Deena Kastor derruba quatro recordes mundiais de veteranos numa só corrida
24/09/14 10:22Desta vez, ela não correu como fizera na sua maior conquista. Em 2004, na maratona olímpica, a norte-americana Deena Kastor cozinhouo galo enquanto pode, ficou lá atrás grande parte da prova, guardando as energias. À medida que o calor derrubava as oponentes, ela seguia seu passinho até se ver no pódio, com a medalha de bronze.
Domingo, não. Saiu para correr a Philadelphia Rock ‘n’ Roll Half Marathon com sangue nos olhos, de olho em fazer uma boa marca. Grudou no primeiro time, onde estava a etíope Aberu Kebede e a queniana Caroline Rotich, e foi mandando brasa, ainda que dores na perna teimassem em chamar a sua atenção.
Ela se manteve o tempo todo em ritmo de recorde mundial, mas teve de superar problemas. “No km 18, achei que não ia dar”, disse ela á imprensa norte-americana. “Eu tinha dores no lado da perna e percebia que minhas passadas não estavam boas. Pelo menos eu tinha as líderes no meu campo de visão. Isso me ajudou a focar na corrida e esquecer as dores.”
Que esquecida! Aos 41 anos, ela completou a meia maratona domingueira em 1h09min36, limando 20 segundos do recorde estabelecido pela russa Irina Permitina em 2008. De quebra, ainda estabeleceu novas marcas mundiais para veteranas nos 15 km (49min03), 10 milhas (52min41) e 20 km (1h05min52). Por suposto, quebrou também o recorde norte-americano da meia maratona, que era dela mesma.
E olha que tudo isso não passava de treinamento: a corrida faz parte de sua preparação para a maratona de Nova York. “Esse resultado me deixou faminta por competição”, disse ela, que não comentou a possibilidade de quebra de recorde também na maratona. Mas não tira de seu horizonte uma tentativa de integrar o time feminino dos EUA que irá para a maratona dos Jogos do Rio-2016.
Ah, só para dar uma perspectiva nacional às coisas: a marca da “velhinha” Deena Kastor é quase dois minutos melhor do que o recorde brasileiro para a distância, que é de 1h11min15 e foi estabelecido por Silvana Pereira em Florianópolis em 1991.
Também é bom lembrar que Deena é mãe de uma menininha e que teve câncer de pele, diagnosticado em 2001. Ela passou por uma série de cirurgias para remoção dos tecidos atingidos. Já levou mais de 200 pontos para fechar os buracos deixados pelas cirurgias.