti os dedos apertados mesmo no Hyperfeel, que a tem a parte da frente mais fina.

Claro que é preciso adaptação para usar calçados como esses. Falando com os desenvolvedores dessa linha, eles deixaram claro que são produtos indicados para quem tem uma boa biodinâmica de corrida. Também devem ser mais indicados para corredores mais leves.

Os especialistas da Nike com quem conversei não quiseram dizer que esses modelos não são apropriados para atletas mais gordos, preferindo repetir a história da biodinâmica… Eu insisti, lembrando que, em geral, corredores mais pesados nem sempre são os mais eficientes no uso de seus recursos físicos para a corrida, e o entrevistado concordou. Vai daí que…

 

PS.: Viajei para o evento da Nike a convite da empresa.     

 

 

 

Está faltando mulher na maratona

Por rlucena
18/07/13 15:38

As maratonas brasileiras, sabemos todos, são pequenas em relação ao número de corredores. E, com eventuais exceções, não têm aumentado muito. Ao contrário, boa parte está estacionada.

Neste ano, várias maratonas importantes, como a de São Paulo e a de Porto Alegre, tiveram suas dadas mudadas.

Isso é um dos fatores que irrita os corredores, prejudica o planejamento e faz com que vários procurem oma alternativa à prova inicialmente escolhida.

Além disso, essas provas deveriam começar muito mais cedo, por causa das condições climáticas do país, e ter um serviço muito melhor do que o oferecido.

Falo tudo isso inspirado por números que o treinador Nelson Evêncio, presidente da Associação de Treinadores de Corrida de São Paulo, divulgou em uma rede social.

Ele disse: “A edição da Maratona do Rio de Janeiro 2012 teve 546 concluintes mulheres e a de 2013 teve 772!” (de fato, segundo o site oficial, houve 771 mulheres concluintes e 3221 homens).

Não são números de empolgar, mas pelo menos representam um avanço. Mas parece que é algo pontual, a julgar pelo cometário seguinte de Evêncio: “A Maratona de São Paulo 2012 teve somente 213 concluintes mulheres”. E desafia: “Será que a organização terá alguma ideia genial para atraí-las?”

A esta altura do campeonato, duvido muito que consiga. Mas é uma pena que a coisa esteja desse jeito.

Não tenho números, mas dá para ver nas ruas que é significativa a presença feminina em corridas de menor distância. Em outros países, as mulheres também ocupam significativo espaço na maratona.
Nos Estados Unidos, as mulheres representaram 42% dos concluintes de maratonas no ano passado, aumento de um ponto percentual em relação ao ano anterior –a diferença em relação aos homens caiu de 18 pontos percentuais para 16 pontos percentuais.

Na sua opinião, prezado leitor, veloz leitora, o que faria com que mais mulheres passassem a participar de maratonas no Brasil?

Cartas para a Redação (ou melhor: deixe seu comentário cá neste blog). 

Dinamarquesa com esclerose múltipla faz 366 maratonas em 365 dias

Por rlucena
16/07/13 10:32

Aos 41 anos, a dinamarquesa Annette Fredskov estabeleceu no último domingo um novo recorde de resistência. Em um ano, fez uma maratona por dia, todos os dias. E, para não deixar que ninguém dissesse que as dinamarquesas são fracotes, Fredskov ainda fez mais uma de lambuja.

Se você está de queixo caído, repito a informação, agora com número: ela fez 366 maratonas em 365 dias. No último dia, o domingo passado, como estava se sentindo exultante por completar o desafio, dobrou a distância.(veja AQUI um pequeno vídeo, narrado em inglês, contando o fim da jornada da moça).

Ela é uma maratonista um pouco melhor do que a média, segundo o critério da velocidade: sua melhor marca na distância é de 4h08min14 (nos EUA, o tempo médio das mulheres foi de 4h44min19 em 2010).

Mas há um porém: a recordista de resistência sofre de esclerose múltipla. A definição mais simples que encontrei para a doença é esta: A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória que não tem cura e extremamente invasiva. Atinge as fibras nervosas responsáveis pela transmissão de comandos do cérebro a várias partes do corpo, provocando um descontrole interno generalizado”.

Annette Fredskov resolveu enfrentar o desafio para promover a luta contra a doença, dizendo que pretende inspirar as pessoas a seguirem os seus sonhos e não imporem limitações a si próprias.

Foi há três anos que ela ficou sabendo que sofria da doença. Como você pode imaginar, foi um choque para ela, que é casada e tem dois filhos –Emilie, de 11 anos, e Viktor, de 9 anos.

Naquele mesmo 2010, correu sua primeira maratona, em Frankfurt, Alemanha. “Foi amor à primeira vista”, disse ela, que, ao final do ano seguinte, já havia completado nada menos do que 51 maratonas.

Mesmo assim, ainda dava bola (com razão, segundo boa parte dos médicos) para a afirmação de que correr maratonas não é saudável. “Hoje penso diferente”, diz ela em seu site (AQUI). “A maratona foi a melhor coisa que aconteceu para meu corpo e minha alma.”

E completa, contando sua história com a doença: “Há três anos, descobri que sofria de esclerose múltipla. Hoje, sem usar nenhum remédio, não tenho nenhum sintoma da doença nem qualquer problema relacionado a ela. Acredito que correr maratonas é um fator importante para eu estar saudável hoje. Além disso, descobri novas prioridades, que me proporcionam melhor qualidade de vida”.

 

Atentado na maratona de Boston vai ser tema de filme

Por rlucena
12/07/13 15:10

Ainda não se passaram três meses do atentado no final da maratona de Boston e já se sabe que teremos um filme a respeito da tragédia.

Nesta semana, foi anunciado que Eric Johnson e Paul Tamasy, roteiristas do docudrama “O Vencedorr”, compraram os direitos para cinema de um livro sobre os acontecimentos de Boston.

O livro não saiu ainda, devendo chegar às lojas só no ano que vem, mas é assim que funciona  a indústria do entretenimento. Trata-se de “Boston Strong” (A Força de Boston, em tradução livre), que está sendo produzido por Dave Wedge, repórter do “Boston Herald”, em parceria com Casey Sherman.

Além de contar detalhes sobre as explosões, o livro mostra a reação da cidade ao atentado, que deixou três mortos e centenas de feridos.

Diferentemente do livro, o filme não tem data para lançamento. O roteiro deve levar pelo menos um ano para ser concluído, sendo a imprensa especializada  nas lides cinematográficas.

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Suspeito de atentado na maratona de Boston se diz inocente

Por rlucena
10/07/13 17:09

Na primeira aparição pública desde que foi preso sob suspeita de envolvimento na colocação de bombas na área de chegada da maratona de Boston deste ano, Dzhokhar Tsarnaev compareceu hoje perante um juiz federal e se declarou inocente de todas as acusações.

As explosões provocaram a morte de três pessoas e deixaram mais de 260 feridos ao final da 117ª edição da prova de Boston, a mais antiga corrida do gênero no mundo.

Hoje, protegido por forte aparato de segurança, Tsarnaev enfrentou a primeira sessão de seu processo judicial. Vítimas das explosões estavam presentes no tribunal.

Ele foi preso escondido em um bote em um subúrbio de Boston, no dia 19 de abril. Tinha conseguido fugir da polícia depois de um tiroteio em que seu irmão, também suspeito de envolvimento no caso, foi morto.

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Brasil volta ao topo do pódio na maratona do Rio

Por rlucena
08/07/13 11:01

Por apenas oito segundos, a história não se repetiu. Diferentemente do ocorridos nos últimos três anos, um queniano não foi o campeão da maratona do Rio. E, como se fosse a ordem do dia, o tabu também foi quebrado na meia maratona, que não via uma campeão brasileiro desde 2008.

Na prova principal, o baiano Giomar Pereira dos Santos completou em 2h18min03, oito segundos à frente do queniano Willy Kimutai. Na meia, o paulista Altobeli Santos da Silva fechou em 1h04, apenas cinco segundos à frente do queniano Eliya Sidame.

Aos 42 anos, Giomar festeja o feito: “Minha especialidade é a prova de 10 km, e por isto a vitória aqui no Rio de Janeiro é ainda mais gratificante. O momento mais complicado da prova foi na subida próxima ao quilômetro 13, mas consegui me recuperar na descida e reencontrar o bloco dos líderes. Quando cheguei ao quilômetro 38 e vi que estava entre os três melhores, pensei: ‘Tem 20 mil pessoas me esperando! Não vou perder. Vou para o tudo ou nada’. Aí deu tudo certo”, disse ele, segundo texto divulgado pela assessoria do evento.

Para o paulista Altobeli, de 23 anos, a vitória foi um prêmio à audácia: “Antes de largar, não pensava em vitória, mas, no decorrer da prova senti que estava bem. Quando cheguei ao final, no quilômetro 20, o Giovani, meu parceiro de equipe, falou: ‘Se você está bem, sai do bolo!’ Aí eu acelerei e só pensei na linha de chegada”.

A campeã da maratona foi a queniana  Letay Hadush, com 2h40min18; a melhor brasileira foi Marily dos Santos, que chegou em quarto lugar. Na meia, a vencedora foi também queniana, Ednah Mukhwana, com 1h16min08; Sirlene do Pinho, a melhor brasileira, completou na quinta colocação.

No geral, o evento (foto Divulgação), que incluiu também uma corrida para a família, reuniu 22 mil participantes, segundo a assessoria da prova.

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Professores de Itararé aprendem a correr

Por rlucena
05/07/13 11:54

Pois o conto eu lhe conto como o conto foi. Estava eu subindo as escadarias que me levariam a uma exposição de lembranças do Movimento Olímpico quando ouvi alguém chamar meu nome. Magricela, vestido com uma berrante camiseta de corrida verde-limão, o sujeito se apresentou: “Sou Guilherme, de Itararé!”.

Apesar de ser ainda cedo na manhã de domingo, deixei que a resposta tivesse o bom humor que não me caracteriza: “Itararé? Só conheço o Barão de Itararé, mas ele é gaúcho”, brinquei, lembrando o grande jornalista e iconoclasta de carteirinha Aparício Torelly, também conhecido como Aporelly.

Meu interlocutor sorriu amarelo: “Ele era um brincalhão. Dizia que não era barão, mas, como em Itararé também não houve batalha, dava tudo na mesma”.  É que, nos idos de 1930, quando Getúlio Vargas levantou o Sul contra o poder central, dizia-se que os chegantes seriam parados em Itararém, na fronteira de São Paulo com o Paraná, onde se daria a mais sangrenta batalha da história da América (quiçá, do planeta Terra).

A diplomacia falou mais alto, e nada de bala com bala, muito menos sangue no asfalto: “Fizeram acordos. O Bergamini pulou em cima da prefeitura do Rio, outro companheiro que nem revolucionário era ficou com os Correios e Telégrafos, outros patriotas menores foram exercer o seu patriotismo a tantos por mês em cargos de mando e desmando… e eu fiquei chupando o dedo. Foi então que resolvi conceder a mim mesmo uma carta de nobreza. Se eu fosse esperar que alguém me reconhecesse o mérito, não arranjava nada. Então passei a Barão de Itararé, em homenagem à batalha que não houve”, disse mais tarde Aporelly (1895-1971).

Eu já sabia de tudo isso, então essa conversa não foi necessária com o Guilherme, que logo passou ao que interessava: “Viemos em mais de 30 pessoas de Itararé só para correr a prova noturna de ontem –uma corrida de 10 km na Cidade Universitária, no último sábado”.

A coisa ficou ainda mais interessante quando ele me disse que eram quase todos professores de escolas públicas, que estavam começando a treinar, aprendendo a correr. E que financiavam a viagem com o apoio do povo da cidade: venderam rifas e pizzas ao longo do mês para conseguir recursos para o transporte e as inscrições.

Então achei que era uma história que merecia ser contada e até tirei uma foto do grupo que, naquela manhã domingueira, também ia visitar a exposição sobre os Jogos Olímpicos –falando nisso, foi muito bacana, pena que acabou no domingo passado.

A turma tinha 22 corredores –nove fizeram o percurso de 5 km–, inteirando 34 no total, com agregados (filhos, cônjuges, torcida), contou o Guilherme, que por nome completo é Guilherme Marques Gorski. Formado em educação física, esse professor de 47 anos trabalçha como supervisor de ensino no município, que fica a cerca de 360 km da capital paulista. Corredor desde 2002, tem 16 maratonas nas costas e é o inspirador da Equipe 28 de Agosto – 100% Itararé, que tem por objetivo incentivar os itarareenses a praticar atividade física.

Desde o ano passado, um dos pontos fortes do grupo é ensinar professores a correr, como nos conta Guilherme:  “Diretoria de Ensino da Região de Itararé, algumas professoras coordenadoras e funcionários se interessaram pela prática da corrida e resolvi convidá-los para participar”.

Para incentivar a turma, colocaram como meta a prova de 10 km que integra a Maratona Internacional de São Paulo daquele ano. Foi uma beleza, orgulha-se Guilherme: “No dia 17 de junho de 2012, 16 atletas da nossa equipe completaram o percurso. Na maioria, era um pessoal que nunca havia corrido nem mesmo praticado alguma atividade física regularmente, e isso chamou a atenção dos demais colegas”.

A conquista virou assunto no trabalho, na cidade: “No dia após a corrida, voltando ao batente, combinamos de todos irem vestindo a camiseta da prova e levando a medalha conquistada. Não deu outra, muitos outros foram contaminados e começaram a participar dos treinos coletivos, que sempre fazemos nos finais de semana”.

As chefias apoiaram a mensagem se espalhou. “Em outubro de 2012, fomos em 36 corredores para a etapa São Paulo do Circuito de Corridas de Rua da Caixa, que teve a largada e chegada no Estádio do Pacaembu. Nessa prova conseguimos dois pódios nas categorias por faixa etária”.

Apesar do apoio das chefias locais e regionais, o grupo não tem suporte financeiro para bancar viagens. “Resolvemos vender pizzas para arrecadar o dinheiro para custear o transporte e hospedagem de todo o pessoal. A dificuldade nos uniu ainda mais. Fizemos parceria com uma padaria e vendemos as pizzas feitas por ela, recebendo uma comissão em cada pizza vendida. Cobrimos todas as despesas e ainda teve uma sobra, que investimos no transporte dos alunos das escolas estaduais, que levamos para a São Silvestrinha”.

E assim a equipe segue correndo, aprendendo e ensinando a lição um pouco mais e melhor a cada dia.

Poética, a frase acima seria um bom fecho para este texto, não fosse a minha vontade  de ainda falar alguma sobre Itararé, o Barão, não a cidade nem o grupo de corridas. O cara foi um figuraço e merece ser mais conhecido.

Era especialista em frases prenhes de ironia, veneno e verdade: “A pessoa que se vende recebe sempre mais do que vale” é demolidora, enquanto “Triste não é mudar de ideia, triste é não ter ideias para mudar” serve como dica de vida.

Vale a pena ler “Máximas e Mínimas do Barão de Itararé”, uma seleção de textos de humor publicados por Aporelly no seu jornal-veneno, o “A Manha”, que tinha como slogan “Quem não chora não mama”. O prefácio é de Jorge Amado, que foi comunista como o Barão. Aporelly também é o inspirador do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Adidas lança tênis diferenciado com preço mais diferenciado ainda

Por rlucena
03/07/13 17:06

Mil reais. Ou, para ser preciso, R$ 999,90. Esse é o preço sugerido para o novo tênis de corrida da Adidas voltado para o que a empresa chama de “mercado premium”. Foi desenvolvido a partir de propostas partidas do Brasil, tendo o usuário brasileiro como alvo, segundo foi dito em coletiva de lançamento nesta quarta-feira.

O que o brasileiro quer?, perguntei eu. “O brasileiro é louco por muito amortecimento e gosta de tecnologia visível”, afirmou Caio Amato, gerente da adidas do Brasil para o mercado de corridas.

E, pelo jeito, também gosta de pagar caro.

Tecnologia visível está clara no Springblade, nome do produto que chega às lojas brasileiras no mês que vem. O nome se refere à sua estrutura de sustentação: uma tradução razoável seria “mola feita de lâminas”.

E é disso mesmo que se trata: a sola do Springblade é um conjunto de 16 lâminas de plástico especial, cada uma delas com um pezinho de borracha não menos especial.  Por causa desse formato, a resposta do tênis ao impacto no solo é uma propulsão à frente. De acordo com o material de divulgação, isso cria “uma sensação de retorno explosivo de energia”.

A estrutura toda me parece muito rígida, mas isso é uma sensação de quem apenas teve o calçado nas mãos (não tinha o meu número para experimentar). Segundo a empresa, o amortecimento é até maior do que no seu topo de linha Boost, e as lâminas são flexíveis e resistentes. Amato disse que o Springblade tem bala para mais de 600 quilômetros.

Pelo menos, a empresa não promete que ele corra por você. Ao contrário, Amato deixou claro que o Boost dá um retorno maior de energia –em outras palavras, o Sprinblade “é mais lento”. Por causa disso, seu uso deve ser mais cansativo, em longas rodagens, que o do atual top de linha no mercado de corridas.

Inicialmente, o Springblade estará disponível no Brasil, nos EUA e alguns países da América Latina.

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